terça-feira, 31 de janeiro de 2017

An idiot with a dog (versão inglesa de "Idiota com cão")

Na zona rural onde vivo, tenho visto mais estrangeiros do que portugueses a passear os seus cães.
Fazem-no regularmente, educadamente, com a trela pronta se optam por os levar soltos. E evitam confrontos cão-cão, o que me faz ser mais exigente com a minha Elsa, pastora da Anatólia de 35 quilos, que acha que o terreno é todo seu, para também evitar mal-entendidos. Desviam-se, desvio-me eu, há um jogo diplomático civilizado.
Mas de repente, como às vezes acontece, entrou em cena um novo passeante estrangeiro, aparentemente inglês. E com ele, estupidamente à solta, anda um cão muito pequeno, uma espécie de micro-cão, uma criatura feia e irritante que, andando solto (com o homem dois metros atrás), resolveu embirrar com as minhas Joaninha e Elsa. E elas com ele.
Esta tarde, e quando eu já estava a sair com elas, apareceu-me o micro-cão, a subir a rampa que elas queriam descer... para irem passear, que era essa a ideia, e para o apanharem.
O micro-cão avançava, numa investida provocatória agravada pelo facto de elas estarem ainda em casa, praticamente, e o "gentleman" lá vinha atrás.
Deste lado, em plano inclinado, a Joaninha e a Elsa protestavam e puxavam. Os puxões da primeira, com os seus 15 quilos, são contidos com um dedo mas os da segunda requerem o corpo todo. E com a força da gravidade a ajudar, a situação tornava-se mais complexa.
Felizmente que o micro-cão parou por iniciativa própria. Mas, note-se, sem que o idiota o tivesse chamado uma única vez. E teve de ser essa mesma criatura de duas pernas a ir buscar a de quatro, antes que houvesse uma situação mais grave.
Fiquei a pensar que o micro-cão esteve quase a ser devorado, se por acaso avançasse mais. Talvez o merecesse...

Trump & Costa, SA




Um ganhou as eleições, o outro não.

É possível que Donald Trump seja um bom pai de família. E que saiba comer à mesa. Que não mastigue de boca aberta, que não coce o cabelo com o garfo, que não arrote nos intervalos entre os pratos.
Mas é certo que a personagem, na sua aparência, não é atraente. O casaco, ou sobretudo, tipo fraque, a gravata que lhe vai às partes, o tom alaranjado da pele, o penteado que já foi parecido com um ninho de pássaro e que agora se apresenta mais alisado…  E há o modo como fala, ligeiramente inclinado para a frente, como se fosse cuspir palavras mais acesas contra os seus interlocutores. Nota-se, no entanto, que anda divertido. O que não lhe diminui a arrogância e a sobranceria, típicas de quem não terá tido de depender muito dos outros no seu percurso de poder.
Trump foi eleito, respeitados os mecanismos do sistema político presidencialista dos EUA, presidente de um dos países maiores e mais fortes do planeta. O que anunciou e o que já parece ter decidido, em termos políticos, agitou mais opiniões do que o “macartismo” e as políticas conservadoras de Bush pai e filho no seu conjunto. E a estas, convém ter presente, a democracia americana sobreviveu, tendo o sistema dado um sinal claro de vitalidade quando obrigou Richard Nixon a demitir-se.
Trump chegou ao poder, e legitimamente, na mesma época em que o fez o português António Costa. É uma época de opiniões extremas, de instabilidade ideológica, de desequilíbrios mundiais que põem criaturas que se têm em grande conta a anunciar, semana sim, semana não, que vem aí a III Guerra Mundial.
António Costa, por seu turno, também há de ser, certamente, um bom pai de família. Saberá decerto comer à mesa, embora o modo como mastiga e expulsa as palavras da boca possa fazer temer o pior se, por exemplo, quiser falar e mastigar ao mesmo tempo. 
Como Trump também não se pode dizer que seja atraente na sua aparência. A carapinha cortada curta evita acidentes mas depois o ventre dilatado não atenua as más impressões. Dá ideia de que os fatos que usa datam de quando ainda não tinha começado a engordar. As imagens do actual primeiro-ministro português aos saltos, de braços levantados, durante a sua campanha eleitoral, até conseguem ser hilariantes mas a sua fotografia na praia num revista “cor-de-rosa” está longe de provocar sentimentos idênticos.
Ao contrário de Trump, porém, Costa não foi eleito. Nem, mais precisamente, estava à frente do partido que ganhou as eleições legislativas de Outubro de 2015. 
Costa era, como é, o chefe do partido derrotado nas eleições. E chegou ao poder através de uma declaração informal de desrespeito pelos mecanismos do sistema político parlamentar português, estribado numa aliança (escondida no período eleitoral) com outros dois partidos derrotados. 
Depois da instabilidade do PREC (onde o PCP e a extrema-esquerda nunca conseguiram ter tanto poder como se diz que tiveram), é a primeira vez que o País se vê governado por uma aliança que reúne os socialistas, sociais-democratas e radicais de esquerda do PS e uma plêiade de trotsquistas, estalinistas, maoístas, marxistas-leninistas, comunistas revisionistas e neocomunistas. Não se sabe se o País lhes sobreviverá, e como.
Costa, como Trump, parece andar divertido. Mas as suas graçolas têm um certo travo a desespero de quem sabe que está no poder com uma legitimidade diminuída. E é também isso que inspira a arrogância e a sobranceria que exibe, e que aliás lhe são características.
Politicamente, Costa e os seus aliados não puseram em prática um programa de governo mas um programa anti-governo: desfazer o que estava feito e o que devia ser continuado a fazer, ou adaptado mas não negado. Nisso já se separa de Trump: Costa sabe o que não quer, Trump sabe o que quer.
Nenhum deles, verdadeiramente, se recomenda. E só se pode estranhar que as boas almas lusitanas que se arrepelam e berram contra o presidente eleito dos EUA se calem, envergonhadas ou parolas, perante o primeiro-ministro de Portugal que não ganhou as eleições.



