domingo, 16 de outubro de 2016

11 meses


A campanha eleitoral dele já começou
Falta menos de um ano para as eleições autárquicas de 2017.
Não se nota, em Caldas da Rainha, que o CDS, o PS, o PCP ou o MVC tenham interesse nesta eleições ou queiram derrotar a imprestável maioria absoluta do PSD, cujo candidato (e presidente da Câmara Municipal) já está em campanha eleitoral há várias semanas.

sábado, 15 de outubro de 2016

Uma modesta proposta para ajudar a “geringonça” a cumprir a meta do défice e para tornar a flatulência benéfica para a República: tribute-se o peido



... e goste da austeridade da esquerda ao mesmo tempo

É motivo de melancolia para aqueles que passeiam por este grande país verem por todo o lado tanta gente que pode andar a fugir aos impostos, ou que esconde o dinheiro que tem, ou que não tem nada a que o Estado lhe possa deitar a mão para compensar o facto de, pela sua condição económica, fazer parte da metade da população que não tem rendimentos para pagar IRS.
Imagine-se, o que é ainda pior, que essa gente não tem casa própria onde dê o sol, que não tem carro próprio, que não bebe coisas doces – como é que raio é que poderão ser ainda mais tributados em sede de IMI, em sede de ISPP e em sede de imposto dos açúcares estrangeiros?
Por uma única coisa, por aquilo que toda a gente produz e que eles também. E com um efeito multiplicativo que talvez resolvesse mais rapidamente o problema do défice e pudesse contribuir para um efectivo aumento salarial da função pública.
Ou seja: o peido. 
Ou, se o leitor for mais sensível, a flatulência.
A grande maioria da flatulência emitida pelos seres humanos não passa despercebida. Pelos outros seres humanos, claro, porque se for o próprio individuo… bem, é lá com ele. 
É isso que denuncia o autor da flatulência. A sua quantidade pode ser aleatória, variar ao longo do dia e da noite, ter som ou não, tocar as narinas das cinco pessoas mais próximas ou da 20 que o rodeiam.
E o truque fiscal está aí. Basta o cheiro – com esse indício, que nenhum tribunal fiscal e administrativo nem o Tribunal Constitucional poderão pôr em causa, poderia o Fisco intervir e cobrar imposto. 
Mas… depois de a coisa ter acontecido? Não, no momento: bastaria lançar sobre as multidões equipas de inspectores-cobradores de faro apurado. 
Até porque o mecanismo pode ser “simplex”. O imposto sobre a flatulência não seria aplicada ao putativo flatulente mas a todas as pessoas que estivessem no preciso local da flatulência. Porque qualquer um poderia ser o flatulente e porque o efeito cumulativo seria fiscalmente mais aconchegante. E porque, se não fossem atingidos pelo imposto, não quereriam fazer a conveniente pressão social em prol da correcção intestinal.
Imagine-se, agora, o acto único da flatulência tributado a 1 euro. Admite-se que haja peidos susceptíveis de valerem mais (os dos capitalistas, por exemplo) mas ficariam de reserva para outro Orçamento de Estado. 
Numa multidão de 20 pessoas, num simples momento de minutos, seriam logo 20 euros. E por aí adiante: os transportes públicos a ruas mais frequentadas, passando por restaurantes, centros comerciais e manifestações desportivas e políticas e festivais de música, poderiam recolher-se por todo o País milhares de euros todos os dias.
Com um argumento bem “verde”: seria para defender o ambiente.
Quem é que, neste governo de gente tão esclarecida e sabedora de tudo aquilo que é correcto, poderia rejeitar uma tão modesta proposta? Que, aliás, ficaria muito ao seu nível…


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Um governo que só governa para Lisboa






