domingo, 17 de junho de 2018

Ler jornais já não é saber mais (38): RIP



Primeiro, foram-se os anéis (o edifício) e ficaram os dedos (a edição em papel).
Agora, vão-se os dedos e o "Diário de Notícias" é reconvertido em semanário (um diário semanário…) e reduzido apenas à edição "on line".
É um momento exemplar no agonizante processo de extinção do jornalismo português, para o qual não vale a pena arranjar alibis patetas nem desculpas patéticas. 
O "DN" quis ser sempre o jornal do "regime", com Salazar, com Marcelo Caetano, com a "Aliança Povo-MFA" e o PCP, com o PS, com o PSD, com J. Sócrates, com o PSD dos "barões", com o "bloco central". Descaracterizou-se várias vezes, perdeu o rumo outras tantas vezes, burocratizou-se, deixou que nele se instalasse um regime de clãs. E agora morre, na ironia de, sendo diário, passar a semanário.
Qual é o próximo a fechar?

*

Fui, enquanto jornalista, redactor de "o diário", de "O Jornal" e do "Diário de Notícias". Os três jornais estão mortos, mas eu estou vivo.





Notas de prova

Cabeço do Mocho — Tinto 2012 — D.O.C. Dão
Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz
Quinta das Camélias, Sabugosa (Tondela)
14% vol.
Muito bom.

Notas de prova


100 Hectares — Tinto 2015 — D.O.C. Douro
Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca
100 Hectares Sociedade Agrícola – Peso da Régua
14% vol.
Bom!
(Bebido no restaurante O Melro, Senhora da Luz, Óbidos)

"É salsa ou coentros?"

… Esta é uma pergunta infelizmente habitual nas caixas de supermercados onde me abasteço: com as frutas e vegetais a serem pesados na caixa, o saco com as ditas ervas (se por acaso não estão embaladas) suscita muitas vezes a pergunta.
É uma situação que pode ter milhentas explicações (e poucas serão abonatórias) mas que se torna extremamente irritante.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Não há limites para a asneira e para a incompetência...

… nos Serviços Municipalizados da Câmara Municipal de Caldas da Rainha.









aqui me referi às tentativas deste serviço de transformarem a conta da água em "estimativas". 
Sucederam-se os protestos, garantiram que não haveria mais casos, que tomariam nota da leitura comunicada dos contadores e hoje volta a aparecer a "estimativa".
Como é que é possível que isto funcione assim?!


segunda-feira, 11 de junho de 2018

Obra recente




As minhas mais recentes traduções para a Temas e Debates/Círculo de Leitores já publicadas: "Lamentável Mundo Novo" ("Grave New World"), de Stephen D. King; "Tempo de Raiva" ("Age of Anger"), de Pankaj Mishra; "A História dos Judeus" ("The Story of the Jews", volume 2, "Pertença"), de Simon Schama; e mais dois volumes da coleção "Património Mundial da Humanidade".
A elas juntar-se-á em breve a tradução de "The Square and the Tower", de Niall Ferguson. E depois "Age of Discovery", de Ian Goldin e Chris Kutarna.
Boas obras, boa gente, cá e lá.

Ao que isto chegou



Desconhecimento da História e a ignorância absoluta que daí decorre. Proto-fascismo e/ou social-fascismo. Estupidez pura e simples. Demagogia populista. Não há muitas outras palavras que sirvam para classificar opiniões deste calibre.
Se esta gente pudesse mandar (e não estamos tão longe disso como se poderia supor), a História seria reescrita, todas as obras de maior ou menor qualidade que negassem este revisionismo idiota seriam provavelmente queimadas e quem ousasse ter opiniões discordantes (como esta, que aqui escrevo, e muitas outras) já não seria só preso mas - porque a esse ponto chegaríamos - executado ou preso em campos de concentração de novo tipo. 

