sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O frete da "Gazeta das Caldas" que envergonha o jornalismo


"Ó senhor presidente, dê aí um subsidiozinho..."

Que a "Gazeta das Caldas" (ou só o seu director?) nutre um fascínio cúmplice pelo presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha já se sabe. Mas, mesmo sabendo-se, seria difícil pensar que a coisa fosse tão longe.
A manchete de hoje deste jornal regional (que se reivindica de certos pergaminhos) é um incomensurável frete ao PSD local e uma vergonha para o jornalismo.
A "Gazeta das Caldas" tem a obrigação de perceber tudo aquilo que qualquer pessoa com um mínimo de sentido político e de compreensão das realidades facilmente vê.
A Câmara Municipal de Caldas da Rainha leva a sua influência avassaladora a um número indeterminável de habitantes da região (ou seja, eleitores) e fá-lo através do mais simples dos elementos: o dinheiro.
É o pessoal que trabalha nas estruturas municipais, são as associações mais diversas do concelho, são as empresas daqui e dos arredores (e que aqui contratam) chamadas para as mais variadas obras públicas. De uma forma ou de outra, é a Câmara a financiar grande parte deste universo. E na Câmara manda o presidente. Portanto, convém manter tudo como está.
E não é só o dinheiro que pode influenciar ou determinar o sentido de voto dos eleitores.
O presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha beneficiou de uma campanha propagandística que começou, praticamente, com a sua chegada ao poder, ainda em 2013. Festas, obras, espectáculos, iniciativas diversas... O candidato do PSD local que tanto embevece este jornal esteve em todas. (E foi assim, também, que o PS conseguiu melhores resultados nas eleições locais. Será de pensar que a "Gazeta" está de acordo com estes procedimentos?)
O candidato esteve também em numerosas fotografias da própria "Gazeta". E várias vezes na mesma edição do seu rival, o "Jornal das Caldas" que, pelo menos, mantém algum distanciamento institucional com a Câmara.
Um jornalismo sério (que pode ser praticado mesmo quando o director de um jornal não é jornalista) exporia estes simples factos. Que explicam que a vitória (venerada também, com direito a "Dr. Tinta Ferreira" e tudo, na coluna de opinião da última página) até foi, afinal, diminuta. Controlando, como controla, a vida do concelho, até admira que a percentagem não fosse aos 100 por cento.
Este frete ao poder (significativamente ao lado de um texto do director a lamentar-se por a vida "não estar fácil" para a imprensa regional...) consegue ser até mais do que um frete.
O estilo ordinário da opinião final recomenda que disto se diga que, mais do que um frete, o modo como a "Gazeta das Caldas" se pôs de joelhos perante o poder do PSD local é mais próprio de um... alfinete de peito. Que engula até ao fim e que lhe faça bom proveito.

*

O jornalismo apoia-se em factos (ou deve fazê-lo, se não ressalva que se trata de especulação ou opinião).
Não há, neste lamentável caso, um único elemento que sustente a manchete. 
Não é pela "Gazeta das Caldas" que ficamos a saber, por exemplo, qual é a percentagem obtida pelo PSD a nível nacional e qual a percentagem obtida pelo PSD caldense. Nem em câmaras municipais, nem em assembleias municipais, nem em assembleias de freguesia. Nada. Zero absoluto.
E, tecnicamente (e deontologicamente), só pela comparação entre percentagens é que se poderia chegar a uma comparação entre o PSD de Caldas da Rainha e o PSD nacional. Na sua ausência, e mesmo só considerando o aspecto factual, a manchete da "Gazeta" não é notícia. É só opinião. Mas sem sustento no veículo que usa.



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Notas de prova


Marginal - Tinto 2014 Reserva - Vinho Regional Lisboa
Touriga Nacional, Syrah e Tinta Roriz
Parras Wines (Maiorga, Alcobaça)
13,5% vol.
Bom!

Notas de prova


Mundus - Tinto 2013 - Vinho Regional Lisboa
Castelão, Aragonez e Syrah
Adega Cooperativa da Vermelha
13% vol.
Interessante.

Porque é que Costa e o seu PS ainda continuam a precisar de eleições antecipadas


Defendi aqui que o actual chefe do Governo e secretário-geral do PS precisa, tal como o seu partido, de eleições legislativas antecipadas. A vitória eleitoral nas eleições autárquicas (39 por cento, cerca de 6 pontos mais do que a vitória “poucochinha” do anterior secretário-geral do PS, António José Seguro) não afastou essa necessidade.
E eis porquê.

1

Houve quem dissesse que estas eleições eram a “desforra” nas urnas da derrota do PS nas eleições legislativas de há dois anos. Não são.
O resultado destas eleições fez-se de resultados locais. E foi obtido com uma distribuição copiosa de aumentos salariais na função pública e nos reformados e pensionistas (até pouco menos de dois meses das eleições), em dinheiro bem sonante no final do mês mas também com promessas abundantes de ganhos futuros.
O consumo interno e o crédito aumentaram, em resultado do aumento do poder de compra. Mas esta política de distribuição de benefícios à função pública vai durar para sempre? 
O PS (o único partido da tríade governativa a colher os louros da compra de votos) tem de ir a eleições sem essa almofada. De outro modo, está a partir de uma vantagem ilegítima, garantida pelo domínio do Estado.