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Kruchtchev era "retundo" e "vocês" escreve-se "voçês" (1)



O “Expresso” anunciou, com pompa e circunstância, o lançamento de uma biografia de Estaline, distribuída com o jornal. A biografia é da autoria de um historiador inglês, Simon Sebag Montefiore, e foi editada em Portugal pela Aletheia, encontrando-se a edição actualmente esgotada, segundo o site Wook.
Este lançamento teve um duplo prefácio de Francisco Louçã e Paulo Portas (que não devem ter lido a edição portuguesa), direcção editorial (do projecto) de Henrique Monteiro e da Aletheia, gestão de projecto de Susana Freixo, edição e revisão de Gonçalo Losada Rodrigues e tradução de Mário Dias Correia.
Comecei a ler o primeiro volume e não gostei de duas ou três soluções da tradução.
Depois tive de me munir de uma caneta vermelha para acompanhar a leitura e começar destacar coisas como: “atravessando a raiga” (taiga?), “reitor indiscutido”, “retundo jovem”, “arquivos recentemente desclassificados”, “a massa de trabalho é tão enorme”, “moderno gestor macho”, “construção vandalística”, “exercia o seu patronado”, “jogamos bowling e boliche”… até parar na página 178 quando se me deparou uma nota de rodapé que termina em “voçês são todos ateus”.
Umas vezes parece que a tradução foi feita pelo “tradutor” do Google, outras vezes (a maior parte delas) que alguém envolvido na tarefa não sabe escrever em português ou que sofre de iliteracia. Seja como for, o certo é que esta edição, a avaliar pelas 178 páginas iniciais, é uma vergonha.

O livro na edição "Expresso"


"Bowling" e boliche (versão brasileira) são uma e a mesma coisa


Quando os arquivos ficam "declassified", significa que foram abertos à consulta pública.


"Raiga" por "taiga"

Onde "rotundo" passou a "retundo"

"Tão enorme"?!

"Construção vandalística"?!

