terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Eu, votante no “Presidente Marcelo”, decepcionado me confesso

Na vida do actual chefe do Estado há muitos “Marcelos”. Há (no hemisfério público) o do “Expresso” do fim do Estado Novo até ao fim da Aliança Democrática, há o do presidente do PSD que quis atabalhoadamente destronar o primeiro-ministro Guterres, há o candidato à Câmara Municipal de Lisboa, há o comentador político, há o “entertainer” televisivo/explicador político, há o político que não quer ser político. E que não quer ser político quando exerce o mais político de todos os cargos: Presidente da República.
Votei em Marcelo Rebelo de Sousa para esse mesmo cargo, em Janeiro deste ano, e, ao cabo destes meses todos… Bem, sinto-me decepcionado. E não há, infelizmente, período de devolução por insatisfação ou livro de reclamações em eleições democráticas.
O período áureo de Marcelo Rebelo de Sousa foi, para mim, o de comentador na rádio nos anos 90. Era brilhante, arguto, docemente sarcástico, pesada mas subtilmente crítico com as notas que dava. A transição para a TV pode ter-lhe sido favorável noutros aspectos mas diminuiu-o na qualidade de comentador. 
No universo de comentadores que percebem de tudo e de nada, Marcelo Rebelo de Sousa pode ter querido ser diferente e foi deixando cair a sua pele de comentador de olhar crítico. Ou tivesse outras coisas em mente. Na televisão tornou-se um explicador de factos presentes e de hipóteses futuras. Começou a criar um lugar de “entertainer” e a avançar por um mar de absurdos que iam dos afectos diante das câmaras às entrevistas vagamente jornalísticas. Foi, claramente, diante das câmaras da TVI que nasceu a sua candidatura à Presidência da República.
No rescaldo do golpe de Estado parlamentar da tríade PS-BE-PCP, Marcelo Rebelo de Sousa pode ter sido visto – atendendo à sua área política de origem – como uma espécie de homem providencial por parte dos opositores ao Governo. 
Penso que muitos dos seus eleitores acreditaram, e isso aconteceu comigo, que seria importante ter na Presidência da República um homem de discernimento e força política institucional que, respeitando o alcance e os limites do cargo, exercesse de maneira mais firme e talvez mesmo recatada a sua “magistratura de influência”, que fosse um estadista capaz de gerir o seu poder com alguma reserva e de constituir um contrapeso a um governo de origem e práticas duvidosas.
Mas não foi o que aconteceu. A Presidência da República ganhou um político entertainer e uma espécie de apóstolo dos “afectos”, tão interessante nessa vertente como um consultório de dúvidas existenciais de uma revista cor-de-rosa. E o Governo ganhou um misto de anjo-da-guarda, de guarda-costas, de oráculo e de ministro da propaganda.

Uma intervenção que já cansa

José António Saraiva escreveu no “Sol” que Marcelo Rebelo de Sousa poderia ser um Presidente perigoso, capaz de intercalar a sua prática institucional com a criação de “factos políticos”.
Enganou-se: essa faceta fascinante do antigo comentador terá ido, com mais algumas coisas, para o caixote de lixo da História. O “criador de factos políticos” foi com o cão oferecido ao Presidente da República: para parte incerta, já sem retorno. Nem isso se aproveita.
Marcelo Rebelo de Sousa pode ser o campeão dos “afectos” e da “felicidade nacional”, pode até acreditar que o “populismo” que gera e tenta gerir é “bom” (por oposição aos outros “populismos” que são “maus”), que quanto mais “selfies” tirar mais facilmente se lhe abrirão as portas do Céu, que a democracia constitucional lhe exige o apoio cego ao governo PS-BE-PCP com o vigor de um quadro socialista da província esperançado num lugar no Estado, que quem não apoiar o governo em funções e não gostar de futebol é mau português e mais uma série de coisas que nem sequer é recomendável pormenorizar, nem mesmo como hipótese. 

Dizia-se de Cavaco Silva, e isso punha toda a esquerda histérica, que favorecia o governo anterior. Era, para os seus críticos, um crime horrendo. Agora, o apoio militante do actual chefe do Estado ao actual chefe do Governo já não indigna ninguém. 
E a sua intervenção pública cansa. 
Marcelo Rebelo de Sousa fala de tudo e de mais alguma coisa. Todos os dias. E várias vezes por dia. E contradiz-se (não lembra ao careca, como ele costumava dizer, elogiar António Domingues para depois dizer que Paulo Macedo é que afinal é bom). E repete-se. Derrama-se pelo Facebook e pelo site da Presidência. Faz declarações à Imprensa. Condecora todos e mais alguém. E até já anuncia quando é que vai “reagir” sobre o assunto do momento. 
Que importância terá, no meio desta algazarra, qualquer declaração que faça sobre um assunto que possa ser melindroso? A sua importância estará sempre limitada pelo cerco seguinte que os jornalistas lhe fizerem para o ouvirem falar sobre tudo e mais um par de botas.
Não é este o Presidente da República que gostaria de ter tido e em quem votei.





Paira um fantasma em Belém...

domingo, 11 de dezembro de 2016

sábado, 10 de dezembro de 2016

Urbanismo

Em Caldas da Rainha, no interior do concelho, onde tudo parece ser possível.
Voltarei ao assunto.













Porque nao gosto dos CTT (108): vale a pena um serviço (público) de correio?!

