quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Turismo em Caldas da Rainha: a "rolote" e a retrete

 
 
Uma rulote e uma retrete portátil - eis o que significa o turismo em Caldas da Rainha.
Esta imagem tão sugestiva encontra-se, com a dita rulote umas vezes aberta tipo esplanada e outras fechada, no único miradouro existente em toda a extensão da costa atlântica que, entre a baía de São Martinho do Porto e a praia da Foz do Arelho, forma a fronteira leste do concelho.
Do miradouro, que deve ter sido a única boa ideia de um presidente de junta que nada mais recomenda, vê-se a imensidão do Oceano Atlântico, parte das falésias e as Berlengas e, com sorte, até se avista Peniche.
Mas depois há este monumento ao mau gosto e à chico-espertice nacional, caracterizando bem o que a elite política da cidade de Caldas da Rainha, que desconhece e despreza o resto do concelho, pensa em matéria de turismo.
O mau gosto é a religião deles...

Idiotas com cão (1)

Praia de Salir do Porto, Caldas da Rainha, 11h10.
Um sénior anafado com dois cães grandes e sem trela... nenhuma.
Chama-os, eles aproximam-se com relutância, a criatura tem de se baixar para agarrar (?) os dois cães pelo pescoço e ao homem que passa com um cão mais pequeno pela trela diz para andar mais depressa para soltar os dois cães.
Vinte minutos depois, noutro local da praia, o mesmo sénior (que de facto se desloca pesadamente) faz um desvio pelas dunas a chamar aos berros os dois cães para não se cruzar com o mesmo homem que, com alguma atenção, manda o seu cão sentar-se, para esperarem os dois que passem o idiota e os seus cães.
Pouco depois, mais três, desta feita mais novos, todos contentes com um minúsculo buldogue francês, que se aproxima do mesmo homem, que mantém o mesmo cão pela trela. "Não faz mal, não faz mal", garantem os três em uníssono sobre o buldogue francês. E depois lá continuam entre a praia e as dunas.
Algum destes cães aparecerá "perdido" no Facebook um dia destes?

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Cinco meses depois, a propósito de um vidro partido e do encerramento do hospital termal

 
Um vidro partido no Hospital Termal (fechado) de Caldas da Rainha deu origem a um episódio movimentado do tipo "agarrem-me senão eu bato-lhes".
A propósito, publico novamente o que escrevi há cinco meses com o título "As termas das Caldas acabaram" e que pode ser lido na íntegra aqui:
 
As termas e o hospital termal de Caldas da Rainha são, nesta altura, um processo bloqueado. Localizadas no centro da cidade, são relativamente importantes para o concelho (pela tradição, que não alimenta ninguém, e pelo dinheiro que os seus frequentadores podem deixar na cidade nos sectores da hotelaria e da restauração). Mas, pela sua localização, não são convidativas para os visitantes (turistas potenciais) que se deslocam em carro próprio.
(...)
A polémica sobre as termas e o hospital termal de Caldas da Rainha dura há meses. As elites políticas de Caldas da Rainha deixaram-se enredar em debates estéreis sem, como já é costume, perceberem que há mais mundo para lá das muralhas da cidade. Agora... nem sabem o que hão de dizer. Ou, então, não percebem nada do que está a acontecer. Não são diferentes da elite bizantina que, segundo a lenda, se entretinha a debater o sexo dos anjos quando já tinha o inimigo à porta.
O bloqueio mental das elites caldenses dá habitualmente nisto: perdem-se em campanhas cegas e não são capazes de ver a realidade. Andaram entretidos aos gritos por causa do Hospital das Caldas e não serviu para nada.
(...) 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Garantir a segurança das pessoas ou alargar passeios (2)?

Na Avenida 31 de Janeiro, em Caldas da Rainha, mesmo nas barbas da PSP, as passadeiras de peões mal se vêem.
Para a Câmara Municipal de Caldas da Rainha é mais importante lançar obras faraónicas para alargar passeios do que garantir a segurança das pessoas por meio da repintura da sinalização que as protege.








Este tipo de segurança pública não deve fazer parte da "job description"
da Polícia de Segurança Pública...



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Um argumento coxo, outro que convinha explicar melhor, uma asneira de todo o tamanho e o "tarde piaste" do costume

 
Obras tipo cidade bombardeada...
 
O presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, Tinta Ferreira, Dr., brandiu duas justificações para o arrastamento das obras que, de uma ponta à outra, dilaceram a cidade de Caldas da Rainha. Vale a pena atender aos pormenores.
 