"Voçês"?!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Dois pesos, duas medidas


O primeiro-ministro português é arrogante, sobranceiro, a roçar a boçalidade, chega a ser insultuoso. O presidente americano é arrogante, sobranceiro, a roçar a boçalidade, chega a ser insultuoso.
O primeiro, derrotado nas eleições legislativas, tomou o poder através de um acordo com partidos também derrotados nas eleições. O segundo ganhou as eleições.
Gostaria de ver os mesmos (e as mesmas) que dizem "cobras e lagartos" do presidente dos EUA a olharem com "olhos de ver" para o primeiro-ministro português...

Quanto tempo demora a pavimentar uma rua?


E ela lá está, quase no centro da cidade de Caldas da Rainha, a Rua da Rosa: esventrada, à espera de um pavimento novo, à espera há quanto tempo? Pelo menos uns três meses. Até arriscaria mais.
É uma característica de Caldas da Rainha: os atrasos nas obras públicas.


À espera.


Os moradores, felizmente, já perceberam que ficarem calados não resolve nada e já esboçaram um protesto.


Fartos de esperar.


Estamos, nem há a menor dúvida, no reino do desmazelo camarário. Mais de um mês depois do Natal, a famosa "árvore de Natal" de Caldas da Rainha lá continua, agora apagada.
Ficará assim até ao Natal deste ano?


À espera... do Natal deste ano?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

"The Young Pope": a nova TV

Se dúvidas houvesse sobre o memorável ressurgimento da televisão como peça central do entretenimento audiovisual bastaria a mini-série "The Young Pope" (canal TV Séries, em Portugal) para o ilustrar.
Criada e realizada pelo italiano Paolo Sorrentino, é uma produção da americana HBO, com o actor inglês Jude Law no papel de um papa saído dos EUA que assume o nome pontifical de Pio XIII.
Enganadora de início, mas com um genérico inicial que diz tudo (e que pode ser visto através da imagem em baixo), "The Young Pope" desenrola-se num Vaticano assolado pelos novos tempos de dúvida religiosa e política e consegue alcançar vários prodígios: um tom irónico e irreverente (mas não iconoclasta), uma concepção visual que por vezes faz lembrar os filmes de Peter Greenaway, interpretações muito seguras e a capacidade de divulgação da HBO e, em termos de tendências, um encontro feliz entre o cinema "de autor" europeu com a televisão comercial dos EUA.
"The Young Pope" pode não obter os favores do público (embora a crítica atenta à televisão tenha percebido a sua importância) mas tem o significado essencial de mostrar que o dinamismo da produção televisiva no país, onde ela é mais possante, aceita um tipo de entretenimento audiovisual que dificilmente encontra lugar nos circuitos cinematográficos industriais. 
Quanto à HBO, está de parabéns. É, felizmente, o ar do tempo novo televisivo. Como evoluiu desde o tempo em que deixou cair a inovadora "Roma"!



sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Uma notícia que é para ser lida ao contrário


Da 1.ª página do "Jornal das Caldas" (18.01.17)


O candidato do PS, este ano, à presidência da Câmara Municipal de Caldas da Rainha diz que quer "pôr fim à inércia nas Caldas".
Deve antes ler-se que quer "continuar a inércia".
Porque esta candidatura é, na realidade, inútil.
Serve apenas para o PS não ter falta de comparência nas eleições autárquicas do Outono e não para tentar vencer o PSD local, que não vai ter alternativa real.
Com isto, o PS não rompe a inércia dos processos eleitorais no concelho de Caldas da Rainha. Nem o quer fazer. Fazer política a sério dá muito trabalho e é preferível ir gerindo os interesses instalados. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sentido de Estado ou sentido de estar?

