sexta-feira, 4 de abril de 2014

Caldas da Rainha: a câmara municipal tem 12,7 milhões de euros para relançar as termas?

Segundo a "Gazeta das Caldas" de hoje, em notícia de última hora, já é conhecida a proposta feita pelo Governo (o organismo que a fez é omisso) para a cedência do encerrado hospital termal à Câmara Municipal.
E ela implica, segundo o mesmo jornal, um dispêndio de 12,2 milhões de euros num prazo de cinco anos, para obras de recuperação e de adaptação do hospital termal (2,57 milhões de euros nos primeiros três anos) e de recuperação e adaptação dos pavilhões do Parque e da Casa da Cultura (9,7 milhões de euros em cinco anos). Num prazo que vai aos cinquenta anos, terá de ser gasta uma verba global de 20 milhões.
E agora? A Câmara Municipal, que gosta de obras ("às pinguinhas") mas diz que não tem dinheiro para outras coisas, vai entrar com o dinheiro? E se não entrar... adeus, termas? E... olá, Termas das Gaeiras?
E o que dizem agora os partidos da "oposição" e o MVC? E a imprensa local?  



Mortes do Meco: tudo por água abaixo?

O "Correio da Manhã", que chegou a dar como certo em manchete que o único sobrevivente das mortes do Meco iria ser arguido por homicídio, noticia hoje que o respectivo processo iria ser arquivado. Ou seja, seria dado por terminado e sem conclusões úteis para a "descoberta da verdade".
Se é verdade, e por muito tecnicamente correcta que seja a decisão, é tão mau como a prescrição dos banqueiros, ou pior ainda porque o bem em questão neste estranho imbróglio foi a vida humana.
Foram, aliás, várias as vidas humanas que se perderam e num clima de suspeita e de controvérsia sobre tudo o que aconteceu a seguir e que, como muitos outros casos, fica por esclarecer. 
E é pena.

Requisitos para o blogue ideal


... É conveniente ser-se "young adult", de preferência do sexo feminino, frequentadora de um meio (profissional ou académico) onde há mais gente do mesmo género que pode ser objecto de comentários, "single" (para poderem entrar em campo vários parceiros ou proto-parceiros), ter algumas preocupações sociais e uma adesão a qualquer movimento da moda ou "porque sim" (o Que se Lixe a Troika parece ter caído em desuso mas sindicatos é que não), mostrar fotografias banais com efeitos de luz, reproduzir diálogos com muitos "como assim?", meter alguns "WTF?" e algumas liberalidades de linguagem pelo meio (mas não muitas por causa dos membros mais velhos da família), incluir músicas de geração e chavões do Facebook, mostrar algum fetichismo por acessórios da moda, publicar alguns poemas de produção própria e de preferência amorosos, fazer referência a alguns livros ou revistas e revelar preferência por gatos e, quanto a cães, que sejam minúsculos e peludos ou que tenham formas estranhas.  

quinta-feira, 3 de abril de 2014

"A História dos Judeus", de Simon Schama: uma obra admirável

"A História dos Judeus", do historiador Simon Schama, é mais do que uma história, é mais "story" ("The Story of the Jews") do que "history" (mas a língua portuguesa não consegue acompanhar a diferença). É uma narrativa vibrante, é o que talvez devessem ser todos os livros sobre a História, uma narrativa apaixonante sobre a história de um povo, combinando um impressionante rigor científico com uma fluência admirável.
Simon Schama, autor de muitas outras obras históricas, faz o retrato da primeira parte dessa viagem que começa no ano 1000 a.C. e que vai até 1492 d.C., no período mais sombrio da perseguição aos judeus na Europa dessa época, partindo de um sugestivo ponto de vista: é a palavra, escrita e dita, que sustenta o judaísmo.
Simon Schama, judeu, não esconde nem renega as suas origens e o tom quase épico da sua história (que ilustra os pormenores e os principais motivos dessa vergonhosa perseguição) é depois bem amparado, cientificamente, por uma colecção pormenorizada de notas, bibliografia, mapas, uma cronologia e imagens.
Com o segundo volume previsto para o final deste ano, "A História dos Judeus" é acompanhado por uma série televisiva (de que aqui já falei) que complementa, sem nunca se sobrepor ou substituir, a obra literária.
Publicado em Portugal pela Temas e Debates/Círculo de Leitores, "A História dos Judeus - Encontrar as Palavras" foi uma das minhas traduções mais recentes.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Idiotas com cão (3)

