O presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, Vítor Marques, anda há anos, mesmo com manifestações de rua pedantes, a exigir que um novo hospital público para o Oeste fique em exclusivo em Caldas da Rainha.
Agora contratou um parecer baratinho, pondo ele próprio Torres Vedras e Peniche como alternativas a Caldas da Rainha. Não é sério da parte dele. E se o parecer, a ser feito com seriedade, rejeitar a hipótese de Caldas da Rainha, o presidente da câmara deve demitir-se. Porque será uma derrota política pesada para um homem empresarialmente ambicioso e politicamente apenas habilidoso se este parecer não "oferecer" o hospital a Caldas da Rainha.

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Depois do exclusivismo bairrista, um estudo inquinado

A notícia do "Jornal das Caldas", que pode ser lida aqui. Ninguém lhe fez a pergunta fundamental: porquê?
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| A notícia do "Jornal das Caldas", que pode ser lida aqui. Ninguém lhe fez a pergunta fundamental: porquê? |
Se, como escrevi, há pelo menos cinco concelhos que precisam de um hospital público a uma distância razoável para os respectivos residentes, é de esperar que os presidentes das câmaras municipais, para já não falar dos restantes órgãos municipais, se entendam para chegarem a uma posição comum.
É fácil cair no bairrismo de reivindicar o exclusivo de um hospital público, de um aeroporto, de uma faculdade de Medicina ou de uma universidade. E sabemos todos como há muitos presidentes de câmara incapazes de verem o mundo para lá… nem digo das fronteiras do seu concelho, mas dos próprios limites da capital do concelho. E como o dinheiro vem de Lisboa, ou de Bruxelas, pode-se reivindicar tudo e mais alguma coisa. Com as ligações certas e alguma sorte, até se pode conseguir o prémio.
Há quem diga que Vítor Marques foi um empresário razoavelmente bem-sucedido, apesar de parecer ter querido ficar na sua zona de conforto (bebidas e gás), e eu, vendo como se relaciona com empresas na sua carreira de presidente municipal, até acredito.
Nessa perspectiva até poderei pensar que, como empresário, Marques percebe que o investimento público num hospital público deve beneficiar o maior número de pessoas e não o menor.
Só que depois, na sua qualidade de presidente de Câmara Municipal, e como não lhe custa a ganhar o dinheiro, que é de todos, a sua perspectiva já se altera e a história do hospital mais do que o demonstra.
Um presidente inteligente tomaria a iniciativa de dialogar, desde o primeiro momento, com os seus colegas dos restantes concelhos, pelo menos para conseguir chegar a um entendimento sobre o local que, sem bairrismos, pudesse ser o mais conveniente para um hospital capaz de servir as populações de Caldas da Rainha, Óbidos, Bombarral, Lourinhã e Cadaval. Se isto fosse uma competição, poder-se-ia dizer que um “ganharia” e que quatro “perderiam”. Mas o interesse público não é uma competição.
Ao reivindicar, e com iniciativas birrentas e politicamente desastradas, o exclusivo do hospital para o concelho de Caldas da Rainha, Vítor Marques pode ter ganho os favores do eleitorado mais distraído. Mas perdeu junto dos restantes presidentes. Quando o governo do PS atribuiu o hospital ao Bombarral, por razões partidárias, a birra de Marques tornou-se furiosa. Era o fim do mundo, parecia.
Depois o governo do PSD suspendeu a decisão. E tem-na mantido suspensa. É um erro. A situação de suspensão favorece o PSD, outros partidos e sectores do eleitorado. Mas prejudica, em grande, as populações do Oeste. Deixando uma imagem desgraçada: este governo tem medo de decidir.
Por qualquer motivo que não quis explicar, Marques arrepiou caminho, contrariou tudo o que andou a berrar e anunciou, de repente, que pediu um parecer a uma empresa para esta propor o que poderia ser o melhor concelho para o hospital com três hipóteses: Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras. Ou seja, num dos três concelhos onde já existem instalações hospitalares, sendo que, desses três, Caldas da Rainha parece ser o único que realmente precisa de uma nova infra-estrutura hospitalar, no próprio concelho ou num concelho vizinho e com urgência. Ou seja: o parecer está, à partida, inquinado.
Como veremos a seguir.
A seguir: 46 740 euros. Para albardar o burro à vontade do dono?
(Imagens de fontes abertas de acesso público.)

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