Desde terça-feira da semana passada (dia 29 de Novembro) que não entra correspondência na minha caixa de correio.
Esta semana nem sequer chegaram os jornais regionais.
Anteontem, quinta-feira, foi feriado (mas também parece, no caso da empresa CTT, que quase todos os dias são feriado) e ontem também não houve distribuição de correspondência.
Portanto: vale a pena haver um serviço de correio nestes termos?!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Onde está a oposição (em Caldas da Rainha)?


Os Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha, serviço camarário conhecido pelo seu rigor, foram resolver um problema de abastecimento de água num prédio, deixaram tudo escavacado e mandaram os residentes reparar os estragos.
A queixa foi feita por um dos afectados nas cartas ao director da "Gazeta das Caldas" (edição de 2.12.16) que, inconformado, faz a pergunta que mais gente devia fazer e que eu tenho andado a fazer: "Onde está a Oposição? Participa das jantaradas de fim-de-semana? E por causa disso aceita de cabeça baixa a má política que se pratica no concelho?"
Evidentemente, respondo eu: a oposição (PS, CDS, MVC e PCP) apoia, na prática, o PSD da Câmara Municipal. E não deve ser apenas pelas "jantaradas"...




segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Os "eleitos autárquicos" foram todos para Auschwitz, foi?!

Na polémica sobre a agregação de freguesias, há quatro anos, os membros de câmaras municipais e juntas de freguesia usaram o argumento abjecto, para combater a redução do número de freguesias, de que iam perder o "emprego". Os interesses das populações foram vergonhosamente desprezados e a grande preocupação foi a dos lugares que se extinguiam.
A redução do número de freguesias fez-se e, por exemplo, em Caldas da Rainha, o modo como os próprios eleitos participaram na coisa foi na mesma vergonhoso (os pormenores podem ser lidos aqui).
Quatro anos depois, e estando bem à vista o fracasso e os prejuízos (para as populações) que em muitos casos resultou da agregação de freguesias, já se pensa na "reversão" do processo. E ainda bem, onde for necessário (e, no caso de Caldas da Rainha, é uma maneira de anular um acasalamento absurdo entre freguesias).
Só que não é pelo regresso ao choradinho da "eliminação" de cargos que se deve ir, embora já dê para perceber que é o que ocupa a mente de algumas pessoas.
Veja-se o caso da moção aprovada na assembleia de freguesia da mistura que resultou da junção entre uma freguesia rural (Serra do Bouro) e uma freguesia urbana (Santo Onofre) com outra pelo meio e que nem figura na mistura: "tal medida significou a eliminação de milhares de eleitos autárquicos", como se pode ler neste excerto da notícia publicada pelo "Jornal das Caldas" de 30.11.16.



"Eliminação de milhares de eleitos autárquicos"?!


Até parece que os "eleitos" foram metidos todos em Auschwitz, coitados...
De qualquer modo, se é assim que querem fazer, era melhor que estivessem quietos. 
Já dá para perceber que ao disparate inicial se vai seguir outro, e pelos piores motivos: arranjar empregos e para muita gente.


Uma ignomínia à moda da tríade PS-BE-PCP

Contra tudo o que era e é razoável, o governo em funções baixou o IVA da restauração de 23 por cento para 13 por cento.
O Estado perdeu receita fiscal (e os outros que paguem), não se deu pela baixa de preços de venda ao público e só um sector foi favorecido, de um modo tão enviesado em termos contabilísticos que a baixa deste imposto foi, sem pudores, transformada em lucro.
No entanto, o mesmo "arco governativo" recusou, no Parlamento, a baixa do IVA para aparelhos ortopédicos (como as canadianas e as cadeiras de rodas) que poderia levar a uma redução do PVP, o que iria favorecer sectores da população que precisa desses instrumentos para poder viver com um mínimo de dignidade.
Perante isto, e tudo o resto, não percebo como é que pode haver gente com sensibilidade social, que se diz de "esquerda", que consegue apoiar a coisa mal nascida que saiu da aliança entre o PS, o BE e o PCP. Deviam era ter vergonha.


Adicionar legenda

Ler jornais já não é saber mais (5)


Pode argumentar-se mil vezes que "fazer uma rotunda" é o mesmo que "circular numa rotunda" (ou algo parecido) que nem a vantagem de poder ter um menor número de caracteres disfarça o facto de "fazer uma rotunda" ser, em bom rigor, igual a "construir uma rotunda".



Manchete de hoje (5 de Dezembro) do "Jornal de Notícias"



sábado, 3 de dezembro de 2016

Fernando Costa, 2 - Tinta Ferreira, 1

Fernando Costa, o anterior presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha que terá esperado poder voltar a ser candidato em 2017, vai ser o candidato do PSD à Câmara Municipal de Leiria.
Leiria, capital do distrito, é obviamente mais importante do que Caldas da Rainha, onde Tinta Ferreira, o sucessor de Fernando Costa revelou uma enorme incompetência e tentou, por esse e por outros motivos, distanciar-se do seu antecessor. 
Desterrado em 2013 para Loures, onde foi vereador, Fernando Costa fica agora mais próximo do seu concelho, podendo conservar alguma capacidade de influência em Caldas da Rainha... mesmo contra o seu lamentável herdeiro. 


Fernando Costa: que bem que se está em Caldas da Rainha ("Jornal das Caldas", 30.11.16)


Tinta Ferreira: que bem que se está... na câmara de Caldas da Rainha