sábado, 17 de janeiro de 2026

Tipo "Ou há moral, ou comem todos"


O "Jornal de Notícias", um dos jornais mais parolos do estreito leque da imprensa escrita nacional, queixa-se hoje, com mal disfarçada indignação, da desfaçatez com que as redes sociais ignoram o "dia da reflexão". Que o "Jornal de Notícias", como todos os restantes órgãos de comunicação social, veneram, com um respeito beato.





O "dia da reflexão", que só dá jeito aos aparelhos político-partidários para descansarem dos afãs das campanhas eleitorais, é uma das instuições de controlo da opinião mais ignóbeis que existem. 

Se se justificava, em 1975, com o argumento de que o povo andava enganado e não sabia pensar, deixou, em absoluto de se justificar na era da internet. Tudo está disponível, em todo o lado, salvo na triste imprensa nacional que esconde tudo o que publicou durante semanas a fio para não ferir as susceptibilidades da classe política, que raramente ousa desafiar.

O "Jornal de Notícias" (que deve ignorar que a Meta, a Google e as restantes redes sociais não têm sede na Avenida dos Aliados nem na Circunvalação) deve querer que, no mundo, a política portuguesa seja suspensa desde as 24 horas de sexta-feira até às 20 horas de domingo dos fins de época eleitorais. 

É, na sua impotência, a aplicação do velho lema conformista de que "ou há moral, ou comem todos". Ou seja: se ele, coitado, é obrigado a cumprir o "silêncio" e o "dia da reflexão política", por que carga de água é que há outros que se estão nas tintas e ficam impunes?!

Pensam, estes e outros, que este pequeno país, na sua menoridade santarrona, é relevante. Não é.




(Imagem de fonte aberta de acesso público.)


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