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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O Acordo Ortográfico já é politicamente correcto?

 
A polémica sobre o horrendo Acordo Ortográfico, que fervia, desapareceu de repente, foi de férias, passou à História, extinguiu-se... ou dissipou-se talvez no apostólico "tempo novo".
Desde que existe o governo da tríade PS-BE-PCP que o Acordo Ortográfico deixou de ser contestado e, pelo que parece, os apóstolos da Geringonça até o utilizam.
Terá passado a ser politicamente correcto?
 
 
 
 
 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

E quando é que começarão a dizer "Foda!" em vez de "Foda-se!"?!

 
Como a imprensa muito gosta de dizer, "é oficial": o "-se" perdeu, definitivamente, e por motivos que vão para lá da simples evolução da língua.
Não há "evaporou-se", "afundou-se", "reuniu-se", "fechou-se", por exemplo. O que há é isso tudo e sem o esclarecedor "-se", o que também, segundo os cânones, transforma tudo em acções efectuadas por terceiros: a água evaporou alguma coisa ou alguém, a Bolsa afundou alguma coisa ou alguém, o Comité Central reuniu alguma coisa ou alguém, a porta fechou alguma coisa ou alguém.
É uma espécie de epidemia maligna, tipo peste suína, que tende a alastrar, com a qual, conservador na língua e profissionalmente obrigado a respeitá-lo (mesmo no uso do acordo ortográfico quando o cliente legitimamente o determina), não consigo concordar e cuja prática não consigo ver com bons olhos.
E acho que só concordarei com ela, podendo até acatá-la, se ouvir as mesmas pessoas que assim falam a exclamarem "Foda!" em vez de "Foda-se!".
Como (se...) costuma dizer, ou há moral ou comem todas/todas...

domingo, 10 de janeiro de 2016

Ainda se poderá dizer?

Lembro-me de ter ouvido, há muito tempo, a expressão "Não se bate numa mulher nem com uma flor", que tem duas vertentes: a primeira é de que nunca, em nenhuma circunstância, se bate numa mulher e a segunda é que isso não se faz nem mesmo com um objecto tão sugestivo e tão delicado com uma flor.
Hoje, porém, já não se deve poder dizê-la, porque seria decerto encarada como uma afirmação de discriminação sexual e censurada como tal.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O Gulag mental da "esquerda"

 
Uma política (político, sexo feminino) da "esquerda" despiu-se voluntariamente para duas publicações em plena época de caça ao voto.
Não me recordo de ver esta atitude a ser criticada por quaisquer motivos que tivessem a ver com a exibição do corpo feminino.
Duas semanas depois, outra política também da "esquerda" é alvo de uma petição para se deixar fotografar despida para a revista "Playboy", por acaso até na mesma altura em que é anunciado o fim das fotografias de nu(a)s nesta famosa publicação.
E aí já se erguem as vozes de protesto na "esquerda", num coro de angustiadas idiotices, porque a dita petição já seria uma espécie de exploração sexista!
Se este tipo de mentalidade consegue chegar um dia ao poder, ainda acabamos todos enfiados numa espécie de Gulag de novo tipo.  

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Refugiados e migrantes: e os outros?


Quem são eles? Refugiados, o que faz supor que não têm nada de seu e que fogem de qualquer ameaça mortal. Migrantes, o que faz supor que querem deslocar-se apenas de um ponto para outro.
Quando aparecem diante das câmaras de televisão dos jornalistas sempre comovidos, dizem que querem ir para a Alemanha. É considerado o país forte, económica e politicamente, da União Europeia. Há outros países do Norte da Europa que são também citados.
Mas não há quem queira os países do ex-“socialismo real”, ou Espanha ou Portugal e pela Grécia (então a empobrecida Grécia...) já terão passado e não quiseram ficar.
Quando falam para as câmaras, o inglês é muito razoável. Não trazem os andrajos dos refugiados que não arranjam o dinheiro necessário para pagar aos traficantes de pessoas que os trazem para a Europa. 
E não têm a atitude de quem vem submisso. Reivindicam, exigem, atacam os polícias que não os querem deixar passar fronteiras. Não têm a atitude dos que já desistiram de procurar melhor. E não param. Há sempre mais.
O verdadeiro drama está aí, para começar: por mais refugiados ou migrantes que os países da União Europeia consigam aceitar, haverá sempre mais. Mais dezenas, mais centenas, mais milhares. (A não ser que seja criada uma zona-tampão, protegida pelas instâncias internacionais e com participação dos países vizinhos dos Estados falhados de onde eles vêm, ou fechadas as fronteiras e pela força).
Depois, até onde estarão dispostos os refugiados e/ou os migrantes a ir para conseguirem aquilo a que consideram ter direito? Se foram capazes de forçar fronteiras (sempre com as crianças bem em evidência) e de atacar as autoridades à pedrada, o que poderão fazer mais para terem... o quê? Habitação, trabalho, alimentos, assistência médica? Só?
O antigo primeiro-ministro António Guterres disse há pouco tempo, na sua encarnação de alto-comissário para os refugiados, uma lamentável tolice: que os terroristas vêm de avião e sem problemas. 
Uma força como o Estado Islâmico, com a sua mistura de fé religiosa e de proselitismo bélico, não pode dispensar, na sua estratégia, os fanáticos suicidas que estão dispostos a morrer em atentados terroristas. Já o sabemos.
Mas, e se é minimamente competente, muito menos pode dispensar a oportunidade dourada de enviar os seus guerrilheiros urbanos por entre os milhares que de pessoas que avançam, claro que com a melhor das intenções, para a Europa.
Muitas dessas pessoas serão, numa situação como esta, as melhores ferramentas de um grupo terrorista armado e eficaz para criar um exército civil, organizado ou aparentemente desorganizado, com o domínio de ruas e de zonas urbanas. Para começar. E no coração de um dos seus inimigos históricos: a Europa. E nessa altura… como será?
Há pouco tempo fiz uma pergunta no Facebook em formato de micro-sondagem: quem é que estaria disposto a acolher refugiados em casa? Tive uma única resposta, de uma pessoa, disposta a acolher uma criança. Ninguém, nem mesmo os mais assanhados defensores das cedências europeias aos refugiados e migrantes, se ofereceram.
E porquê? Porque se calhar pensam aquilo que outros, poucos, se sentem capazes de dizer. Sem caírem em posições simplistas de “sim porque sim” e de “não porque não” e sem terem medo da Polícia do pensamento que tanto temor parece inspirar a outros.