"Fake news"? Manipulação da informação? Desinformação? Censura? Não. O que existe é ocultação da realidade.
Ou seja: esconde-se o que acontece; não se noticia; ignora-se. Encobre-se. E porquê? Bem, perguntem-lhes, a eles (e a elas).
E nada comprova isto melhor do que a guerra na Ucrânia.
Vejamos.
1. Os "avanços" ucranianos: a Operação Vivaldi, por exemplo.
Quase dois meses depois, fora da "bolha" da narrativa da recuperação de terreno, o 3.º Corpo do Exército Azov desapareceu da região. Da Operação Vivaldi nunca mais se ouviu falar. Nem de Biletsky no Donbass.
É de crer que, dada a situação crítica da Ucrânia, Biletsky e os seus "Azovs" estejam já em Kiev, ou a caminho de Kiev, preparando-se para futuras intervenções que lhes assegurem o controlo do poder político. E tentando não ficar encurralados na margem esquerda do rio Dniepre, que pode ficar isolada da outra metade da Ucrânia pelos ataques russos às pontes.
Por outro lado, o que muitas vezes tem acontecido é que os ucranianos fazem um ataque, ou contra-ataque, sem conseguirem depois manter forças no terreno. Os russos recuam, mais preocupados em poupar as vidas dos seus militares, e depois avançam. E os ucranianos não conseguem manter a posição que tinha conquistado. A imprensa oficial conta que houve o contra-ataque, mas já não diz mais nada. As informações que vão aparecendo sugerem que, mais uma vez, terá sido o que aconteceu em Lyman.
A imprensa oficial glorificou o avanço, mas depois encobriu o recuo.
2. As prisões secretas.
Não se encontra, na imprensa oficial, uma única notícia sobre a prisão secreta descoberta nos arredores de Kiev que também funcionava como centro de tortura dos "Azovs" de homens que não queriam ir combater.
Kirilo Budanov, chefe de gabinete de Zelensky, foi obrigado a ir ao local e, em russo (em russo, língua proibida pelo seu próprio governo), até admitiu que havia muitos mais centros de detenção pelo país.
Significativamente, os manifestantes que cercaram a prisão começaram a ser perseguidos e acusados pelas autoridades ucranianais. Os militares que guardavam a prisão e que torturavam os seus prisioneiros ficam impunes.
Esta notícia, uma das primeiras, é do jornal on lien ucraniano Strana.Today, de 3 de Novembro. A imprensa oficial, no ocidente, ainda não publicou uma linha sobre este escândalo. Nem sobre a caça aos homens, conhecida por "busification".
3. As perdas no campo de batalha.
Há outra narrativa constante, de sentido único, na imprensa oficial: a Rússia tem milhões de perdas e a Ucrânia pouquíssimas. Cada evidência de que não é essa a situação é devidamente ocultada.
Foi, há dois meses, o que aconteceu com a declaração do primeiro-ministro polaco de que a Ucrânia perde, em média, 27 mil homens por mês. O que, aliás, explica a caça aos homens nas ruas para preencher as fileiras do que resta das Forças Armadas da Ucrânia.
Esta informação contraria a narrativa da imprensa oficial. E agora há mais, no mesmo sentido.
Alexander Grable, actualmente docente e investigador da universidade inglesa King's College, demonstrou que a narrativa dominante pode estar muito errada e que o número das baixas ucranianas será, até, superior ao das baixas russas. E fê-lo no capítulo "Irretrievable Losses: Estimating Casualties on the Russo-Ukraine War" da obra colectiva "Russia's War Against Ukraine: Russia's Future Military Development" (Universidade da Defesa Nacional, Finlândia, 2026), podendo o respectivo PDF ser obtido neste site.
E a conclusão que Grable extrai, a partir de uma reflexão bem estruturada, é esta:
"As provas apresentadas demonstram que o número de mortos e desaparecidos em combate russos é muito provavelmente inferior ao que era antes estimado pela maioria das fontes, e que as perdas ucranianas são muito provavelmente superiores às que eram antes estimadas pela maioria das fontes. Além disso, as provas apresentadas neste artigo sugerem fortemente que as perdas ucranianas em mortos e desaparecidos em combate são superiores às perdas russas, tanto em termos relativos como absolutos. A Ucrânia, com uma população muito mais pequena, está, muito provavelmente, no lado errado do gradiente de desgaste e está a perder a guerra. Isto põe em risco a sustentabilidade da sua eficácia em combate na actual frente alargada. Nesta trajectória, é pouco provável que a Ucrânia triunfe e que a Rússia fique em vantagem. Como argumentou Vershinin, a Ucrânia está a ficar sem espaço para negociações à medida que perde efectivos. Dado o apoio crucial prestado pela NATO, isto também significa que os militares da NATO poderão necessitar de reavaliar a sua estratégia de condução da guerra."
Mais uma vez: este estudo foi completamente ignorado, e ficou ocultado, na imprensa oficial. Que, por sinal, até se extasia perantes todos os estudos. Desde que goste deles, claro.
(Imagens de fontes abertas de acesso público.)




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