Um canal de televisão mostra o Presidente da República a percorrer as barreiras da PSP que contêm manifestantes, a perguntar “Onde está o abaixo-assinado? Onde está o abaixo-assinado?” 
Depois de vários “’Tá bom?” e beijos (às manifestantes), o Presidente da República encontra o manifestante que tem o abaixo-assinado e que lho entrega, dizendo-lhe que o que está em causa são “as carreiras”, que desde 2010 não há aumentos, que deve interceder por eles junto do Governo.
“Eles” são os trabalhadores da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (IM-CM) que, como toda a função pública, viu o governo do PS a cortar-lhes salários e a bloquear as “carreiras” um ano antes da bancarrota.
Um outro canal de televisão, pouco depois, mostra mais: o ministro das Finanças (que tutela a IN-CM) a escapulir-se apressadamente aos manifestantes e, depois, o Presidente da República a receber o abaixo-assinado e a dizer, aos jornalistas, que ia falar com o presidente (ou director) da IN-CM e que depois ia ler o abaixo-assinado e que depois falaria com o Governo. 
Houve, em tempos, uma coisa chamada “sentido de Estado”. E isso implicava que, por exemplo, o Presidente da República não intervinha nas matérias da competência do Governo e vice-versa, pelo menos publicamente. Ou que os membros do Governo não recebiam delegações de manifestantes quando estivessem a manifestar-se. E, ainda, que nenhum titular de um órgão de soberania deixava mal um seu colega.
Neste caso, vimos o Presidente da República a ir ao encontro do manifestantes depois de o ministro das Finanças nem lhes ter passado cartão, a oferecer-se para fazer de emissário e, finalmente, a sugerir (mais uma vez) que ia passar por cima de um ministro para falar com o chefe do serviço tutelado. 
Isto não é sentido de Estado. É, quando muito, sentido de estar. 



Mário Dorminsky e Beatriz Pacheco Pereira: uma excelente notícia que a imprensa ignorou


Em 2013 os meus amigos Mário Dorminsky e Beatriz Pacheco Pereira, dois dos mais importantes criadores culturais do País (e talvez mesmo, também, por causa disso) foram crucificados por jornalistas e falsos amigos e vitimados por uma ofensiva de calúnias.
No meio de confusões que a Justiça devia, como sempre, ser mais célere a esclarecer, foram ainda acusados de "difamação" a um jornalista, condenados em primeira instância... e depois, afinal, absolvidos na Relação.
A imprensa, que antes não os poupou, ignorou a absolvição.
Mário Dorminsky e Beatriz Pacheco Pereira resolveram quebrar o cerco de silêncio e publicaram hoje no Facebook uma primeira informação sobre o acórdão que os absolveu.
Reproduzo aqui, com muita satisfação, o texto integral e publico a mesma fotografia que ambos publicaram no mesmo meio.


Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky

ABSOLVIDOS E AINDA À ESPERA
  1. A revista Visão e outros jornais apressaram-se em divulgar uma sentença de primeira instância que nos havia condenado por difamação ...de um jornalista. No entanto, três meses após proferido, não há a mais pequena nota nos Média acerca do acórdão final do Tribunal da Relação do Porto.
  2. Assim, dizemos nós: FOMOS ABSOLVIDOS.
  3. DE FACTO, até hoje, terminaram em arquivamento ou absolvição todos os processos gerados pelas reportagens caluniosas da Visão publicadas em Setembro de 2013 em plena campanha eleitoral autárquica. E assim continuará a ser.
  4. Também estranhamente, não foi noticiada a entrada de três processos movidos por nós, de natureza civil e criminal, que continuam pendentes, contra o jornalista, a Visão e outros.
  5. Não satisfeitos pelos prejuízos causados no bom nome, honra e consideração, pondo em causa a nossa honestidade e comportamento ao longo dos anos, e uma organização de mérito com trabalho reconhecido nacional e internacionalmente, pretendem manter-nos com o estigma de condenados, enganando o leitor e o público em geral.
  6. A quem não é poderoso restam meios como este para repor a Verdade que a comunicação social aparentemente não quer divulgar.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

8 meses

Faltam 8 meses para as eleições autárquicas em Caldas da Rainha.
Parece que só há estes três candidatos: Tinta Ferreira (PSD, presidente da Câmara Municipal desde 2013), Luís Patacho (PS) e Rui Gonçalves (CDS).
A candidatura do PSD é uma inutilidade. A do CDS pode ser útil para forçar o debate de alguns problemas reais do concelho. Infelizmente nenhuma delas vencerá. Os ausentes muito menos. Verdadeiramente, ninguém quis, sequer, tentar vencer o PSD.



Luís Patacho, Rui Gonçalves e Tinta Ferreira: o resultado é óbvio