quarta-feira, 15 de março de 2017

Abandono


Isto é uma rua, com placa toponímica e tudo, numa freguesia (ou ex-freguesia) rural do concelho de Caldas da Rainha.



Quanto tempo demora a pavimentar uma rua?

No centro da cidade de Caldas da Rainha, e já há uns cinco meses, uma pequena rua continua por pavimentar.
É a Rua da Rosa, que está no estado que as imagens (captadas hoje, 15 de Março) documentam.
A Camara Municipal de Caldas da Rainha é isto: incompetência e desprezo pelos seus munícipes.
Não deve ser caso único.


terça-feira, 14 de março de 2017

Doçura alentejana

Há alguns anos, numa quinta do Dão e em conversa com um dos grandes enólogos da região, e em jeito de apresentação do meu grande amigo B., disse-lhe que o meu amigo era alentejano e acrescentei qualquer coisa sobre o vinho do Alentejo.
O nosso interlocutor retorquiu de imediato que o vinho do Alentejo o enjoava e o meu amigo ripostou, defendendo a sua dama. Mais tarde, numa das inúmeras conversas em que falávamos de vinho, confessou que já começava a achar os vinhos alentejanos algo doces. Hoje, infelizmente, já não lhe posso dizer que, mais do que isso, eu desisti de beber tintos dessa região. E até acredito que B., prematuramente desaparecido, me daria razão.
Com uma excepção, que só por si impede a generalização, não mudei de opinião. E fujo dos vinhos alentejanos. Comecei a achá-los demasiado doces. Não seguirei o bizarro descritivo dos "sabores" que os entendidos conseguem descobrir nos vinhos, das compotas aos abaunilhados, passando por outras coisas menos nobres, limitando-me à constatação. Por isso, evito os tintos do Alentejo.
Não vale a pena andar a fazer experiências quando a oferta é muito mais vasta e os resultados podem ser incertos. (A única excepção, e que voltarei na devida altura, é a dos tintos de Pias, uma região específica dentro da região alentejana.)
Uma das castas usadas com frequência no Alentejo, e que é predominante na península de Setúbal, é a Castelão ou Periquita e, só por si, é suficiente para poder deixar um rasto doce. Mas o problema não está nela. Está na tentativa de muitos produtores (a maioria, talvez?) de irem atrás de um padrão internacional de sabor que tem por elemento central a casta Cabernet Sauvignon e que é retintamente doce.
Ao dar-lhe um protagonismo excessivo, neste caso numa região que dela não precisa, nem para o vinho durar mais, os produtores estão a mudar o perfil dos vinhos de uma região (o Alentejo), afastando-o do padrão original. O uso intenso da madeira e, até, o recurso à casta Touriga Nacional, só reforçam a impressão inicial.
Poderá argumentar-se que os consumidores gostam e que o vinho do Alentejo tem de se renovar. Pode ser. Mas os vinhos doces, ou adocicados (abafados, ginja, Madeira, Moscatel ou Porto), têm o seu lugar. Os restantes, os "vinhos de mesa" não precisam de ser doces para se imporem.
Há algum tempo, num dos supermercados a que vou, havia, como é frequente aí haver, vinhos para provar. Eram do Alentejo e espreitei-lhes os rótulos e contra-rótulos à procura da identificação das castas. Havia, em todos, Cabernet Sauvignon. Um dos produtores que acompanhava a acção promocional perguntou-me se eu queria provar e eu disse que não, dizendo que não gostava de vinho com Cabernet Sauvignon. E a resposta dele foi: «Ora, mas isso é só tempero!" Não podia ser mais esclarecedor.


segunda-feira, 13 de março de 2017

Ler jornais já não é saber mais (9): Jornalismo, alegadamente...



Repare-se no texto: "(...) depois de terem sido divulgadas (...) duas reportagens polémicas (...) que diziam que, alegadamente, as editoras oferecem 'brindes' aos professores"; "no caso da RTP foi dito que as editoras, alegadamente, oferecem 'brindes' (...)".
O "alegadamente" é uma epidemia do neojornalismo português. Suponho que há de ter sido importado do inglês "allegedly", que serve, de modo expedito, para afirmar algo para o qual não existe prova fiável.
O seu significado, no entanto, perde-se na imbecilidade praticante que se vai impondo, chegando-se ao ponto, na televisão, de se imputar o "alegado crime" ao homicida que, entregando-se às autoridades, até já confessou o crime.
Neste caso temos mais um brilhante disparate e em dose dupla. A afirmação de base (oferta de "brindes" a professores por editoras de livros escolares) é atribuída, expressamente, a duas televisões: RTP e TVI. O que mostraram, nas reportagens apresentadas, é da sua responsabilidade. Mas, aparentemente, não é o que pensa a criatura que escreveu esta prosa no "Sol". Onde, como se pode ler, se põem as reportagens a "dizer que" quando, para bem da economia narrativa e da língua, chegaria dizer "segundo a reportagem".
No caso do "alegadamente" em dose dupla, a confusão é tal que nem se percebe para onde vai o "alegadamente" (as reportagens? quem efectivamente disse? os canais?) e a impressão que resta é que o palavrão ficou porque é da moda, muito "fresco" e tal.
Isto, como tantas outras coisa nesta era de degradação absoluta do jornalismo, não passa de alegado jornalismo...