1 - Penso que seria útil existir uma prova de aptidão para acesso à posição de candidato a presidente de câmara que tivesse pelo menos uma pergunta eliminatória, com duas alíneas: "Costuma chover em Portugal no Outono e no Inverno?" e "Quais são os meses que podem ser considerados de Outono e de Inverno?"
Se isto acontecesse deixaria de haver tantos atrasos em obras públicas justificados com o argumento da chuva porque quem não soubesse se chove em Portugal em, pelo menos, Novembro, Dezembro, Janeiro e Fevereiro, nunca chegaria a um cargo de responsabilidade como presidente, ou vice-presidente, de uma câmara municipal, "chumbando" nessa prova de acesso.
Estas obras em Caldas da Rainha começaram em Agosto ou Setembro do ano passado e Tinta Ferreira, Dr., já era presidente por herança de Fernando Costa e é difícil conceber que não percebesse que as suas gloriosas obras iriam decorrer no principal período de chuvas em Portugal continental.
O argumento da chuva, que agora ergue em sua defesa, é por isso muito débil. Foi apanhado de surpresa... pela chuva?!
Não se arranja melhor?
 
2 - O outro argumento para o atraso nas obras é da "insolvência" das empresas. Tinta Ferreira, Dr., não dá exemplos mas há neste argumento qualquer coisa de inquietante: uma câmara municipal entrega obras públicas a empresas que já estavam numa situação económica e financeira muito difícil (uma falência "normal" não acontece, em geral. da noite para o dia...) sem saber se elas conseguem cumprir aquilo para que são contratadas e se têm dinheiro para comprar materiais e contratar pessoal?
Também há nisto algo de estranho.
 
3 - Estas obras, que esventram a cidade de uma ponta à outra, estão desenrolar-se todas ao mesmo tempo. Não teria sido preferível (e mais cuidadoso) fazê-las por fases?
Quem mora nos locais afectados tem de lá ficar. Quem lá tem de ir (serviços públicos, etc) mete-se ao caminho e logo se vê. Mas quem não tem obrigação de lá ir... não vai.
Compras? Fazem-se nos supermercados ou no Vivaci. E os eventuais visitantes (que ainda os há)? Alguém se meterá, de carro ou a pé, numa cidade que na prática está inteiramente devastada por obras? Só os fãs do turismo de catástrofes.
 
4 - Na semana passada, os comerciantes protestaram. Cinco meses depois de começadas as obras perceberam o impacto que elas podem nos seus negócios. É uma situação a que aplica o "tarde piaste".
Assistiram sossegados ao começo da catástrofe, terão pensado que o destino os pouparia, que a câmara de Tinta Ferreira, Dr., era amiga deles... Agora já perceberam.
E deviam começar a perceber também que vão ter a cidade neste estado até, pelo menos, ao Verão e que, à semelhança do que aconteceu no Porto, bem podem começar a pensar em processar a Câmara Municipal pelos prejuízos que vão acumular. Não faltarão na cidade advogados dispostos a representá-los.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014


310 dias de incompetência

 
Há 10 meses e 10 dias (310 dias), em Abril do ano passado, começaram as obras de substituição de uma conduta de água em 1100 metros de uma rua da freguesia de Serra do Bouro (Caldas da Rainha). A empresa contratada para o efeito (Guilherme e Neves Construções Lda) ganhou 76 mil euros (talvez com o IVA já incluído) e deixou de executar a sua gloriosa tarefa em Outubro do ano passado, depois de várias repavimentações falhadas e diversas tentativas de tapar buracos com terra e pedras soltas que a chuva se encarregava de levar.
 
Em Junho desse ano, a empresa Cimalha - Construções da Batalha SA foi contratada por um valor global de 1 038 040 euros (com IVA incluído) para "repavimentar" várias ruas em várias freguesias de Caldas da Rainha e nesta mesma rua da Serra do Bouro (obra que lhe renderia 21 047,25 euros, com IVA incluído). Também começou a fazer a mesma asneira da sua predecessora, tapando buracos com terra e pedras soltas até se decidir pela "repavimentação" a que estava obrigada. A "repavimentação" ficou a meio. Ou ficou mal feita. Quem souber, ao certo, que diga.

