sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A vaidade vai para o alto, a chuva vai para os baldes


1.ª página (parte) do "Jornal das Caldas" de 9.11.16 

A Câmara Municipal de Caldas da Rainha vai gastar 96 000€ na "árvore de Natal" (e também deve a pagar a conta da electricidade, e já a partir de 19 de Novembro, mais de um mês antes do Natal).
Quanto ao Centro da Juventude, governa-se bem com alguns baldes de plástico.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

10 meses


O CDS, o PS, o PCP e o MVC talvez gostem dele...

Faltam dez meses para as eleições autárquicas de 2017.
Não se nota, em Caldas da Rainha, que o CDS, o PS, o PCP ou o MVC tenham interesse nesta eleições ou queiram derrotar a imprestável maioria absoluta do PSD, cujo candidato (e presidente da Câmara Municipal) já está em campanha eleitoral há meses.

Ler jornais já não é saber mais (1)


Durante um ano, ou mais, a generalidade da imprensa nacional montou, com um extraordinário grau de coincidência ("les beaux esprits se rencontrent"), um retrato do potencial novo presidente dos EUA.
Em termos práticos, seria uma espécie de apocalipse fascista que iria abater-se sobre os EUA e o mundo todo, uma espécie de Idade das Trevas onde as liberdades e o bom senso se extinguiriam sob o comando de um Führer de novo tipo.
O apogeu orgástico dessa campanha, onde se afirmava a inevitabilidade uma vitória da derrotada Hillary Clinton, foi a primeira página do "Público", associando "Medo" a Donald Trump.




Mas, dois dias depois das eleições, os EUA continuam a ser o mesmo país que, com mais de 200 anos de história, ainda não viveu nenhum regime autoritário como todos os países da Europa já viveram, de uma forma ou de outra. As instituições democráticas funcionam, o voto popular foi expresso e recolheu a casa e é natural que algumas particularidades e exageros de campanha do "President-Elect" fiquem pelo caminho.
O que não fica pelo caminho é o muito que a imprensa portuguesa publicou, quase com estatuto de editoriais e sem um átomo de arrependimento.
E bem que o devia ter porque, por ela, descredibiliza-se ainda mais. Mas, pior do que isso, acaba por ter uma grande responsabilidade no tsunami de disparates que ainda se vão dizendo e escrevendo por aí, no espaço criativo das "redes sociais", onde já vi alertas de golpe de Estado por causa de um qualquer protesto de uma milícia extremista que afirmava que não aceitaria uma derrota de Trump e comparações de Trump com Hitler.
Nunca o simpático lema "Ler jornais é saber mais" esteve tão longe da realidade... 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

PCP: reforma ou revolução?

O PCP é um partido revolucionário. 
Não o afirma claramente nos seus estatutos, onde apenas destaca a “revolução” de 25 de Abril de 1974 mas, no art.º 2.º dos estatutos, declara:
“O PCP tem como base teórica o marxismo-leninismo: concepção materialista e dialéctica do mundo, instrumento científico de análise da realidade e guia para a acção que constantemente se enriquece e se renova dando resposta aos novos fenómenos, situações, processos e tendências de desenvolvimento. Em ligação com a prática e com o incessante progresso dos conhecimentos, esta concepção do mundo é necessariamente criadora e, por isso, contrária à dogmatização assim como à revisão oportunista dos seus princípios e conceitos fundamentais.”
E o que pretende alcançar com estes pressupostos?
Segundo o art.º 6.º dos estatutos, “O PCP tem como objectivos supremos a construção em Portugal do socialismo e do comunismo que permitirão pôr fim à exploração do homem pelo homem e assegurar ao povo português o efectivo poder político, o bem estar, a cultura, a igualdade de direitos dos cidadãos e o respeito pela pessoa humana, a liberdade e a paz.”
E como é que isto se consegue? Isso já o PCP não o diz. Mas a História e a doutrina marxista-leninista defendem uma revolução que elimine a base económica e social do capitalismo e da democracia burguesa e que crie uma nova superstrutura política e ideológica.
Esta superstrutura (Governo, Estado e o partido revolucionário) guiaria a “vasta frente social que abrange os operários, os empregados, os intelectuais e quadros técnicos, os pequenos e médios agricultores, os pequenos e médios empresários do comércio, indústria e serviços, bem como as mulheres, os jovens, os reformados e pensionistas, os deficientes, forças sociais que intervêm na vida nacional com aspirações e objectivos específicos” (é esta a base social de apoio do PCP, ainda segundo os estatutos).
Marx, com Engels, definiu a doutrina. Mas não fez a revolução. Vladimir Ilitch Lenine aprofundou a definição teórica e fez a revolução, há cem anos, na Rússia pouco industrializada e de base agrícola. Lenine não levou a sua revolução até ao fim, tendo morrido cedo demais, e sucedendo-lhe Estaline. 
O resto é conhecido: a nova ordem socialista (o “socialismo real”) exigia a ditadura do proletariado (os operários que, de seu, só possuíam a respectiva prole), violenta mas de uma violência “justa”, “de classe”.
E é isto que o PCP de Jerónimo de Sousa está a fazer desde que, há um ano, se aliou ao PS e ao BE? Não. 
As grandes lutas sindicais desapareceram com a reconquista suave dos privilégios de grupos laborais elitistas (os funcionários das empresas públicas e do Estado, essencialmente).
O que antes suscitava grandes protestos na prática politica é hoje absorvido melifluamente pelo PCP. E o grande objectivo (como o seu próprio secretário-geral disse em entrevista ao “Expresso”) era a satisfação da função pública. Nem sequer em termos salariais para o futuro mas apenas numa recuperação de parte do que estes trabalhadores (e muitos outros) haviam perdido desde 2010 (com o anterior Governo socialista).
Ou seja, e muito claramente: o PCP pôs de lado a revolução nas suas acções (já o tinha feito, nas palavras) e tornou-se reformista.