Foz do Arelho, a caminho da Lagoa de Óbidos: um homem com um Lulu da Pomerânia ao colo e uma mulher com dois Lulus da Pomerânia completamente soltos, tipo bolas de cotão empurradas pelo vento.
No encontro com outro cão (pela trela), um dos Lulus parece pacífico mas o outro mostra-se agressivo.
"Não fazem mal, não fazem mal" e "Anda cá, anda cá" (que parecem ser os mantras dos idiotas que gostam de levar cães à solta sem qualquer tipo de controlo) mas foi a dona que quase correu para refrear os ímpetos das minúsculas criaturas, com o seu companheiro de passeio perfeitamente alheado da coisa.
Estes idiotas não têm a noção da figura triste que fazem nem do risco para os seus cães do "Não faz(em) mal" e do "Anda cá" que se sujeitam, às vezes, a apanhar uma dentada do outro cão ou um pontapé (legítima defesa...) do outro dono.
 
*
 
Mais à frente, um procedimento correctíssimo de um dono inteligente: um passeante com um cão solto a que pôs imediatamente a trela ao ver outra pessoa com cão, interpondo-se no percurso entre o seu próprio cão e o cão alheio, que ia pela trela.

"The Good Wife": quem morre hoje...


Alicia Florrick (Julianna Margulies), Will Gardner (Josh Charles)
e Diana Lockhart (Christine Baranski): "morituri te salutant"...

"The Good Wife", temporada 5, episódio 15 (o penúltimo da temporada), hoje no canal Fox Life: uma das personagens centrais morre em cena, porque quem interpreta essa personagem chegou ao fim do seu contrato e quer ir fazer outras coisas.
É uma solução que começa a ficar banalizada e que já aconteceu em "Downton Abbey". Por isso mesmo começa a tornar-se um expediente débil.
As mortes inesperadas de personagens de primeira linha foram mais "naturais" na série "Guerra dos Tronos", quer no "casamento vermelho" quer no caso de Ned Stark (apesar de o seu desaparecimento ser quase inevitável porque já todos sabemos que praticamente todas as personagens interpretadas por Sean Bean têm mortes prematuras).



terça-feira, 1 de abril de 2014

A incompetência também é uma mentira


E, como tal, é útil recordar neste 1.º de Abril que a Câmara Municipal de Caldas da Rainha da "nova dinâmica" está há um ano (menos uma semanita, para sermos rigorosos, desde 8 de Abril de 2013) para completar uma obra simples: a substituição de uma conduta de água e a repavimentação do piso em 1100 metros de rua.
A história tenho-a contado neste blogue e o apontamento mais recente encontra-se aqui.
Daqui por uma semana será altura de assinalar o primeiro aniversário desta extraordinária demonstração de incompetência à qual nem faltou uma mentira descarada: a de que a repavimentação se faria no final do Verão... do ano passado.



 
No que concerne à reposição total de pavimentos, a mesma ocorrerá na sequência do concurso aberto pela Câmara Municipal em 22/04/2013, denominado “Reparação de Vias na Zona Poente/2013 – Salir do Porto, Serra do Bouro, Tornada, Nadadouro e Foz do Arelho”, que se encontra em fase de apreciação de propostas, sendo previsível o início das obras de pavimentação no final do verão de 2013. - Comunicado da Câmara Municipal de Caldas da Rainha na "Gazeta das Caldas" em 22 de Junho de 2013.

