sábado, 30 de julho de 2016

Brincar à política à sombra de 2 milhões de euros



É confrangedor ver a polémica que se desenvolveu a propósito de um empréstimo de 2 milhões de euros a contrair pela Câmara Municipal de Caldas da Rainha para obras nas estradas e para construir um teatro.
A câmara tem uma dívida actual de 3,9 milhões de euros, parece querer amortizar uma parte e diminuí-la para 3,3 milhões... mas com o empréstimo passará, obviamente, para os 5,3 milhões de euros. É uma ninharia, claro, desde que haja munícipes à disposição do poder municipal para serem esmifrados à vontade.
O PS, o CDS e o PCP estiveram contra, com argumentos básicos. O MVC, estranhamente, votou a favor. São pormenores irrelevantes porque o PSD tem maioria absoluta e faz o que quer. E às vezes bem à vista de quem devia estar mais atento. Os pormenores estão contados pelos jornais "Jornal das Caldas" e "Gazeta das Caldas".
Sendo importante a questão do empréstimo, em si, é talvez mais importante olhar para ele em função do que câmara municipal quer fazer e do que já fez, no que se refere a obras públicas.
Recordemos as intermináveis obras feitas na capital do concelho, que começaram em 2012 (em função das eleições autárquicas do ano seguinte) e que chegaram a prolongar-se até 2014, delas resultando, basicamente, dois fenómenos urbanos bizarros: uma avenida de passeios alargados e desertos e um parque de estacionamento subterrâneo. E recordemos que, com as obras, foram beneficiadas numerosas empresas de construção que, em vários casos, não asseguraram os respectivos trabalhos.
A situação (e agora suportada por um empréstimo que todos deveremos pagar) repete-se: em 2017 há eleições autárquicas, é sempre conveniente "fazer obra" e... haverá mais (ou as mesmas?) empresas de construção a serem beneficiadas.
Em termos práticos, digamos que a gestão da Câmara Municipal de Caldas da Rainha procura tornar-se atractiva para os eleitores que se deslumbrarão com mais obras e para empresas que ganharão mais dinheiro. E o que é que a gestão de uma câmara municipal ganha com isso? Votos, pelo menos...
Se a oposição a este desastrado PSD da "nova dinâmica" fosse, no mínimo, competente e profissional, teria concentrado as suas atenções nestes pormenores, para lá da questão contabilística. Aliás, o MVC (que se entregou ao "canto de sereia" de um caudilho demagogo, hipotecando os votos recebidos em 2013) devia estar especialmente atento a uma situação destas. Se também fosse competente e profissional.
A política neste município é, no entanto, uma espécie de brincadeira de crianças. A oposição (que não se esforça muito por parecer que quer derrotar o PSD nas eleições) fica-se por jogos florais e a "situação" também nem precisa de se esforçar muito. Estão bem uns para os outros.




Título do "Jornal das Caldas" e uma obra mal executada numa "rua" do interior por uma das empresas "amigas" da câmara... há dois anos.



terça-feira, 26 de julho de 2016

Os críticos de cinema, o sofá da avó e os filmes (e séries) à borla

César Mourão, actor e apresentador de televisão (e que rejeita a classificação de humorista) recupera uma eterna polémica sobre a crítica, a propósito do "remake" de "A Canção de Lisboa", em que é um dos actores, numa entrevista ao suplemento "b.i." do jornal "Sol" do passado sábado.
Mourão, cuja proficiência profissional não posso apreciar, faz a dado passo umas afirmações interessantes:

"A única coisa que separa um crítico da minha avó é o sofá em que cada um se senta. O da minha avó se calhar é um sofá mais antigo, onde ela se senta há muitos anos, e gosta daquele maple, e se calhar já viu mais filmes do que um crítico. O que é que é um crítico? Uma pessoa que viu mais filmes e que sabe mais? (...) É uma pessoa normal que tem a cabeça dela e tem uma opinião (...) O crítico normalmente não paga um bilhete de cinema (...) Se calhar, se tivesse gasto cinco euros no filme, que muitos deles não têm dinheiro para os pagar, se calhar via o filme com outros olhos e dizia: 'espera aí que isto custou-me cinco euros, ainda assim'."

Nos dias de hoje, em que qualquer pessoa (não apenas nos blogues mas também na imprensa) pode fazer de crítico de cinema (ou de livros), a apreciação é sugestiva. E, independentemente da questão do sofá, talvez seja certeira no que se refere ao cinema à borla. Já era, quando eu fiz crítica de cinema, há mais de vinte anos.
Aliás, aplica-se por inteiro à "crítica" sobre as séries de televisão que vive... de quê? De materiais promocionais? De viagens promocionais para encontros com produtores, realizadores e actores? Do que se "saca" da internet? D
o que tenho visto (no "Expresso", por exemplo) e, ainda hoje, no "Observador", há muita gente a escrever sobre séries de televisão que não tem conhecimento da matéria.
É um domínio onde, aliás, também se reflectem muitas das opções da imprensa de hoje, no que em especial se refere à gritante impreparação de muita gente que dela faz, ou quer fazer, profissão.



Lixo BTT





São muito amigos da Natureza, os rapazes, lestos a pôr mas retardados a limpar...

Porque não gosto dos CTT (99): pelo menos foi entregue...

Uma carta que me era dirigida foi parar à Benedita. O destinatário, foi-me garantido, estava correcto. Bem, pelo menos não desapareceu...

domingo, 24 de julho de 2016

Para arejar o sovaquinho?


Ter a mão esquerda no volante e a direita na alavanca das mudanças não é uma posição de condução recomendável para toda a gente mas é viável. Conduzir com a mão e o braço esquerdos de fora, e num carro de volante à esquerda, é que me parece perigoso.
Pode, no entanto, resultar de uma necessidade imperiosa de arejar um sovaco mal lavado.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Jornal de animais

Descobri, por mero acaso, que o "Público" tem, pelo menos online, uma área (ou suplemento) sobre animais (aqui).
A ideia, embora pareça apenas esboçada, é simpática. Só é pena não se perceber se alguns textos são escritos por pessoas ou por... cães e gatos.

Porque não gosto dos CTT (98): três dias entre Porto e Lisboa


Perante isto, a viagem de três dias de uma carta do Porto para Caldas da Rainha é um verdadeiro recorde - foram só 180 horas para percorrer 230 quilómetros!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Reconstruindo "Orange is the New Black"




aqui me referi a "Orange is the New Black", a série ligeiramente iconoclasta em que ninguém parece ter reparado em Portugal: baseada no drama pessoal de uma jovem condenada por ajudar a traficar droga, relata a sua chegada e a sua estadia numa prisão, em cumprimento da pena.
A série, na sua origem, é talvez mais cómica do que dramática e nisso afasta-se do texto original do livro, com o mesmo título, da jovem Piper Chapman que, apesar de tudo, não cumpriu uma pena muito pesada.
Perante essa divergência, e com o livro (no tom e no conteúdo) a esgotar-se, os produtores da série fizeram na terceira temporada uma inflexão inteligente: deixaram Piper em roda livre (agora a lançar um negócio de cuecas muito usadas, a partir da prisão, para os entusiastas do olfato) e começaram a concentrar-se nos dramas pessoas das outras reclusas. A maior parte já as conhecemos das temporadas anteriores (1 e 2) e esse conhecimento torna mais fácil a aceitação deste novo rumo. Piper (Taylor Chilling), na sua perfeição imaculada, fica para trás e a série desenvolve-se ainda melhor e ganha uma nova vida.

[Vi a temporada três de "Orange is the New Black" numa edição em DVD da Lions Gate Television legitimamente adquirida.]