A Câmara Municipal de Caldas da Rainha não consegue, não quer ou não pode controlar a situação. Contratou as empresas mas não parece fiscalizar com rigor o que elas andam a fazer. Esta rua fica longe, muito longe, da Câmara: entre 10 a 12 quilómetros de distância, dependendo da estrada utilizada. Chegou em Junho do ano passado a prometer a "repavimentação" para o "final do verão" de 2013.
  
Noutro local da Serra do Bouro, onde a berma de uma estrada ainda alcatroada ruiu, o pessoal da Cimalha rasgou e levantou há duas semanas a camada de alcatrão existente. E nunca mais foi visto.

 

 
 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Salir do Porto, o patinho feio


Caldas da Rainha, cidade, despreza (e odeia) Caldas da Rainha, concelho.
A elite citadina deve considerar os restantes cidadãos do concelho campónios atrasados e a sua região uma espécie de "wasteland".
O interior rural, a leste, é um horror para eles. A oeste, a fronteira com o Oceano Atlântico terá... o quê? Água a mais? Deve ter sido por tudo isto que as freguesias da periferia foram "arrastadas" para a cidade. O que acaba por só ter uma importância simbólica porque a sua ausência nem se nota.
Só se dá pela Foz do Arelho quando há más notícias, a Lagoa de Óbidos é tratada com o maior desmazelo, o tal plano turístico para a frente de mar (o misterioso Plano de Pormenor da Estrada Atlântica) morreu sufocado por um pacto de silêncio entre os vários partidos autárquicos que devem ter necessitado de esconder alguma coisa e Salir do Porto deve ser para eles...uma coisa com água.
A norte do concelho, mal se distinguindo geograficamente de São Martinho do Porto (não queiram mudar-se para as Caldas, deixem-se ficar em Alcobaça, que ao menos lhes dá visibilidade), Salir do Porto é uma espécie de patinho feio.
A praia junto à povoação não é convidativa mas é bonita, o passeio entre Salir e São Martinho é uma maravilha cénica à beira-mar, a zona de praia que dá para a baía de São Martinho guarda as distâncias relativamente ao perfil urbanístico algarvio dessa vila e é sossegada, a povoação é uma tranquilidade quase absoluta e toda a zona tem uma aparência vagamente inexplorada e é aí que fica um dos melhores restaurantes da região, o Naco na Pedra. E mesmo a piscina, de cuja exploração não há notícias, não se impõe à praia.
Salir do Porto, que nem sequer está sujeita às depredações do mar e à incúria das pessoas, podia ser um "ex libris" turístico do concelho de Caldas da Rainha, como muitos outros pontos, aliás, e com isso trazer visibilidade e receitas à região.
Mas não se nota que os poderes públicos estejam interessados.
Um dia ainda se descobre que esta omissão, como outras, se deve ao facto de os ocupantes desses poderes públicos não assegurarem nada de valor patrimonial para si próprios e que, por isso, se desinteressam...
 
 
A passagem de madeira, apesar das zonas destruídas (pelo mau tempo?),
continua a ser um belo percurso para passear
 


O lamentável perfil algarvio de São Martinho do Porto
 


São Martinho do Porto vista da praia de mar de Salir do Porto
 

Que a bebam os outros?

 
Se a água da rede pública é tão boa, porque a água é pública, é da rede pública e é tão boa, por que raio é que há tanta gente, e os defensores do "serviço público", a beber água engarrafada?

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Os Livros do Lars recorda "Crimes Solitários"

Os Livros do Lars, de Lars Gonçalves, destaca "Crimes Solitários", o meu romance de estreia, em 2004, com uma opinião que pode ser lida aqui na íntegra. Um excerto sugestivo:
 

Sem ter um ritmo tão frenético, e um enredo mais previsível, normal por se tratar do primeiro livro escrito, não deixou de ser uma obra que me conseguiu agarrar. Pedro Garcia Rosado é, sem dúvida, um autor que merece maior notoriedade no panorama nacional.
Avaliação: 7 - 20.


O meu romance de estreia, há dez anos
 
 

Mais explicadinho e com "boneco" para ver se eles percebem melhor...


Uma demonstração de como a incompetência pode ser perigosa, nesta extraordinária "joint venture" entre a Cimalha (empresa de construção civil que ganhou dois concursos públicos em Caldas da Rainha no valor de 1 038 040 euros) e a Câmara Municipal de Caldas da Rainha, que começou há 300 dias com a simples substituição de uma conduta de água (que deu a ganhar a outra empresa 76 mil euros).