Miguel Urbano Rodrigues, o novo “crítico”

“A perspetiva esboçada é reformista e choca-se com o marxismo-leninismo, ideologia assumida pelo PCP. A nossa época não se assemelha à dos anos em que Marx e Lenin – em contextos históricos aliás diferentes – sem rejeitar a luta por reformas, iluminaram o fosso intransponível que separa o reformismo da atitude revolucionária.
O marxismo não é estático. A grandeza do leninismo é identificável precisamente pela capacidade de Lenin para inovar como estratego e tático, mantendo uma fidelidade intransigente a princípios, valores e lições do marxismo. Não encontrei essa atitude nas páginas da Resolução [proposta para o XX Congresso, a realizar] dedicadas à política patriótica e de esquerda na luta pelo socialismo.”
Quem isto escreveu chama-se Miguel Urbano Rodrigues. Foi, e calculo que ainda seja, jornalista. É militante comunista há mais de 50 anos. Foi fundador e director do matutino “o diário” (que o PCP manteve). Ideologicamente, é ortodoxo. Rigidamente ortodoxo, como demonstrou ao dirigir “o diário” e em tudo o que escreveu. E ainda escreve. 
O autor termina este texto com a seguinte afirmação: “Milito no PCP há mais de meio século. Foram as lutas em que participei como comunista que conferiram significado à minha passagem pela vida. É nessa condição que termino desejando que o XX Congresso possa apontar ao Partido o rumo que Álvaro Cunhal tão exemplarmente contribuiu para lhe imprimir na fidelidade à tradição revolucionária da sua gloriosa história.”
Este texto de Miguel Urbano Rodrigues foi publicado no “Avante!” de 27 de Outubro, numa secção intitulada “Tribuna do Congresso”, onde os militantes se podem expressar livremente no âmbito da preparação do XX Congresso (marcado para o próximo mês).
O que aqui escreveu Miguel Urbano Rodrigues tem um duplo significado: é a expressão da sua opinião individual mas também a expressão do que outros pensam. Até porque Miguel Urbano Rodrigues nunca escreveria estas palavras se não houvesse mais gente a pensar o mesmo.
Por muito voluntarioso que seja, conhece perfeitamente as regras escritas e não escritas do PCP e não daria voz, de modo tão claro, a uma posição crítica que não soubesse ser acompanhada por outros.



O PCP de Jerónimo de Sousa deixou-se ir para o mesmo nível do BE,
trocando a revolução popular pelos favores do PS 