Quando este governo aumentou, de emboscada, o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos, demonstrou, de imediato, o que era e como queria ser: um governo preocupado apenas com alguns e não com o bem geral. 
O chefe do Governo, com a sobranceria que o caracteriza, recomendou nessa altura aos portugueses que passassem a andar de transportes públicos para não pagarem mais (ou ainda mais) pela gasolina e pelo gasóleo. Agora, e decerto que com a sua autorização, sai uma fuga de informação sobre o Orçamento de Estado para 2017 segundo a qual haverá deduções no IRS para quem andar de transportes públicos.
Ou é ignorância, ou é má fé, ou é demagogia ou é o contrário de qualquer racionalidade. Ou tudo junto. 
O País (o chamado “país real”) não tem transportes públicos.
Há-os, mal ou bem, em Lisboa, Porto e Coimbra, abrangendo subúrbios. Depois, e dentro das cidades, há transportes públicos em capitais de concelho. O interior e a sua população, aquela que vive a alguns quilómetros da capital do seu, não têm transportes públicos dignos essa designação. Não há carreiras regulares que passem pelas aldeias, ou pelos aglomeradas de casas onde vive gente, ou pelas freguesias e durante todo o dia. 
(Poderá, é claro, argumentar-se que não são rentáveis transportes públicos durante todo o dia em percursos onde poderão recolher três ou quatro pessoas e, em alguns casos. E que nenhum município se meteria numa aventura dessas. É verdade. Mas mais errado é, por exemplo, ter a população de concelhos sem transportes públicos a pagar os prejuízos dos transportes públicos de Lisboa e os privilégios dos seus trabalhadores.)
Resido há cerca de dez anos no concelho de Caldas da Rainha. Não na sua capital mas no interior, a cerca de dez quilómetros da cidade que é a capital do concelho. Tenho carro próprio e é o que utilizo para me deslocar à cidade, onde está tudo concentrado. E vejo como, sem carreiras de transportes públicos, andam pelas estradas em carros já muito velhos e pouco seguros, ou nos “papa-reformas”, pessoas de idade avançada que precisam de ir à cidade. Para uma consulta médica, por exemplo. Em alternativa, ou chamam um táxi (o que é caro), ou ficam dependentes de um familiar, amigo ou vizinho. E a elas, quando guiam, já as tenho visto a andar de carro no meio da estrada ou na via contrária.
A realidade do País é esta. Ou pior ainda: há concelhos maiores e de estradas muito piores do que Caldas da Rainha.
Se for real a intenção imbecil de garantir deduções no IRS aos passageiros de transportes públicos, gerar-se-ão o desequilíbrio fiscal e a desigualdade económica entre os que têm transportes públicos nos seus concelhos e os que não têm. Os primeiros terão desconto no IRS, os segundo não. É esta a agenda do Governo, realmente? Favorecer uns contra os outros? Mesmo a este nível?
Espero que haja partidos e candidatos eleitorais locais e presidentes de municípios que impeçam o disparate. Infelizmente não me parece que, havendo, o queiram fazer. Ou que percebam a essência da questão.


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Porque não gosto dos CTT (102): 15 dias de atraso!

Na semana passada, pelo menos à conta do feriado de 5 de Outubro, não houve distribuição de correio. E só cá chegaram os dois jornais regionais que assino e que me parece serem vagamente prioritários em matéria de distribuição postal.
Depois de ontem nem ter havido correio (estariam demasiado cansados pela semana tipo feriado?...), chegaram-me hoje, dia 11 de Outubro:

- uma carta enviada de Lisboa no dia 27 de Setembro;
- duas cartas enviadas do Porto no dia 28 de Setembro;
- uma carta enviada de Lisboa no dia 29 de Setembro.

Ou seja, chegou tudo 15 dias depois e ao mesmo tempo, como se durante estes dias ninguém tivesse mexido nas cartas.


domingo, 9 de outubro de 2016

A traição sindical

Mário Nogueira (Fenprof) e o actual ministro da Educação: quem manda?

Vi ontem, num telejornal, duas notícias em sequência: na primeira, uma professora queixava-se de andar há anos a ser colocada de escola em escola por todo o País, estando agora a trabalhar num café por não ter arranjado lugar numa escola; na outra, uma escola do interior estava fechada por faltar qualquer coisa.
Este tipo de notícia não é uma novidade. O que é uma novidade é a falta de uma presença habitual: a dos sindicatos dos professores.
No caso da escola fechada, é estranho não haver professores, pais ou figurantes a protestarem com cartazes; no caso da professora, é estranho não haver um enquadramento: quantos há nestas condições neste começo de ano lectivo? Se o Ministério da Educação é lento a dar essas informações, havia quem de imediato as possuía: os sindicatos. Só que, neste caso, também não há sindicatos.
A situação nas escolas do ensino básico e secundário não se alterou sensivelmente, para lá da suspensão dos exames e da questão dos manuais escolares mais ou menos emprestados e à condição.
O orçamento das escolas continua a ser pobre, há professores e candidatos a professores sem trabalho, a indisciplina continua, os professores não beneficiam de melhores condições de trabalho, as carreiras continuam congeladas. Só que… ninguém protesta. Ou, mais precisamente, os sindicatos não protestam. Melhor: já não protestam.
Os sindicatos saíram de cena, calaram-se. E porquê? Já não conseguem fazer nada, ou conseguiram alcançar os seus objectivos, favorecendo os seus associados?
Não é o caso. A única explicação é, no caso dos sindicatos dos professores, o facto de estarem a cumprir a agenda dos partidos do Governo (PS, PCP e BE). E a única bandeira com que poderão acenar é com os benefícios obtidos para a função pública. Só que um deles (o das 35 horas de trabalho) em nada favorece os professores. E o outro (a revalorização salarial) favorece, no curto prazo, mas seria mais benéfico o descongelamento das carreiras, pelo alcance que teria a médio e longo prazo.
O silêncio dos sindicatos dos professores revela desse modo a sua dependência dos partidos, nomeadamente do PCP e do BE. Os dois partidos prometeram a “paz social” ao PS e decretaram que os sindicatos, e não só na educação, devem calar-se.
Os associados dos sindicatos dos professores e a classe profissional que sempre disseram defender foram traídos.
A palavra é essa: traição. E os seus dirigentes são, simplesmente, traidores.


