segunda-feira, 7 de abril de 2014

Idiotas com cão (4)

Salir do Porto: fato de treino delicadamente berrante, ar descontraído e cão sem trela a uma distância incontrolável.
O cão, ainda novo (a dona nem por isso), quer brincadeira e não parece hostil mas, se encontrar outro cão que lhe rejeite os avanços, haverá conflito? Não se sabe. Mas a dona não estará por perto para (tentar) controlar o próprio cão que, a avaliar pelo que se viu, não teve qualquer tipo de treino de obediência.
Aplica-se, no caso, o "anda cá" ou "vem cá" ou uma dessas expressões que traduzem a idiotice do bicho humana nestas circunstâncias, se destinam mais a impressionar (?) os vizinhos humanos do que os próprios cães que sabem, perfeitamente, que com gente desta quem manda são eles.
Pouco depois, caso idêntico (talvez houvesse uma passagem de modelos de fatos de treino berrantes), com grandes movimentações e o cão, cuja dona não levava água para ele beber, foi tentar matar a sede com a água entornada no chão por outro cão cujo dono, sabedor das necessidades caninos, lhe deu de beber depois do passeio.


"Anda cá, anda cá"...

Toda a gente ganha

Consideremos, por hipótese, que é inocente e perfeitamente bondosa a intenção governamental de favorecer o aumento do salário mínimo, de ensaiar um alívio da carga fiscal em 2015 ou mesmo de ter alterado o esquema do IRS em 2013 para garantir um aumento dos respectivos reembolsos este ano (o que poderá estar a acontecer). E que, portanto, isso nada tem a ver com o ciclo eleitoral que agora começou.
Será inteligente os partidos da "esquerda" começarem a criticar essas opções se, como é previsível, elas forem beneficiar largos sectores da população?
E, no que toca ao PS, o único partido que esteve (prolongadamente...) no Governo, já se esqueceram de como sempre fez exactamente o mesmo? E de como, já a caminho do abismo, baixou o IVA e aumentou os salários da função pública (e dos professores, indirectamente, ainda na década de 90)?
Do governo central (com especial impacto na função pública) às câmaras municipais (as reparações apressadas de vias), todos o fazem. E nem se arrependem os que o fazem nem o rejeitam os que beneficiam...

domingo, 6 de abril de 2014

Termas das Caldas: a proposta governamental põe de joelhos a Câmara Municipal

 
 
 
 
 
 
Já que a questão das termas (ou ex-termas) de Caldas da Rainha, no que se refere à proposta governamental, parece ter despertado poucas atenções, o que não deixa de ser estranho, regressemos ao tema.
A "Gazeta das Caldas" divulgou na sexta-feira passada as linhas gerais da proposta que a Câmara Municipal de Caldas da Rainha já recebeu (sem no entanto indicar o remetente). Essencialmente, são estas, e tudo à conta da câmara:

- construção de um novo hospital termal, reservando as actuais instalações (fechadas) para actividades turísticas e culturais;
- cedência do Parque D. Carlos  I e da Mata Rainha D. Leonor à câmara;
- direitos de exploração de água mineral natural com a designação "Caldas da Rainha";
- um investimento (obras) de 12,7 milhões de euros no prazo de cinco anos.

A proposta é interessante, ao revelar um conceito que é vantajosamente mais abrangente do que apenas a recuperação do hospital termal já existente.   
Não é preciso ter-se uma licenciatura espanhola na área do turismo para perceber que uma estância termal, mais do que um simples hospital termal, ganharia com uma oferta mais global de hotelaria e cultural que passasse pela reabilitação das ruínas do parque e mesmo com uma água de marca como merchandising. O concelho ganha com mais visitantes, e com as compras de bens e de serviços que eles fazem se o actual hospital termal "ressuscitasse", mas ganharia muitíssimo mais se pudesse tornar mais vasta a sua oferta, com as termas por centro e pretexto.
Poderemos pensar que se o Governo achasse que teria dinheiro para este investimento fá-lo-ia. Não o tendo, passa-o para a câmara que, diga-se a verdade, nunca soube posicionar-se pela positiva.
Queria as termas mas não queria gastar dinheiro e disse-o abertamente. E como não está, neste caso, a discutir obras públicas (e eventuais contrapartidas de âmbito privado), teria sido melhor usar de maior discrição.
 
