segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (5): longe é que é bom





Um foi presidente da junta de freguesia durante anos demais, o outro foi presidente de junta de freguesia da cidade com a freguesia rural (ou que dela resta) durante tempo suficiente para dele se perceber que ignorava o interior da freguesia.
O que agora os vai substituir só queria "embelezar" os campos. 

Riem-se de quê? De terem a vitória garantida?
Pelo menos compreendam que ganham por falta de comparência dos adversários.

Até agora não se lhes notou a presença nesta parte da freguesia. Nem deles nem de outros. É o costume. Também... esforçarem-se para quê? Estes, lamentavelmente, já ganharam. Os outros estão-se nas tintas. 



domingo, 10 de setembro de 2017

Notas de prova




Plainas — Tinto 2016 Grande Escolha — Vinho Verde DOC
Vinhão
Casa de Santa Eulália, Mondim de Basto
13% vol.
Bom!

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (4): serviços mínimos, comunicação da treta




Faltam pouco mais de três semanas e não vi, além das várias entrevistas dos candidatos aos dois jornais locais e uma intervenção pública tonta de um candidato de freguesia, um único programa, esboço programático ou linhas programáticas ou o que quer que seja, das candidaturas autárquicas em Caldas da Rainha.
É possível que haja qualquer coisa "on line" (e que eu até poderia encontrar se fosse à procura) mas ponho-me na pele dos eleitores que deviam, de uma forma ou de outra, ser contactados. E nada. Não há nada.
Num concelho onde o partido político hegemónico, que controla a Câmara Municipal e outras estruturas, quase nem precisa de se mexer para ganhar outra vez (e sem mérito nenhum), o trabalho político não se faz em três semanas, nem em quatro nem em dois meses.
Pensar que basta andar a pôr "outdoors" por aí, ou tentar dizer aquilo que durante quatro anos nunca se preocuparam em dizer, é fazer dos eleitores parvos. E revelador do que pensam sobre os eleitores, cuja abstenção talvez até, secretamente, desejam.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (3): quando o voto não serve








Quando hoje abri a caixa do correio vi um folheto com o emblema do PS e ainda pensei, com grande dose de ingenuidade, que poderiam ser as propostas eleitorais do PS de Caldas da Rainha para a minha freguesia e/ou para a Câmara Municipal. 
Mas não, era só um folheto... a apelar ao voto, em termos muito genérico.
É extraordinário: quanto mais pessoas votarem em Caldas da Rainha, mais reforçada estará a posição do PSD local e do seu candidato, que é presidente da Câmara Municipal desde 2013 e que a oposição não quis esforçar-se por derrubar.


Abandono com vasos secos e cagalhões viçosos


Na povoação de Cabeço da Vela, onde moro, na freguesia rural da Serra do Bouro do concelho de Caldas da Rainha, foram feitas obras em redor de uma antiga fonte em 2009. O espaço (denominado Fonte do Cabeço da Vela) até conseguiu ficar aprazível.
Oito anos depois está tudo votado a um miserável abandono. 
A placa que assinala a inauguração precisa de ser limpa, os bancos de madeira substituídos, a fonte reaberta (ainda haverá água?), os nojentos vasos de plástico substituídos, as flores renovadas.
O presidente da Junta de Freguesia da Serra do Bouro que parece ter tido a ideia até está na lista que, infelizmente, pode ganhar as eleições para os órgãos desta freguesia. Mas já nem se lembra, ou então está-se nas tintas.
A propósito: na pouca relva existente no local havia hoje de manhã um cagalhão. Podia ser de cão ou de pessoa. O nível é este.



EDP - A Crónica das Trevas (73)


Apagão às 22h15. 
Puta que os pariu!