domingo, 10 de junho de 2018

"A História dos Judeus", de Simon Schama: o segundo volume




Ei-lo: "A História dos Judeus - Pertença (1492 - 1900)", do historiador Simon Schama. 
Com o primeiro volume ("Encontrar as Palavras - 1000 a.C. - 1492 d.C."), "The Story of the Jews", no original, forma mais do que uma simples história dos judeus e do judaísmo.
É um tratado histórico monumental, uma viagem ao longo da História com tantos judeus por protagonistas, percorrendo praticamente o mundo inteiro. 
Literariamente, é um portento, uma sinfonia de palavras, escrito com emoção, humor e melancolia mas também com uma alegria muito grande de quem celebra a vida de um povo que, contra os preconceitos e os caloteiros (incluindo os da Corte portuguesa), sobreviveram e ainda sobrevivem, e vivem. É um livro de História mas lê-se como um romance, uma peça de teatro e uma ópera.
Haverá, pelo menos, um terceiro volume, ou mais, arriscaria, já que o período entre 1900 e os nossos dias é rico em acontecimentos fundamentais para a história do povo judeu.
Traduzi os dois volumes (em edição Temas e Debates/Círculo de Leitores) e foi um dos trabalhos mais interessantes e fascinantes que fiz como tradutor. 

As belezas do Varela



Há, parece-me, uma divisão da Câmara Municipal de Caldas da Rainha que recolhe objectos de maiores dimensões que vão para o lixo; quem largou (há várias semanas) este colchão aqui, junto do caixote de lixo, devia ter contactado esse serviço. 
O pessoal  da recolha do lixo, que o ignora, devia ter transmitido a informação na própria câmara para que o recolhessem.
Estes pormenores não desculpam uma atitude de grosseira negligência: a Junta de Freguesia (infelizmente longe demais, e interessada mais nos assuntos da capital do concelho) ignora o que se passa no interior e o seu presidente (que até anunciou querer "embelezar" a Serra do Bouro) está-se completamente nas tintas para a freguesia onde teve votos para chegar ao que deve ser a grande ambição da sua vida.
Ou então, quem sabe?, talvez encare o colchão como uma peça de equipamento social para descanso dos viajantes por esta região, que se cansam mais a abrir caminho pelo mato dos caminhos ainda existentes do que, verdadeiramente, a passear pela natureza.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

A armadilha da Avenida Infante D. Henrique (Caldas da Rainha)


É muito bonita a decisão da prestimosa PSP de divulgar a localização de alguns dos seus radares. Atenua-se aquela imagem tão tradicional da "caça à multa" por armadilha. 
O problema é quando, na prática, a armadilha persiste e está convenientemente dissimulada. Porque dá jeito, porque não importa, porque o que vale é a incúria, porque as autoridades (policiais e civis) só olham para o cidadão na perspetiva da "matança do porco": ele há de render.
Em Caldas da Rainha há uma situação dessas: uma armadilha na Avenida Infante Dom Henrique. E, como todas as armadilhas, nada sobre ela se explica porque de outro modo não cumpre o propósito de ser uma armadilha.
Acompanhe-me, leitor, numa viagem que até é curta.




Esta é a Avenida Infante Dom Henrique (que "nasce" cerca de um quilómetro antes, na "Rotunda da Expoeste"), na zona de saída da cidade de Caldas da Rainha para Oeste (ou seja, em direção à costa atlântica e à Foz do Arelho). 
Para trás ficaram zonas urbanizadas e o grande edifício do AKI. Ao fundo vê-se uma rotunda. Logo a seguir, há um posto de combustível da Repsol.
Não há aqui prédios mas apenas pequenas casas rurais, ou quintas, e terrenos cultivados.
Não se pode dizer, em bom rigor, que seja uma zona urbana.
Não há um único sinal a indicar a velocidade máxima.
Nem, aliás, que a seguir se vai encontrar a Zona Industrial e, depois dela, uma via rápida (ou com traçado disso, a Variante Atlântica) e o caminho para a costa.





Mais à frente: à direita está o posto da Repsol, na mesa direção nascente-poente.
A paisagem continua a ser rural e a estrada (que é ainda a Avenida Infante Dom Henrique, embora sem nenhuma placa toponímica) está em boas condições, dispõe de grande visibilidade e... de nenhum sinal de velocidade.




