Todas as circunstâncias são boas para beber os excelentes vinhos da Quinta da Fata (do produtor Eurico do Amaral, de Vilar Seco, Nelas), de onde continuam sempre a sair produtos de primeira qualidade, e este Natal, com a presença da família, mergulhei mais fundo na garrafeira e resolvi ir a algumas "antiguidades". Poderia estar a pensar que alguma garrafa falharia? Não. Queria era verificar a evolução assegurada pela passagem dos anos. O privilégio que pude ter, de beber um tinto da Quinta da Fata com 59 anos numa visita que fiz em 2017, dá-me a certeza de que estes notáveis vinhos do Dão duram muito em garrafa.
E o resultado foi este, por ordem cronológica: o tinto Conde de Vilar Seco Garrafeira de 2010, só da casta Touriga Nacional, estava como se tivesse sido feito há poucos anos, na sua perfeição bem conjugada de sabor, aroma e cor; o branco Encruzado de 2015 mostrou-se suave e forte; o Encruzado de 2017 apresentou-se ainda juvenil e cheio de promessa; o Encruzado de 2019, com a categoria de Grande Reserva, estava perfeito; e o Encruzado de 2023 (que pensei que poderia ter dificuldade em suplantar o de 2022, que é um grande vinho para todas as ocasiões) foi uma supresa... a mostrar que, na Quinta da Fata, conseguem sempre fazer melhor.
Há muitos produtores respeitabilíssimos no Dão, com muitos bons vinhos (e já não os conheço a todos) mas continuo a ser fã incondicional destes vinhos de Eurico do Amaral.
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E se o branco de 2023, no seu formato normal, já é o que é, como será no formato de 1,5 litro, em garrafa "magnum"? Durará mais anos, ainda, e aumentará em todas as suas qualidades, graças à quantidade de líquido que fica a estagiar? O Conde de Vilar Seco, de 2010, apareceu em garrafas "magnum" e o conteúdo conseguiu ser, sempre, ainda muito melhor.
Por isso, quanto a este branco de 2023, é muito provável que evolua muito positvivamente. Mas a probabilidade já não será atestada por mim, porque a versão "magnum" já se esgotou e as garrafas que comprei, pelo ineditismo do formato em vinho branco, foram para oferecer a pessoas que muito prezo.
Fica só o registo, neste meu "diário de bordo", ao qual espero que um dia se juntem outros "magnum" com os grandes vinhos da Quinta da Fata.


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