 

domingo, 30 de março de 2014

Hospital termal: entre o alargamento dos passeios e o Pai Natal enquanto se conversa com o porteiro

O hospital termal de Caldas da Rainha está fechado. É uma instituição que tem um valor histórico significativo e que poderia ter um valor económico importante para o concelho. Há dinheiro para alargar passeios mas para o hospital termal não, e toda a gente parece estar à espera do Pai Natal.
A situação foi abordada recentemente na Assembleia Municipal e a "Gazeta das Caldas" desta semana fornece elementos interessantes para permitir fazer um ponto de situação.
 
 
400 mil euros mas só para alargar passeios - A "ressurreição" do hospital custa, pelo menos, 400 mil euros numa perspectiva de alargamento e de melhoria da oferta. A sua tutela cabe, actualmente, ao Estado. Note-se que as obras que decorrem na Avenida 1.º de Maio (que consistiram, principalmente, no alargamento dos passeios e na criação de uma rotunda com um repuxo junto à moribunda estação ferroviária) custam, pelo menos, 400 mil euros. Por mais controversa que possa ser a comparação, é útil ponderar quais os benefícios que se tiram do alargamento de passeios numa avenida por onde pouca gente anda a pé e sem muito comércio e quais os benefícios de um hospital termal capaz de chamar à cidade e à região milhares de visitantes por ano.

Um presidente de câmara municipal tipo director-geral - A posição da Câmara Municipal de Caldas da Rainha e do seu presidente oscila entre o enfado e o desinteresse. A Câmara não quer "património" e, traduzindo por miúdos, não quer investir no que não é seu. A possibilidade de uma concessão por parte do Estado é matéria para umas conversações prolongadas (na lógica do "não é para se fazer mas para se ir fazendo") com a Direcção-Geral do Tesouro e já chega. Um presidente de câmara realmente interessado traria um ministro à capital do concelho e abriria um processo negocial. Mas este, possivelmente, não quer, não consegue, não sabe como se faz ou... não lhe passam cartão. A direcção-geral depende sempre do secretário de Estado, o secretário de Estado depende do ministro. Estar, neste caso, a falar com a Direcção-Geral do Tesouro ou com o porteiro do Ministério das Finanças na Praça do Comércio é perfeitamente igual. O presidente de câmara que nos calhou em desgraça ainda convidou Pedro Santana Lopes, na qualidade de presidente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mas este não deu sinais de grande interesse. Facilmente se percebe que qualquer potencial investidor ficará sempre desconfiado quanto ao que se pretende fazer numa cidade esventrada, calamidade que deve ser caso único no país, e recomenda-se à vereação e presidente de Caldas da Rainha que leiam o que escreveu Santana Lopes na passada sexta-feira no "Correio da Manhã".

A desorientação dos partidos - Se, dispondo de meios, a câmara (PSD) não sabe o que há de fazer, os restantes partidos sabem ainda menos e o que se vê são lamentáveis manifestações de impotência, tanto mais vergonhosas quanto o PS, o CDS, o PCP e o BE estiveram, e têm estado, em posição, na câmara e na Assembleia Municipal, de evitar que as coisas chegassem a este ponto. Entre o PS, que quer ir em peregrinação a Bruxelas, e o CDS, que quer mais estudos, é o "venha o Diabo e escolha". Quanto a nós, só poderemos (voltar a) escolher em 2017.
 
Uma proposta pragmática do MVC - O MVC, o movimento independente que começou a alterar o xadrez político de Caldas da Rainha nas eleições de Setembro de 2013, foi mais pragmático e, pela voz de José Rafael Nascimento, propôs uma "carta de princípios, objectiva e consensual" como base para uma decisão, enquanto Edgar Ximenes, defendendo uma visão mais abrangente de Caldas da Rainha como cidade termal, punha o dedo na ferida: "Pior do que a 'legionella', a contaminação ideológica é que pode estragar tudo". E a contaminação ideológica tem esses sintomas: desorientação absoluta.