(Publicado no Tomate.)


sábado, 8 de outubro de 2016

EDP - A Crónica das Trevas (68): às escuras

Às 7h09, quando me preparo para trabalhar (eu não trabalho só nos "dias úteis"), a luz desaparece.
Já há algum tempo que não há falhas na distribuição de electricidade, há algum tempo que não sou obrigado a explicar à estúpida criatura que me atende o telefone que não estou para ir às escuras à procura do "código de identificação local".
Voltamos portanto ao reino das trevas de uma empresa, a EDP, que vive à custa de todos nós, que mete milhões de euros num monumento à sua vaidade e que descura a manutenção das infraestruturas de que é proprietária em regime de monopólio absoluto.
Puta que os pariu!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Tão engraçadinhos que eles são







O idiota que inventou esta piada imbecil revela na perfeição a mentalidade e o programa ideológico da esquerda que tomou conta do Governo: uma visão retrógrada que ignora as particularidades do mundo em que vivemos e das pessoas que nele habitam.
Para esta gente, não há que trabalhar nos feriados. Só é preciso trabalhar quando o patrão ou o Governo mandam e, mesmo assim, sabendo que têm o salário garantido ao final do mês, também não precisam de se esforçar muito.
A realidade é, no entanto, mais complexa.
A economia e a o mercado existem aos feriados, assim como nos sábados e nos domingos.
Os centros comerciais não fecham, os supermercados também não.
Há empresas, sobretudo as mais pequenas, onde pode ser necessário trabalhar nesses dias.
Os trabalhadores independentes e os empresários por conta própria podem precisar de trabalhar nos feriados, porque há trabalho para fazer ou prazos a cumprir.
Quem fez a piada, e quem lhe acha graça, deve ser da função pública. Ou seja, do sector laboral que é, actualmente, o mais privilegiado de todos. Não têm trabalho. Têm emprego. À nossa custa.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Não, eles é que ganham




Não sou dos que pensam que um qualquer destaque de um conterrâneo ou compatriota numa outra dimensão geográfica seja de imediato um motivo de valorização dessa dita pessoa.
É como o manto de benevolência com que se aconchega cada morto público: era sempre uma excelente pessoa, incapaz de fazer mal ao seu semelhante.
Neste caso, o único ganho que vejo nisto (na bacoca manchete do "Público" e na percepção geral) é o que favorece Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e José Sócrates: deixaram de ter rival para as eleições presidenciais de 2021, o que poderia acontecer se a bondosa criatura andasse por cá. Ou então, mesmo dando-lhe o benefício da dúvida, como não é possível saber se ele conseguiria ser pior no cargo do que os acima citados, é realmente preferível nem fazer a experiência. Ainda bem que fica longe. 

domingo, 2 de outubro de 2016

A transferência da qualidade do cinema para a TV

"Os anos 70 foram os grandes dias do cinema de Hollywood, quando se faziam grandes filmes, filmes médios e pequenos filmes. Foi esse espaço de qualidade, entre os filmes de arte e ensaio e os 'blockbusters', que a televisão ocupou e é aí que os actores querem estar."
Esta observação do actor Sam Neill, em entrevista à revista "Empire" (n.º 328, Outubro de 2016), numa referência à sua participação na magnífica série "Peaky Blinders", ilustra bem o papel e o estatuto da ficção televisiva dos nossos dias: um terreno audiovisual intermédio onde se vai afirmando a qualidade em parte perdida pelo cinema que pode considerar-se tradicional e que começa a dividir-se entre as grandes produções e os "remakes" de êxitos e os filmes independentes ou de menor orçamento.
O futuro do cinema, ou da ficção audiovisual, em geral, passa todo por aqui. E nem sequer é difícil percebê-lo.


"Peaky Blinders", sem estreia nem "press releases" em Portugal,
é uma das melhores séries inglesas dos nossos dias

TV: "press releases" a mais e jornalismo a menos

Não há publicação dita "de referência" que, por exemplo, não anuncie a série televisiva "Luke Cage", com um super-herói secundaríssimo da Marvel numa produção da Netflix. Até pode ser que a série seja interessante, claro, e vê-la-ei quando puder.
Mas esta abundância é, mais uma vez, estranha: ao anúncio, vagamente noticioso, desta ou daquela série nunca se seguem uma referência crítica ou uma opinião.
Ao contrário do cinema (onde quase parece mais críticos de cinema do que espectadores nas salas), a televisão não existe além do "press release".
Será falta de profissionalismo, ignorância... ou ausência de episódios oferecidos para "visionamento"?