Quem, estando parado no ponto que é também aquele de onde foi tirada a fotografia de cima, olhar para a sua esquerda (para Sul), vê mais uma paisagem rural e, ao fundo, prédios da cidade de Caldas da Rainha, que ficaram para trás.






Se, no mesmo ponto, olhar para o seu lado direito, vê… uma plantação de produtos agrícolas. 
A paisagem urbana desapareceu por completo. Onde é que estamos? Na cidade ou no campo?





Prosseguindo: depois do posto da Repsol há uma extensão de cerca de um quilómetro, por cima da autoestrada (A8), em direcção à Zona Industrial. 
Ou, aqui, até já estaremos na Zona Industrial, como parece?





Não há sinais que o indiquem nem, como sempre, qual a velocidade máxima a que se pode circular.
É, no entanto, um elemento de que as autoridades de trânsito devem ter conhecimento. 



A Avenida Infante Dom Henrique termina nesta rotunda? Talvez.
Em frente abre-se a via rápida (sempre sem qualquer tipo de sinalética), à direita há uma estrada para o interior rural, à esquerda fica uma das ruas da Zona Industrial.
Mas repare-se bem…



… no sinal e na sua localização equívoca.




E no próprio sinal…


Para que não subsistam dúvidas: esta fotografia foi tirada às 12h58 do dia 9 de Junho de 2018, sábado. 
No entanto, a placa toponímica está ausente daqui há, pelo menos, várias semanas.

Reparem bem: não há placa toponímica. 
Nada se consegue ler na placa onde devia ser indicado o nome da via. 
Ninguém aqui se orienta nos sentidos.
Ninguém aqui se orienta nas velocidades.


*


Inquiri, a este respeito, a PSP de Caldas da Rainha, perguntando muito em concreto quais os limites de velocidade aplicáveis a esta via que tanto é urbana como rural.
A resposta foi rápida mas não esclarecedora. Ou melhor: esclarecedora por omissão.
A primeira linha da carta é reveladora: "Como o exponente não faz referência à infracção, não nos é possível pronunciar" (sic).
Ou seja: o que é relevante é "a infracção", até porque é ela que dá dinheiro. O esclarecimento pouco importa. A mentalidade contabilística está bem à vista.
Aliás, o único esclarecimento digno desse nome da mesma fonte, ou que passa por tal, é este: "Respeitante aos limites máximos de velocidade aplicáveis, é aplicada sem prejuízo do disposto nos artigos 24.º e 25.º do C. E. [Código da Estrada, respectivamente os artigos que se referem a 'Princípios gerais' e "Velocidade moderada'], os limites gerais de velocidade que poderá consultar através do seu artigo 27.º do C.E." (sic). 
Ou seja, o esclarecimento em concreto é zero.
Porque é absurdo responder com generalidades a perguntas concretas. 
Tome-se um exemplo mais evidente da fragilidade, propositada ou involuntária, desta resposta: se um soldado treinado para a guerra perguntar se pode matar um inimigo no campo de batalha, vai a autoridade inquirida invocar o princípio do direito à vida e ficar-se por aí, sem atender à circunstância em concreto?
Porque a questão fundamental neste caso da Avenida Infante Dom Henrique é esta: de uma ponta à outra da Avenida Infante Dom Henrique, quais são os troços urbanos e os rurais? Pode-se circular, por exemplo, a 90 km/hora na Zona Industrial? Ou no troço entre o fim da zona urbana e a orla da Zona Industrial? E o inexistente sinal assinala o quê? O fim ou o princípio de um troço? Urbano ou extra-urbano?
A falta de esclarecimento pode ter uma multidão de explicações todas elas bondosas e humanamente compreensíveis (talvez dê muito trabalho estabelecer estes pormenores rodoviários, ninguém reparou que a placa toponímica não existe, talvez tenha sido arrancada esta madrugada…). 
Mas, na prática, a questão é simples: não se encontrando claramente definidas as situações, a autoridade policial está perfeitamente à vontade para multar (e lucrar) porque o que impera é a arbitrariedade
É por isso que, na prática, a Avenida Infante Dom Henrique é uma armadilha