terça-feira, 5 de junho de 2018

A nova "guerra" dos professores: traídos, desconsiderados e humilhados



Manchetes do "Correio da Manhã" e do "Público" de hoje

Das muitas coisas que ilustram o desconchavo da lamentável solução (?) governativa PS-BE-PCP, a questão da subida de escalão dos professores dos ensinos básico e secundário é uma das mais exemplares.
Os sindicatos dos professores, recorde-se, andaram com o impreparado ministro da Educação ao colo, devidamente comandados pelas obediências partidárias de grande parte dos seus dirigentes. Como os professores que o são há dezenas de anos já pouco ligam aos sindicatos, estes passaram a prestar todas as atenções aos "contratados", que poderiam retribuir o interesse sindical com novas sindicalizações. 
Entretanto, todos os outros sectores da Função Pública foram sendo beneficiados, em termos muito específicos, com as várias benesses obtidas nos arranjos políticos da tríade governamental.
Os professores dos escalões superiores, que viram "congeladas" as suas carreiras ainda antes da Troika e pela mão do PS de José Sócrates e de Teixeira dos Santos, foram ficando para trás.
O que, olhando para os números, tem uma explicação simples: são mais 600 milhões de euros todos os anos, porque são quadros da administração pública já razoavelmente bem pagos. Ou eram, melhor dito, até 2010.
E o momento havia de chegar: aquele em que o Governo, como agora acontece, diz que não tem dinheiro (mas soube abrir mão de 350 milhões de euros anuais do IVA da restauração e distribuir muitas outras benesses ao seu eleitorado certo e seguro), assumindo uma atitude de desconsideração e de humilhação dos professores como raras vezes se tem visto.
E que é esta: como as organizações sindicais não aceitam levar apenas uma parte da contagem do tempo de serviço "perdido", como pretendia o Governo, e querem todo aquele que remonta a 2010, o Governo diz que então já não levam nada.
Esta situação de chantagem absoluta tem, aliás, outra vertente: quem já está a receber na perspectiva da contagem restrita do tempo de serviço, vai ter de devolver o que recebeu?!
Os sindicatos, o Governo e os seus partidos mostram, nesta "guerra", a sua verdadeira face: só os "seus" é que contam. 
Os professores, os agora já prejudicados e os que virão a sê-lo, já o deviam ter percebido há mais tempo. Mas ainda podem fazer alguma coisa. Se ainda "os" tiveram no sítio, claro. E se perceberem que os sindicatos, objectivamente, os traíram.




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