Um presidente impotente
 
Agora, como popularmente se diz, o presidente da câmara, Tinta Ferreira, ficou (mais uma vez) com as calças na mão.
Em vez de fazer contactos discretos com potenciais investidores e de tentar negociar objectivos concretos com o Governo, expôs-se a uma situação destas: ser confrontado na praça pública com a sua própria impotência.
Não vejo que Fernando Costa, por exemplo, a quem se podem (e devem) fazer muitas críticas, tivesse caído numa cilada destas. Mas, como já escrevi, o actual presidente optou por conversar com o porteiro e depois foi tratado de alto. 
Por outro lado, se a atracção por obras de fachada (como o alargamento de passeios) tivesse sido contida, talvez houvesse dinheiro para as termas.
Neste processo, o presidente da câmara não fica bem na "fotografia". Disse que andava a negociar com o Governo mas nunca disse o quê (e pode-se pensar que Tinta Ferreira já sabia o que aí viria). Mas alheou-se do problema. Alheou-se da concorrência que, agora, fica ainda mais forte. Envolveu-se em obras a serem feitas todas ao mesmo tempo e, por este andar, o que caracterizará os seus quatro anos de governo municipal serão as "obras de Santa Engrácia" da cidade (de retorno zero) e situações ainda mais incontroláveis fora da cidade.
Em circunstâncias normais, numa gestão municipal normal, esta situação levaria o presidente da câmara a explicar-se, e com urgência. Cada dia que passa é mais um dia que permite constatar a ineficácia e a falta de dinamismo do que, por estranha ironia, chegou a ser apresentado como "nova dinâmica" de um PSD sem rumo.
Porque, muito simplesmente, sem dinheiro (milhões de euros) não voltará a haver termas na cidade de Caldas da Rainha.
Não vale a pena pensar em peregrinações a Bruxelas (mais valia irem a Fátima...) ou em mais grupos de trabalho. Ou conversações agora maculadas por esta espécie de enxovalho que também atinge todos os sectores políticos do concelho. Qualquer negociação, a haver e seja lá com quem for, partirá sempre de uma posição de fraqueza política.
Depois disto, aliás, talvez nem valha a pena pensar numa plataforma de consenso, que só poderia ter sido útil se o presidente da câmara fosse um intérprete interessado e competente da vontade política, social e empresarial do concelho. Não foi nem muito provavelmente será.
Como era previsível, o hospital termal continuará fechado. Os equipamentos continuarão a degradar-se. Tal como os míticos "pavilhões do parque", tornar-se-á uma casa de fantasmas.
E, ao lado, abrirão as Termas das Gaeiras. O investimento privado voltará a ir para Óbidos e o investimento público aguardará melhores dias, ou anos.
 
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O que já escrevi sobre este assunto pode ser lido aqui.
 
 
 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Caldas da Rainha: a câmara municipal tem 12,7 milhões de euros para relançar as termas?

Segundo a "Gazeta das Caldas" de hoje, em notícia de última hora, já é conhecida a proposta feita pelo Governo (o organismo que a fez é omisso) para a cedência do encerrado hospital termal à Câmara Municipal.
E ela implica, segundo o mesmo jornal, um dispêndio de 12,2 milhões de euros num prazo de cinco anos, para obras de recuperação e de adaptação do hospital termal (2,57 milhões de euros nos primeiros três anos) e de recuperação e adaptação dos pavilhões do Parque e da Casa da Cultura (9,7 milhões de euros em cinco anos). Num prazo que vai aos cinquenta anos, terá de ser gasta uma verba global de 20 milhões.
E agora? A Câmara Municipal, que gosta de obras ("às pinguinhas") mas diz que não tem dinheiro para outras coisas, vai entrar com o dinheiro? E se não entrar... adeus, termas? E... olá, Termas das Gaeiras?
E o que dizem agora os partidos da "oposição" e o MVC? E a imprensa local?  



Mortes do Meco: tudo por água abaixo?

O "Correio da Manhã", que chegou a dar como certo em manchete que o único sobrevivente das mortes do Meco iria ser arguido por homicídio, noticia hoje que o respectivo processo iria ser arquivado. Ou seja, seria dado por terminado e sem conclusões úteis para a "descoberta da verdade".
Se é verdade, e por muito tecnicamente correcta que seja a decisão, é tão mau como a prescrição dos banqueiros, ou pior ainda porque o bem em questão neste estranho imbróglio foi a vida humana.
Foram, aliás, várias as vidas humanas que se perderam e num clima de suspeita e de controvérsia sobre tudo o que aconteceu a seguir e que, como muitos outros casos, fica por esclarecer. 
E é pena.

Requisitos para o blogue ideal


... É conveniente ser-se "young adult", de preferência do sexo feminino, frequentadora de um meio (profissional ou académico) onde há mais gente do mesmo género que pode ser objecto de comentários, "single" (para poderem entrar em campo vários parceiros ou proto-parceiros), ter algumas preocupações sociais e uma adesão a qualquer movimento da moda ou "porque sim" (o Que se Lixe a Troika parece ter caído em desuso mas sindicatos é que não), mostrar fotografias banais com efeitos de luz, reproduzir diálogos com muitos "como assim?", meter alguns "WTF?" e algumas liberalidades de linguagem pelo meio (mas não muitas por causa dos membros mais velhos da família), incluir músicas de geração e chavões do Facebook, mostrar algum fetichismo por acessórios da moda, publicar alguns poemas de produção própria e de preferência amorosos, fazer referência a alguns livros ou revistas e revelar preferência por gatos e, quanto a cães, que sejam minúsculos e peludos ou que tenham formas estranhas.  