2


O BE não teve, nestas eleições (locais, repete-se), melhores resultados do que em 2015. Foi como se não tivesse investido na solução de governo actual. E, tendo investido, perdeu parte do seu capital. O que vai acontecer nas eleições legislativas de 2019? Até que ponto é que o BE vai querer continuar amarrado ao PS?
O PCP teve uma derrota eleitoral assinalável. Se, por via dos sindicatos e da agitação, conseguiu ganhos para o que pensava ser o seu eleitorado, os louros desses benefícios foram para o PS. Vale a pena ao PCP continuar a apoiar um governo que, em termos práticos, de pouco lhe serve, e até acaba por lhe ser prejudicial?
Ou seja: o BE e o PCP vão continuar comprometidos com o PS, que até pode vir a ganhar uma maioria absoluta, por mais dois anos?
A situação deixou de ser segura para o PS e para o seu secretário-geral e chefe do Governo.


3

O PS só tira pleno partido do Governo e do Estado quando tem maioria absoluta ou quando, como neste caso (e com um comprometimento do BE e do PCP com coisas noutras circunstâncias não “engoliriam”), pode usar a administração pública para se financiar, distribuir lugares aos seus e satisfazer os amigos.
Se esta solução falhar, o que fará?


4

Talvez por um certo complexo de inferioridade (com uma boa dúzia de razões, infelizmente naturais em pessoas fracas e inseguras de si), António Costa abomina Pedro Passos Coelho. E, apesar de tudo, não se pode dizer ainda (hoje) que estas eleições tenham afastado o presidente do PSD da vida política portuguesa.
A humilhação de Outubro de 2015 ainda pesa ao actual chefe do Governo. Se, por hipótese, Pedro Passos Coelho continuar à frente do PSD por mais dois anos, a recordação da humilhação persistirá. Além disso, quem sabe se o PSD não conseguirá recuperar em dois anos e, seja lá como for e com um dirigente pouco amigo da lógica do “bloco central”, ameaçar em definitivo o PS?
Eleições antecipadas resolveriam este problema.


5

O PS aparece demasiado dependente do Presidente da República que, às vezes, até parece ser o primeiro-ministro do primeiro-ministro. Também é certo que, por outro lado, é muitas o PR que parece demasiado dependente deste Governo e do PS, como se alguma coisa houvesse que o fizesse refém do PS.
A legitimidade democrática que fosse eventualmente ganha nas urnas nacionais esolveria o problema e evitaria, caso o PS ganhasse (como o indicam as sondagens, de uma ou duas empresas, que têm sido publicadas), que um dia o PR, por hipótese, lhe atirasse à cara que ele, o PR, ganhou as eleições nas urnas e que o PS só ganhou o Governo nas secretarias parlamentares.


6

Finalmente, e supondo que o PSD até poderia ganhar entretanto um novo líder mais aberto (mesmo que subalternizado) a um entendimento com o PS, eleições antecipadas permitiriam ao PS libertar-se do BE e do PCP (que em certas matérias terão sempre posições antagónicas relativamente ao PS “normal”). E permitiriam também garantir um apoio complacente e a formação de um governo PS e PSD. Ou seja, do “bloco central”.
O PS que não é da extrema-esquerda, António Costa em alguns dias da semana e o actual Presidente da República adorariam que isso acontecesse. Dava-lhes jeito e aos seus amigos.
E não é, portanto, por aqui que passa o ódio, recalcado e frustrado, de António Costa a Pedro Passos Coelho?



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A dinâmica das ilusões (19): os resultados em Caldas da Rainha







Eis os resultados das eleições autárquicas em Caldas da Rainha:




Portanto:

1. O PSD aumentou confortavelmente a sua votação relativamente a 2013, tendo mais votos para a Câmara Municipal do que para a Assembleia Municipal.

2. O PS conseguiu mesmo ficar em segundo lugar. Terá beneficiado, como aconteceu em termos nacionais, da compra de votos por parte do Governo, que tem sido paga na função pública em aumentos salariais.

3. O CDS perdeu votos e, com eles, o único lugar de vereador de que dispunha. A campanha digna que fez merecia ter tido mais votos.

4. O PCP também aqui perdeu votos.

5. O BE aumentou a sua votação, ultrapassando o PCP e recuperando um lugar na Assembleia Municipal.

6. Os votos no MVC em 2013 (e depois perdidos) devem ter sido transferidos para o PS e para o BE.


*

Até sexta-feira passada, dia 29 de setembro, último dia da campanha eleitoral, não me chegaram (na simples qualidade de eleitor) informações sobre a composição das listas, sobre os seus programas e/ou um link para onde essas informações pudessem estar on line.

domingo, 1 de outubro de 2017

Abstenção


Pela primeira vez não estive a seguir a "noite eleitoral" das televisões. A partir das sondagens, às oito horas, não estive para ouvir o desfile dos comentadores nem para ver a corja do PS a vangloriar-se. 
Optei por ver "Wonder Woman", bem mais divertido e emocionante e com uma Gal Gadot que vence, em tudo!, as criaturas dos vários shows televisivos. 

sábado, 30 de setembro de 2017

E o voto electrónico, não pode ser?