Não, não é um bom conselho




A democracia, para mim, inclui o direito de não votar. Aceito, obviamente, os princípios dos votos nulo e branco mas o certo é que estas opções traduzem sempre uma participação no processo eleitoral.
Na ausência de uma candidatura que lhe diga alguma coisa ou numa situação de bloqueio político-eleitoral, o cidadão tem o direito de não ir votar.
Por exemplo: no concelho onde moro, a candidatura do actual presidente da Câmara Municipal vai claramente ganhar e nenhum dos candidatos da oposição conseguirá ter uma votação que se aproxime sequer da votação do presidente.
Não desejando a continuidade da desastrosa gestão deste presidente, mas sabendo que nenhum dos outros candidatos o conseguirá derrotar (e que nenhum candidato quis a unidade contra o presidente), vou votar para quê?! Neste caso, não votar é que será um bom conselho.





domingo, 3 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (2): como o PSD já ganhou, e sem mérito





PSD
PS
MVC
CDS
PCP
BE
AM
8603
4766
2078
1986
1146
786
CM
9203
4866
1856
1967
1089
601

O quadro que aqui publico refere-se aos resultados das eleições de Setembro de 2013 para a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal de Caldas da Rainha (sendo a fonte a Comissão Nacional de Eleições). Utilizei-o em Maio de 2015, aqui e num desafio aos partidos, que o "Jornal das Caldas" publicou.
Defendi, nessa altura, o que defini como uma aliança de boas vontades, assente no pressuposto muito simples de que o PS, o então MVC (Movimento Viver o Concelho, de independentes, entretanto desaparecido) e o CDS tinham votos suficientes para, em conjunto, vencerem o PSD.
Bastaria uma personalidade consensual, um programa credível e uma plataforma programática que também fosse consensual.
Mais de dois anos depois, o que existe nas eleições caldenses é a habitual dispersão de candidaturas, com cinco candidatos diferentes à presidência da Câmara Municipal.
Também já o escrevi: é um jogo de ilusões. 
Não tanto para uso interno porque não acredito que alguma das cabeças que, nos principais lugares, povoam as listas do PS, do CDS e do PCP, acredite que conseguirão vencer estas eleições.
Basta olhar para o quadro: o PS precisaria de duplicar a sua votação (com um candidato que já nem é o de 2013, que ainda foi tendo alguma visibilidade) e o CDS precisaria de ter quase cinco vezes mais votos (com um candidato que, tendo visibilidade e demonstrando alguma competência, também só apareceu mais tarde). Nem os votos "órfãos" do ex-MVC chegariam para esse efeito.
Portanto, em termos práticos, estas eleições terão um único resultado: a vitória do PSD caldense e a reeleição do seu candidato. Graças ao PS e ao CDS, em primeiro lugar.
O que gera uma questão pertinente: quem não quer que o PSD caldense continue no poder e sabe que nenhum dos outros vencerá, vai votar para quê? 

sábado, 2 de setembro de 2017

"A Invenção da Ciência", de David Wootton




823 páginas, em edição meticulosa da Temas e Debates/Círculo de Leitores, numa análise histórica do nascimento da ciência: "A Invenção da Ciência - Nova História da Revolução Científica", de David Wootton.
Ao receber esta livro das mãos de Guilhermina Gomes, directora editorial da Temas e Debates/Círculo de Leitores, não pude deixar de me surpreender. Não tanto com a dimensão da obra (de que me recordava) mas com o facto de continuar a ter trabalho como tradutor, o que significa que tenho trabalhado bem e num domínio mais complexo, como é a não ficção.
E, para não perder o hábito, já tenho comigo o monumental segundo volume da admirável "História dos Judeus", de Simon Schama. Traduzi, e com muito gosto, o primeiro e segue-se este, muito breve, com as suas também 800 páginas.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Eleições em Caldas da Rainha: de costas voltadas para as freguesias do interior




A "Gazeta das Caldas" fez 12 perguntas em série aos candidatos à presidência da Câmara Municipal de Caldas da Rainha. Nenhuma delas se refere às freguesias do interior e aos seus muitos problemas específicos.
Que os políticos locais só têm olhos para o seu próprio umbigo e para aquilo que, dentro das muralhas da capital concelho, os rodeia já se sabia.
Que um jornal tão vivaço o faça, e desta maneira, é que ainda consegue surpreender.