quinta-feira, 3 de abril de 2014

"A História dos Judeus", de Simon Schama: uma obra admirável

"A História dos Judeus", do historiador Simon Schama, é mais do que uma história, é mais "story" ("The Story of the Jews") do que "history" (mas a língua portuguesa não consegue acompanhar a diferença). É uma narrativa vibrante, é o que talvez devessem ser todos os livros sobre a História, uma narrativa apaixonante sobre a história de um povo, combinando um impressionante rigor científico com uma fluência admirável.
Simon Schama, autor de muitas outras obras históricas, faz o retrato da primeira parte dessa viagem que começa no ano 1000 a.C. e que vai até 1492 d.C., no período mais sombrio da perseguição aos judeus na Europa dessa época, partindo de um sugestivo ponto de vista: é a palavra, escrita e dita, que sustenta o judaísmo.
Simon Schama, judeu, não esconde nem renega as suas origens e o tom quase épico da sua história (que ilustra os pormenores e os principais motivos dessa vergonhosa perseguição) é depois bem amparado, cientificamente, por uma colecção pormenorizada de notas, bibliografia, mapas, uma cronologia e imagens.
Com o segundo volume previsto para o final deste ano, "A História dos Judeus" é acompanhado por uma série televisiva (de que aqui já falei) que complementa, sem nunca se sobrepor ou substituir, a obra literária.
Publicado em Portugal pela Temas e Debates/Círculo de Leitores, "A História dos Judeus - Encontrar as Palavras" foi uma das minhas traduções mais recentes.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Idiotas com cão (3)

Foz do Arelho, a caminho da Lagoa de Óbidos: um homem com um Lulu da Pomerânia ao colo e uma mulher com dois Lulus da Pomerânia completamente soltos, tipo bolas de cotão empurradas pelo vento.
No encontro com outro cão (pela trela), um dos Lulus parece pacífico mas o outro mostra-se agressivo.
"Não fazem mal, não fazem mal" e "Anda cá, anda cá" (que parecem ser os mantras dos idiotas que gostam de levar cães à solta sem qualquer tipo de controlo) mas foi a dona que quase correu para refrear os ímpetos das minúsculas criaturas, com o seu companheiro de passeio perfeitamente alheado da coisa.
Estes idiotas não têm a noção da figura triste que fazem nem do risco para os seus cães do "Não faz(em) mal" e do "Anda cá" que se sujeitam, às vezes, a apanhar uma dentada do outro cão ou um pontapé (legítima defesa...) do outro dono.
 
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Mais à frente, um procedimento correctíssimo de um dono inteligente: um passeante com um cão solto a que pôs imediatamente a trela ao ver outra pessoa com cão, interpondo-se no percurso entre o seu próprio cão e o cão alheio, que ia pela trela.

"The Good Wife": quem morre hoje...


Alicia Florrick (Julianna Margulies), Will Gardner (Josh Charles)
e Diana Lockhart (Christine Baranski): "morituri te salutant"...

"The Good Wife", temporada 5, episódio 15 (o penúltimo da temporada), hoje no canal Fox Life: uma das personagens centrais morre em cena, porque quem interpreta essa personagem chegou ao fim do seu contrato e quer ir fazer outras coisas.
É uma solução que começa a ficar banalizada e que já aconteceu em "Downton Abbey". Por isso mesmo começa a tornar-se um expediente débil.
As mortes inesperadas de personagens de primeira linha foram mais "naturais" na série "Guerra dos Tronos", quer no "casamento vermelho" quer no caso de Ned Stark (apesar de o seu desaparecimento ser quase inevitável porque já todos sabemos que praticamente todas as personagens interpretadas por Sean Bean têm mortes prematuras).



terça-feira, 1 de abril de 2014

A incompetência também é uma mentira


E, como tal, é útil recordar neste 1.º de Abril que a Câmara Municipal de Caldas da Rainha da "nova dinâmica" está há um ano (menos uma semanita, para sermos rigorosos, desde 8 de Abril de 2013) para completar uma obra simples: a substituição de uma conduta de água e a repavimentação do piso em 1100 metros de rua.
A história tenho-a contado neste blogue e o apontamento mais recente encontra-se aqui.
Daqui por uma semana será altura de assinalar o primeiro aniversário desta extraordinária demonstração de incompetência à qual nem faltou uma mentira descarada: a de que a repavimentação se faria no final do Verão... do ano passado.



 
No que concerne à reposição total de pavimentos, a mesma ocorrerá na sequência do concurso aberto pela Câmara Municipal em 22/04/2013, denominado “Reparação de Vias na Zona Poente/2013 – Salir do Porto, Serra do Bouro, Tornada, Nadadouro e Foz do Arelho”, que se encontra em fase de apreciação de propostas, sendo previsível o início das obras de pavimentação no final do verão de 2013. - Comunicado da Câmara Municipal de Caldas da Rainha na "Gazeta das Caldas" em 22 de Junho de 2013.