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| "Quem, eu?!" |
Este ministro até pode estar completamente inocente de tudo o que lhe é atribuído (embora não pareça ser o caso). Mas ficar assim agarrado ao poder, com o beneplácito do primeiro-ministro (que também arrasta consigo suspeitas diversas sobre uma empresa que já foi sua) e do Presidente da República, soma às suspeitas de irregularidades a suspeita de estarmos perante um homem cúpido e apenas interessado na sua carreira. Que, obviamente, não é apenas política.
Seria natural, face às regras comuns de experiência, que, não saindo Luís Neves por sua própria iniciativa, o primeiro-ministro o obrigasse a deixar o Governo ou o demitisse. E o mesmo devia fazer o Presidente da República, em nome da imagem das instituições e do seu "funcionamento regular". Lembrar-se-á o novo ocupante do Palácio de Belém do que o seu antecessor Jorge Sampaio fez ao seu camarada Armando Vara por conta da sua Fundação para a Prevenção e Segurança?
Mas até parece, perante o modo como o primeiro-ministro e o Presidente da República dão cobertura a esta estranha postura de Neves, que este ministro dispõe de algum poder maior do que o cargo. Proveniente de alguma associação secreta? Ou proveniente dos seus tempos na Polícia Judiciária, onde pode ter reunido muitas informações inegavelmente úteis?
(Imagens de fontes abertas de acesso público.)


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