O Estado, das Finanças aos mecanismos burocráticos menos complexos, já funciona "on line".
A comunicação com o Fisco é considerada segura, e tão segura que é imposto um mecanismo expedido de comunicação electrónica. O mesmo se passa com a Segurança Social.
A comunicação entre os bancos e os seus clientes é também considerada segura, numa escala que envolve desde dezenas de euros a muitos milhões. 
Por que carga de água é que não pode haver um voto electrónico validado por palavra-passe?
Decerto que a abstenção seria muito menor.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O meu voto no dia 1 é nacional


Pedro Passos Coelho: espero que ganhe em 2019

1. Não gosto da actual gestão do PSD de Caldas da Rainha na Câmara Municipal deste concelho e na freguesia em que sou eleitor.
Acho-a incompetente, opaca, mais preocupada com as aparências do que com a realidade, provinciana e (como a elite política local) virada para o seu próprio umbigo. Defendi, por isso, uma aliança de boas vontades dos sectores mais significativos da oposição que desse origem a uma candidatura capaz de vencer, ou de diminuir, o peso do PSD caldense na câmara.
Não foi isso que aconteceu.

2. As listas do PSD caldense (que eu nem sequer conheço na totalidade), e aquilo que propõem, e o rumo individualista das restantes candidaturas não justificam o meu voto neste domingo.
Decidi, por isso, não votar para a Câmara Municipal, nem para a Assembleia Municipal, muito menos para a Junta de Freguesia.

3. Entendo, aliás, que todos temos o direito de não votar, enquanto as leis (a começar pela Constituição) não tornarem o voto obrigatório.

4. Acontece que discordo (e ela repugna-me) da solução de Governo saída do golpe de Estado parlamentar e que rejeito o pior de todos os primeiros-ministros que eu conheci no meu país (mesmo considerando Marcelo Caetano e José Sócrates), estando preocupado com a alegre caminhada para o abismo que a tríade PS-BE-PCP nos quis impor e as suas desvairadas mas perigosíssimas tentações totalitárias.

5. Por isso decidi ir votar no dia 1.
E fá-lo-ei (como recomendou Álvaro Cunhal perante a candidatura de Mário Soares à Presidência da República, quando não havia alternativa para o PCP), tapando, em termos simbólicos, a cara do presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha e votando no PSD de Pedro Passos Coelho.

6. O País precisa de erguer uma oposição à tríade PS-BE-PCP. O PSD (com Pedro Passos Coelho na sua liderança) é o único partido capaz de o fazer e de dinamizar uma alternativa, o mais tardar em 2019.

7. Votando no PSD nacional, votarei (e muito me custa!) para a Câmara Municipal, que permite uma mais clara contagem de votos a nível nacional. Não porei os meus votos nas eleições da Assembleia Municipal e da Junta de Freguesia.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (18): um futuro presidente, se ele assim quiser















Gostei da campanha de Rui Gonçalves, o arquitecto que encabeça a candidatura do CDS à Câmara Municipal de Caldas da Rainha, e até sou levado a pensar que pode ser um bom presidente de câmara.
Rui Gonçalves soube aproveitar o seu espaço de opinião na "Gazeta das Caldas" e fez bem em reunir os seus textos em livro. Nunca deixou de aparecer em público. Teve uma forte intervenção inicial (os vídeos a que aqui me referi) na campanha eleitoral e percebeu-se que quis ir a todo o lado. Parece, no entanto, ter-lhe faltado tempo.
O programa, sólido e bem estruturado, que apresentou ficou disperso pelo Facebook e é de consulta menos fácil. E a insistência nos espectáculos foi um contraponto inteligente a uma das tácticas empregues pela actual presidência da Câmara: dar música de borla ao povo e às elites.


Uma candidatura digna, realmente para o futuro 

O problema, no entanto, é o óbvio: por referência às eleições de 2013, há mais de 7000 votos a separar a candidatura do PSD da candidatura do CDS. Mesmo que possa recolher os votos do extinto MVC e outros, pode disputar o segundo lugar com o PS mas não vejo que consiga chegar ao primeiro lugar.
Depois de domingo, Rui Gonçalves terá de decidir se fica em campo, continuando a sua intervenção, preparando-se para as próximas eleições e para um dia (2021? 2025?) ganhar a Câmara Municipal de Caldas da Rainha ou desaparecer, como tem sido a regra entre os que não conseguem ver.
Gostaria que não fosse esse o caso porque é necessário uma alternativa forte à actual liderança do PSD caldense. E Rui Gonçalves pode encabeçar essa alternativa.

EDP - A Crónica das Trevas (76): mais um...


... apagão às 18h15. Puta que os pariu!