segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Negociação de reféns




Gulosa, e tendo em si a herança da tradição dos cockers spaniels de irem apanhar a caça abatida, a Joaninha habituou-se a "caçar" panos e pequenas toalhas, que depois mantém reféns à espera, por exemplo, de uma migalha de pão.
Arrancar-lhe a presa é quase impossível, mas basta o início da negociação para ela oferecer de imediato o seu refém... à melhor oferta.

Uns escondem, os outros não se importam

O ministro (das Finanças) pediu a uma empresa de advocacia que indicasse como se devia mudar uma lei do Estado. Aceitou a imposição de uma excepção uninominal à lei aplicável, por parte do convidado para a presidência do banco público. Mas o mesmo ministro garantiu que isso não aconteceu.
Se assim fez e não informou da sua conduta o primeiro-ministro, é grave.
Se o primeiro-ministro soube, e escondeu o seu conhecimento, é ainda mais grave.
Ninguém que seja intelectualmente honesto pode dizer que o jornalismo se deve alhear desta situação tão séria. Nem o deve fazer a opinião pública.
Tal como a Presidência da República... se fosse outro o Presidente.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Kruchtchev era "retundo" e "vocês" escreve-se "voçês" (6)


Tudo isto se resume a uma única constatação: o "Expresso" distribuiu, sem nenhum peso na consciência, uma edição bibliográfica com clamorosos erros de português.
Sem emendar a mão, sem uma justificação, ignorando o óbvio e aceitando uma má decisão da editora Aletheia que não terá feito o devido controlo de qualidade de uma tradução e de uma revisão com evidentes defeitos.
Ao fazê-lo, o "Expresso" pôs-se ao mesmo nível de quem escreve, em português, "súper", "retundo" e "voçês". Em SMS, no Facebook, nos comentários on line... e também em livro.

Primal Attack... ao ataque!



No palco do RCA depois do espectáculo,
com os Primal Attack na primeira fila (Miguel, Mike, Miranda, Tiago e Pica)

Foi noite de festa a noite de lançamento do segundo álbum da banda "metálica" Primal Attack, na sexta-feira no clube RCA, em Lisboa.
Antes dos Primal Attack, que apresentaram canções dos seus "Heartless Opressor" e "Humans", estiveram no palco os portuenses Analepsy e Revolution Within, expoentes de um tipo de música que não é para pessoas timoratas e que o meu excelente amigo Bruno Chainho, o vocalista dos Primal Attack com o nome-de-guerra de Pica, me tem ensinado a conhecer.
Na próxima sexta-feira, os Primal Attack estarão também no Porto.
"Sigaaaaaa!"

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

E se, para variar, também falássemos por uma vez do Plano de Pormenor da Estrada Atlântica?



Manchete da "Gazeta das Caldas", 10.02.17

Em 2011 a Assembleia Municipal de Caldas da Rainha alterou o Plano Director Municipal e criou o Plano de Pormenor da Estrada Atlântica, permitindo a construção de um empreendimento turístico gigantesco numa zona antes não urbanizável de paisagem protegida, que apanhava as freguesias da Serra do Bouro e da Foz do Arelho.
O empreendimento turístico era promovido por duas empresas enigmáticas que nunca se apresentaram a público mas que tinham, e talvez ainda tenham, como seu representante o então presidente da Junta de Freguesia... da Serra do Bouro.
As obras iam começar em 2013 e prolongar-se-iam até 2041, ocupando 275 hectares de terreno numa zona privilegiada, com um investimento de 300 milhões de euros.
Nada disto aconteceu. o assunto ficou, desde muito cedo, envolto num silêncio muito estranho. Demasiado estranho. 
É pena que a "Gazeta das Caldas" não o recorde ao anunciar mais um grandioso projecto turístico numa zona que não sabe aproveitar o imenso potencial turístico que possui.
Pode ser que este hotel de 5 estrelas vá por diante, seja construído, prospere e seja proveitoso para os seus proprietários para a região. Mas isso não serve para esconder o que nunca foi esclarecido.

Kruchtchev era "retundo" e "vocês" escreve-se "voçês" (5)

Porque é que as mesmas criaturas que são tão encarniçadamente contra o Acordo Ortográfico não se se manifestam do mesmo modo contra os erros (factuais, de português!) que enxameiam livros, revistas e jornais?
Não pode haver dois critérios para uma língua alterada, para pior, pela política e pela arrogância de alguns "sábios" e pela burrice e incultura de outros.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Ler jornais já não é saber mais (7)

O neo-jornalismo nacional tem uma relação cada vez difícil com a escrita em português.


"i", primeira página, 8.02.17

Kruchtchev era "retundo" e "vocês" escreve-se "voçês" (4)


Em respostas que recebi, da editora Aletheia mas não do "Expresso", é posta a ênfase na excelência do tradutor deste livro ("Estaline - A Corte do Czar Vermelho"), como uma espécie de confirmação da impossibilidade do erro.
Mas os erros a que me referi ("súper", "retundo" e "voçês") até podem não ser responsabilidade directa do tradutor. Ponhamos a seguinte hipótese: as 170 páginas do volume I, onde eu detectei os erros e quando desisti de tentar ler a obra, podem nem ter sido traduzidas por ele. Foram confiadas, por hipótese, a outra pessoa. O resultado não foi examinado pelo tradutor. Não foi controlado pelo revisor. Não foi sequer verificado pelo editor.
Porque o(a) autor(a) da tradução dessas, pelo menos, 170 páginas pode conhecer inglês e saber traduzir de inglês para português. Mas faltam-lhe, depois, a capacidade e o conhecimento para verter o que traduziu na língua portuguesa, não como ela é falada mas como é escrita.
E este é o aspecto mais sério, depois de dezenas de frases que, na sua construção, são transferências directas de inglês para português (desde adjectivo-adjectivo-substantivo, em vez de substantivo-adjectivo-e-adjectivo a aplicações literais).
Não basta saber traduzir as palavras de uma língua para outra e é necessário saber construir a frase em português que melhor traduz a letra e o espírito do original.
Os três principais erros mostram a falta de contacto (e de conhecimento) do português escrito: "vocês" com "ç" porque o que se diz é que "vocês" se escreve com "c de cão", ou seja "quê" e portanto recorre-se ao "ç" para ter o som "cê"; "retundo" porque, pelo menos em Lisboa e arredores se pronuncia "retunda" em vez de "rotunda" (com o som "rutunda"); e "súper" porque quando dizemos "super" (em "supermercado" e em tudo o resto) estamos a acentuar o "u".





domingo, 5 de fevereiro de 2017

Kruchtchev era "retundo" e "vocês" escreve-se "voçês" (3)

"Retundo", "voçês" e "súper" - isto é português? Não é, mas parece que ninguém se importa. 
A carta que escrevi ao "Expresso" não teve reposta e o 5.º volume do dito livro lá foi distribuído este sábado. É vergonhoso.

  

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Kruchtchev era "retundo" e "vocês" escreve-se "voçês" (2)


A propósito disto, e na sequência de uma carta que dirigi ao "Expresso" e à editora Aletheia, recebi uma resposta com o seguinte teor: "Agradecemos desde já as suas notas à obra 'Estaline', cuja tradução é assinada por Mário Dias Correia, um dos mais prestigiados tradutores portugueses. Não deixaremos de ter, contudo, em conta as questões levantadas e ficamos gratos pela atenção dedicada a esta colecção."
De facto, o seu a seu dono.
Ficam aqui mais duas reproduções da coisa: a respectiva ficha técnica e mais uma peculiaridade desta obra em que eu ainda não tinha reparado: "súper" em vez de "super".