Jerónimo de Sousa, o secretário-geral eurocomunista 

Há cerca de um ano, era dada como certa a substituição de Jerónimo de Sousa no cargo de secretário-geral do PCP, devido à sua idade avançada e à necessidade de renovar a direcção partidária com quadros mais jovens.
A certa altura começou a circular que Jerónimo de Sousa, sempre muito activo como deputado e com menos tempos para se ocupar do partido, iria ter um secretário-geral adjunto, que seria o seu sucessor. 
De repente, porém, as notícias desapareceram e Jerónimo de Sousa voltou a aparecer como secretário-geral incontestado, quase em paralelo com a aliança informal estabelecida com o PS e com o BE. 
O maior envolvimento do PCP no apoio ao governo do PS e o fim da agitação sindical só porque os trabalhadores da função pública e das empresas públicas recuperaram alguns benefícios, foi acompanhado, entretanto, por rumores que davam conta de que alguns sectores partidários estariam crescentemente críticos das posições do actual secretário-geral.
A questão é, por um lado, a conversão do PCP a uma orientação reformista (e a adopção do “eurocomunismo”, tantos anos depois) e, por outro, as cedências da direcção de Jerónimo de Sousa ao adversário que sempre foi o PS e ao rival que é o BE. 
Em termos práticos, e considerando as eleições, o PCP serve apenas para ajudar a “segurar” o PS e já não se distingue dos “pequeno-burgueses de fachada socialista” do BE. Não é um rumo à vitória… mas à irrelevância. É curto para este partido.
Miguel Urbano Rodrigues, que invocou Lenine, Cunhal e a sua própria militância de 50 anos, não é uma voz isolada. Mas as outras, de quem pensa o mesmo, estão silenciadas pela disciplina partidária.
Ao contrário do que aconteceu com os “críticos” que começaram a sair nos anos 80 (de Zita Seabra a João Semedo, passando por Vital Moreira, Pina Moura ou António Teodoro, por exemplo), este novos “críticos” não parecem procurar a imprensa para amplificar as suas afirmações e a imprensa, em geral, já não sai da sua zona de conforto para ir à procura de fontes de informação que não estejam já na agenda dos seus telemóveis. Daí, já agora, o silêncio da própria imprensa.
É natural que esta posição de Miguel Urbano Rodrigues não seja publicamente secundada (embora vá ser invectivada na “Tribuna do Congresso”), tal como é natural que os revolucionários não entrem em conflito com os “reformistas” de Jerónimo de Sousa. O próprio XX Congresso não irá espelhar as divergências. E Jerónimo de Sousa continua a controlar a direcção. 
Mas, por mais silenciosas que elas são, o certo é que as divergências existem. Acredito que haverá novos “sinais”, mais cedo ou mais tarde.


sábado, 5 de novembro de 2016

Água (?) castanha em Caldas da Rainha


Da 1.ª página do "Jornal das Caldas", edição de 2.11.16

Foi preciso que das torneiras na capital do concelho saísse o líquido castanho que a fotografia documenta para que se reparasse, com um pouco mais de atenção, no belo trabalho que a "nova dinâmica" da Câmara Municipal de Caldas da Rainha faz através dos seus Serviços Municipalizados. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Quinta da Fata: dois reconhecimentos significativos

Eurico do Amaral recebe o prémio de Melhor Vinha do Dão, da Comissão Vitivinícola Regional do Dão

Fui ter à Quinta da Fata, em Vilar Seco, nos arredores de Nelas, em férias familiares, por causa do cão que então tínhamos, em 1992 ou em 1993. Era necessário um alojamento turístico que, entre outras coisas, aceitasse cães, e a Quinta da Fata aceitava-os.
A ida para lá tornou-se regular, com algumas interrupções. O encanto do local e o sempre simpático acolhimento de Eurico do Amaral e Maria Cremilde, e da filha de ambos, Rita, e interesse gastronómico e vinícola do Dão eram, e são, irresistíveis. A produção de vinho, na região e na quinta, foi um assunto de muitas conversas.
Eurico do Amaral procurou-me, um dia, em Lisboa, trazendo-me uma caixa de vinho. Era o primeiro que saía da Quinta da Fata, com ano de colheita de 2003, e estava surpreendente.
Treze anos depois, os vinhos (tintos e brancos) da Quinta da Fata continuam a surpreender-me. Pela qualidade e pelas suas características, pelo seus cheiros e sabores. Continuam a estar em primeiro lugar na minha lista de compras de vinhos do Dão (e sempre que lá vou), continuam a servir-me de referência. Já tive o privilégio de provar ainda antes do engarrafamento e do estágio em garrafa. Dos "blends" ao monocasta (legítimo) de Touriga Nacional são extraordinários. O enólogo António Narciso (discreto mas talvez um dos melhores enólogos do Dão) tem tido aqui um papel fundamental.
Uma pessoa que muito me ensinou sobre vinho e sobre a vida deu-me um dia a provar um vinho tinto de 1973 do Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, em Nelas, onde técnicos experientes têm, desde muito cedo, procurado conhecer e melhorar os vinhos do Dão. E nunca me esquecerei do sabor desse tinto, excepcional, que me tem servido sempre de padrão. E, não me esquecendo, não encontro outros vinhos do Dão que mo façam recordar, à excepção dos tintos da Quinta da Fata. Como, aliás, tenho escrito aqui.
O facto de a produção não ser muito grande afasta os vinhos de Eurico e de Maria Cremilde do Amaral das grandes superfícies, o que diminui muito a sua visibilidade. Mas já aparecem noutros sítios e a imprensa especializada já deu por eles. E os prémios vão-se acumulando. Os vinhos da Quinta da Fata (e o seu branco, feito apenas de Encruzado) começam, assim, a ser mais conhecidos. E, recentemente, ganharam bons motivos para isso.
Um foi o galardão de "Melhor Vinha do Dão". E outro foi o trabalho publicado pela revista "Wine", onde são passados em revista 16 tintos da Quinta da Fata, com classificações entre os 16 e os 19 pontos (suponho que numa escala que vai aos 20). As apreciações são sugestivas e só é pena faltar (mas acho que estará esgotadíssimo) o tinto de 2005.