 
Um processo negocial com o Estado (e nunca a nível de direcção-geral...) e com potenciais investidores (num estabelecimento termal e no aproveitamento turístico dos pavilhões), com base numa "carta de princípios" urgente, é a única forma de recuperar muito do que se perdeu e de relançar o hospital termal, "sob pena de, por excessivo protelamento e eventual ruína, nunca mais o poder fazer", como salientou Edgar Ximenes.
A elite caldense, que objectivamente votou ao desprezo o hospital termal (e tudo o que possa trazer visitantes de fora ao concelho e à cidade), está ainda e tempo de seguir este rumo e de fazer o seu acto de contricção.
Pode ser que não o saibam mas não há nenhum Pai Natal que "ressuscite" o hospital termal. 

sábado, 29 de março de 2014

Há mesmo fantasmas nas Caldas da Rainha

 
Já não há só fantasmas, ou outras manifestações sobrenaturais, na Praça da Fruta. Agora também chegaram à Avenida 1.º de Maio cujas obras o jornal regional "Gazeta das Caldas" se viu mais uma vez obrigado a reconhecer que estão "atrasadas".
Em 1400 caracteres de um texto bem destacado no canto superior esquerdo da sua primeira página, na edição desta semana, a "Gazeta" consegue nunca afirmar de modo taxativo que a responsabilidade destas obras e de outras (cuja metodologia critica) é a Câmara Municipal de Caldas da Rainha, que nem conseguirá (segundo se depreende do texto) assegurar que as restantes obras não vão pelo mesmo caminho.
Portanto, a autoria das obras há de ser de um qualquer fantasma, espírito maligno (pelo muito que têm sofrido os habitantes locais) ou qualquer outra entidade sobrenatural.
Que, exactamente por ser sobrenatural, nunca é criticada pelo mesmo jornal.
Neste caso, lido o texto, vai-se à procura da tradicional coluna de bota-abaixo da última página, na esperança de ver esse estranho fantasma com seta para baixo e, surpresa das surpresas, quem aí aparece é a ministra das Finanças.
A propósito das obras "atrasadas"? Não, apenas por não ter tido "um mínimo de inteligência" por a "Fatura da Sorte" não sortear... "automóveis híbridos, ou mesmo eléctricos". 
De facto, como se sabe, Caldas da Rainha é o concelho de Portugal onde mais dispositivos existem para carregar carros eléctricos.


Ele há fantasmas...
 

quinta-feira, 27 de março de 2014

"Braquo", de Olivier Marchal: tudo e mais alguma coisa


aqui escrevi sobre "Engrenages", uma série policial francesa que mostrou que não é só nos EUA que se fazem séries de alta qualidade. "Braquo" é outro exemplo interessante, a vários níveis.
Assentando no modelo de um grupo de polícias que, neste caso, andam mais pelo lado errado da lei do que pelo lado certo, "Braquo" é da autoria de Olivier Marchal (ex-polícia, argumentista e actor) e desenvolveu-se em três andamentos: a primeira temporada em 2009, a segunda em 2011 e a terceira já este ano.
Há uma diferença assinalável de tom entre as duas primeiras temporadas (as únicas que se podem ver em DVD) e essa diferença ilustra todas as opções do "thriller" televisivo e das vantagens que a televisão oferece (ambas as temporadas têm oito episódios, com cerca de 50 minutos cada).
Na primeira temporada, a história é mais intensa e mais contida, menos movimentada mais de uma violência interior e sombria que a torna quase deprimente. Mas na segunda tudo muda e irrompe uma história de política e ex-militares, com uma cobiçada super-arma e até o presidente de Angola (com o sugestivo apelido de Luisiadas) e desenvolvimentos que a tornam confusa.
O contraste entre as duas temporadas ilustra bem o que pode ser uma opção mais intelectual por oposição a uma opção mais popular e a primeira sai distintamente a ganhar.
De qualquer modo, e na dúvida (sem conhecer a temporada 3), recomendo-a. A quem gosta do género e a quem, na televisão portuguesa, teria a obrigação de procurar outras inspirações...
 

Quatro polícias quem sempre parecem sê-lo