domingo, 12 de março de 2017

Genial





Não sei de quem é a autoria mas esta espécie de fotomontagem (sendo a fotografia genuína e servindo a legenda, quase como balão de banda desenhada, a função satírica) é genial e o autor (anónimo) merece todos os louvores.
Repare-se bem.
Em primeiro lugar, o trio: Chavez, o ditador "de esquerda" da Venezuela, o antigo primeiro-ministro José Sócrates e o seu ministro das Obras Públicas (que para tantas coisas serviram...), Mário Lino.
Estão concentrados no computador infantil "Magalhães", que o então primeiro-ministro andou a promover pela América Latina. Chavez está muito atento, como quem aprende. Lino parece estupefacto. E Sócrates... é que a sabe toda, ladino como é.
A legenda (que pode ser, e não apenas circunstancialmente, atribuída a Sócrates) é um mimo.
Faz referência a um dos temas do momento (as "offshores") e usa uma expressão popular ("graveto") para dinheiro, como se a conversa fosse informal. E a construção da frase não é de quem sabe muito de computadores. Apenas o essencial: "nesta tecla aqui". Notável!
Noutros tempos, qualquer jornal publicaria uma caricatura destas. Hoje não têm, nem querem ter, essa liberdade.


quinta-feira, 9 de março de 2017

6 meses


A seis meses das eleições autárquicas, o CDS de Caldas da Rainha avançou formalmente com o seu candidato à câmara municipal deste concelho: Rui Gonçalves, arquitecto, cuja candidatura é apresentada esta noite.
Rui Gonçalves é o terceiro candidato, depois do actual presidente da Câmara (do PSD) e do candidato do PS, o advogado Rui Patacho.
Enquanto o candidato do PS anda a percorrer as várias capelinhas a ver se consegue ser mais conhecido, o candidato do CDS não deve precisar de se mostrar tanto.
No entanto, nem um nem outro conseguirão garantir o número de votos suficientes para derrotarem o actual presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, ancorado numa maioria absoluta (que a sua incompetência nem justifica) e numa cerrada teia de influências. Quase nem se justifica o esforço...



quarta-feira, 8 de março de 2017

Inglesices em versão analfabruta


"Detailed", "designed", "signalled", "alleged", "iconic"... Num original em língua inglesa que estou a traduzir (e que, por sinal, é bem interessante) aparecem estas palavras, e não poucas vezes. Fazem intrinsecamente parte da língua inglesa, de um estilo menos académico e mais próximo do jornalismo.
O autor do livro, de origem oriental, estará mais familiarizado com estas opções e menos com a linguagem académica mas o estilo que escolheu não prejudica o autor nem o seu trabalho. As palavras são bem empregues em inglês.
Só que estas palavras têm sido transformadas, nos mesmos meios nacionais, em "detalhado", "desenhado", "sinalizado", "alegado", "icónico". Não é assim, porém, que sairão das minhas mãos no texto.
"Detailed" será "pormenorizado", "designed" será "concebido", "signalled" será "indicado", "alleged" nunca será "alegado" mas terá a ver com algo que é considerado como a possibilidade de "ter sido", e "iconic" será "famoso" ou "símbolo" ou "simbólico".
A língua portuguesa é suficientemente rica para não precisar de adaptações literais e, na sua essência, incorrectas. Sabe-o quem leu, e lê, livros.

Porque não gosto dos CTT (117): o crime perfeito

Em 17 de Fevereiro foram pedidos dois cartões bancários para a minha morada.
Um chegou cerca de duas semanas depois. O segundo não chegou. O código, entretanto desnecessário, do primeiro chegou já tardiamente. O código do segundo também não chegou.
O desaparecimento de correspondência no universo sombrio da empresa CTT é isto: nunca se sabe o que não recebemos porque não recebemos.
Podemos pensar, no segundo cartão, num extravio. Mas é só na perspectiva do benefício da dúvida. Se o código também não chegar, será evidente que não foi um simples extravio.
Nada que me surpreenda. Porque é o que costuma acontecer. O que surpreende é que estas irregularidades continuem.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Gatos a mais





À falta de coiotes, leões e leopardos asiáticos e outros predadores, E., a minha pastora da Anatólia, olha para os gatos como alvos a abater e, nos nossos passeios, se eu não fosse de trela bem firme, talvez já tivesse conseguido apanhar alguns com os seus saltos de caçadora. E dado eu uns valentes tombos.
A atenção especial que a E. dá aos gatos é sublinhada e apoiada pela J., com festivais de latidos esganiçados tipo BE.
São 15 quilos de fúria de um lado (J.) e 35 (E.) do outro. No meio estou eu, com um bom catálogo de tendinites, potenciais e cumpridas.
Há gatos a mais nesta zona rural, ultimamente. Por todo o lado, no mato, nas casas, chegando a invadir-me o jardim.
São acolhidos nas casas, mas sempre fora, porque dão jeito para dar cano dos ratos; são "pagos" em restos; caçam aves e roedores pelo campo fora; não devem ter cuidados veterinários, nem  de comidaserem esterilizados; reproduzem-se descontroladamente... Não são os gatos de Ulthar, nem os gatos que eram "familiares" das feiticeiras, mas já começam a assemelhar-se a uma praga. Qual será o desfecho?


quinta-feira, 2 de março de 2017

Porque não gosto dos CTT (116): atrasos, atrasos, atrasos





Um carta com a data carimbada (e foi talvez por isso que esta demorou "só" uma semana a chegar), outra correspondência que anda por aí, o "Jornal das Caldas" que sai à quarta-feira, que é entregue à quinta-feira porque tem cor e porque os que o fazem se estão nas tintas para a data de entrega, e que não chegou...