Uma comparação importante


Este trabalho da revista "Wine" é especialmente significativo e não apenas por demonstrar como, desde a colheita de 2003, a Quinta da Fata tem mantido o mesmo nível de qualidade, com alguns picos muito significativos, com a pontuação mais baixa (16) para os Clássicos de 2007 e de 2012 e a mais alta (19) para o Reserva de 2003 e para o Touriga Nacional Conde de Vilar Seco de 2010 (ainda por lançar).
Aliás, a apreciação, da autoria de Rui Falcão, destaca o carácter ímpar dos vinhos da Quinta da Fata, fazendo notar como eles representam o que de melhor e mais genuíno poder dar a região do Dão no seu formato mais nobre. E é, com carácter sistemático, a melhor análise que qualquer marca de vinhos pode desejar.
E não deixa de ser curioso que a mesma "Wine" num seu apanhado "on line" (aqui) classifica, por exemplo, dois Barca Velha, de 1999 e de 2000 com 18,5 e 19, respectivamente.
É uma comparação interessante, até porque considerei várias vezes que o Quinta da Fata é tão bom ou melhor como o mítico (e sobrevalorizado) Barca Velha, um vinho de Douro que ganhou fama por ser realmente bom mas também por só ser engarrafado em alguns anos considerados excepcionais e vendido a valores que podem chegar aos 400€.




Os Quinta da Fata apreciados pela revista "Wine"

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Porque não gosto dos CTT (104): e os atrasos continuam


Correspondência recebida hoje, dia 2 de Novembro:

- com data de envio de 7 de Outubro: correspondência de uma empresa de segurança (27 dias de atraso!);
- com data de envio de 20 de Outubro: correspondência de uma associação privada;
- com data de envio de 22 de Outubro: correspondência de um banco;
- com data de envio de 26 de Outubro: correspondência de uma seguradora;
- com data de envio de 27 de Outubro: correspondência de uma empresa de electricidade;
- com data de envio de 28 de Outubro: correspondência de uma operadora de telecomunicações.

E nunca se sabe se se perdeu alguma coisa pelo caminho...

Pode um seguro aumentar 75 por cento?

Pode, e sem justificação clara.
Foi o que me aconteceu com a Ocidental Seguros e o seguro de responsabilidade civil aplicado a animais de companhia: de um valor anual de 118,81 € passa para 207,91€. Ou seja: mais 75 por cento.
O que atiram como justificação é “o aumento significativo e sistemático dos custos e a sinistralidade registada na apólice”.
O curioso nisto é que, no que me diz respeito, não houve "aumento significativo e sistemático" de custos com veterinário e o último "sinistro" data de há um ano. E os valores até têm sido diminutos porque, felizmente, não tem havido situações clínicas graves e o preço das consultas fica abaixo da franquia imposta de 25€.
Por enquanto, respondi-lhes com um pedido de esclarecimento. A seguir haverá mais.

Talvez a Ocidental Seguros não me queira ter como cliente...

Insensibilidade social e egoismo, pelo menos


Há quem escreva isto, textualmente: "Obrigado António Costa pelo feriado que me devolveste! Deixa que falem, pois mesmo os que não gostam de ti, hoje e nos outros três do ano que repuseste, adoraram ficar com os tomates em casa ou passeá-los por aí!"
O que incomoda, num desabafo tonto como este, não é a declaração de amor política ou a falta de vírgulas mas a insensibilidade social e o egoísmo que revela.
Porque enquanto há quem se extasie com a reposição dos feriados com base na sua própria condição de funcionário público, há outros, muitos milhares, que têm mesmo de trabalhar nos feriados (e quando é necessário) porque o exigem os seus contratos (nos supermercados e centros comerciais, por exemplo), a atividade e até a sobrevivência da sua empresa e prazos com que se comprometeram (no caso do trabalho independente).