... que muitas das obras deste género não têm qualquer projecto ou tipo de estudo ou, por vezes, nem orçamento e que há "contas correntes" estabelecidas com alguns empreiteiros ditos "da câmara" em jeito de "nova dinâmica". Deve ser um mero boato, com certeza.
sábado, 7 de dezembro de 2013
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
A "troika" é má, Tinta Ferreira é bom e Fernando Costa... era um malvado, claro!
"A Semana do Zé Povinho" da "Gazeta das Caldas" dispara hoje furiosamente sobre a "troika", numa extraordinária mistura de conceitos e de circunstâncias, chegando a afirmar que "os portugueses não vão esquecer o que lhes foi feito" e esquecendo que foram "os portugueses" que pediram a intervenção da malvada "troika" em 2011.
Isto acontece na última página.
Na primeira, a "Gazeta" anuncia as recentes decisões em matéria fiscal da maioria PSD da Assembleia Municipal. E a mais polémica (que é a redução da percentagem de IRS a devolver aos contribuintes) aparece discretamente nas últimas linhas. Aqui já não há maldade nenhuma.
Voltando ao "Zé Povinho", encontramos o principal responsável local por esta alteração do IRS. Mas criticado por esta medida? Não, nunca.
Tinta Ferreira merece até um elogio indirecto, com uma significativa invocação de um santo, porque garantiu que as obras que vão lançar o caos na cidade vão decorrer no prazo previsto.
Ao contrário, claro, dos "prazos a derrapar" e das "alterações ao sabor das circunstâncias" que, segundo Tinta Ferreira citado sem aspas pela "Gazeta", caracterizariam Fernando Costa.
Portanto: a "troika" é má mas Tinta Ferreira é bom,
E Fernando Costa? É mau, pois claro. Fazia essas coisas horrorosas às obras públicas e até tinha como bandeira aliviar a carga fiscal em Caldas da Rainha... Aumentá-la, como agora faz o seu herdeiro, é que é bem bom.
A ver se percebem...
Vamos lá a ver se consigo explicar bem o meu ponto de vista para não chocar com os aparentes défices cognitivos de alguns autarcas locais:
1- Esta velha peça de mobiliário, danificada e manchada, que se encontra há dois meses na margem caldense da Lagoa de Óbidos, é lixo. É um resíduo sólido. Ninguém o quererá comprar ou usar. Mesmo que alguém o possa encarar como objecto artístico, integrado numa qualquer performance artística tipo "grafiti", é lixo.
2 - A Lagoa de Óbidos ainda consegue ser uma das mais bonitas vistas do concelho de Caldas da Rainha (e do concelho de Óbidos), capaz de atrair visitantes, de dentro e de fora do concelho.
3 - Esses visitantes deixam sempre dinheiro no concelho (em pastelarias, cafés, restaurantes, bombas de gasolina, hotelaria, supermercados... e, num concelho capaz de olhar inteligentemente para o turismo, lojas de recordações e de artesanato). O turismo pode ser uma fonte de receitas e de criação de emprego.
4 - O lixo atrái o lixo. Talvez não seja necessário demonstrá-lo. Basta percorrer o concelho.
5 - A permanência deste sofá transmite a toda a gente uma mensagem clara: "Aqui não se valorizam as belezas e os recursos naturais, aqui gostamos de conviver com o lixo, aqui não somos limpos". (A mensagem, por sinal, é verdadeira mas há pessoas que, vindas de fora, devem acreditar que não pode ser.)
6 - A remoção do objecto não é difícil. Na Câmara Municipal de Caldas da Rainha sabe-se como se faz. Na Junta de Freguesia da Foz do Arelho (que tem a tutela da zona) também.
7 - Mesmo que pedaço de lixo seja votado ao abandono (como, aliás, a Lagoa de Óbidos) e que não seja removido, a sua degradação no local vai atirar para a água tecido natural ou sintético, madeira pintada e envernizada, molas de ferro. A isto chama-se poluição. (Pode ser que os autarcas locais não o saibam, mas é um conceito que já vem da década de 70, do século passado.)
8 - A manutenção teimosa deste sofá dá dos poderes públicos de Caldas da Rainha uma imagem tão degradada como degrada está a Lagoa de Óbidos pela sujidade que nela se vai acumulando.
Espero ter sido suficientemente claro para que os poderes públicos percebam, embora já duvide de que estejam na plena posse das suas capacidades cognitivas.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Caleiras tipo "wishful thinking" e as obras com a "dinâmica" do costume: agora está tudo parado...
A história continua mas as obras não: depois de instaladas mais caleiras (pela empresa que as pôs nesta rua e que nem foi a mesma que meteu a conduta... há oito meses), as obras pararam outra vez.
Esta ex-rua, que agora mais parece mais um caminho de cabras (deve ser como, no masculino, o poder camarário encara estes seus munícipes...), na freguesia da Serra do Bouro, em Caldas da Rainha, continua à espera da "repavimentação" prometida pela Câmara Municipal... há quatro meses.
Quanto às caleiras, não se percebe se a sua colocação no terreno foi precedida por qualquer conhecimento prévio do terreno ou, pior do que isso, por qualquer decisão assente em bases minimamente científicas. Ou, mesmo, por qualquer tipo de curso, técnico, técnico-profissional ou universitário.
Porque o que foi feito nesta rua, mesmo nas zonas mais íngremes, foi a instalação de caleiras que são de modelo único para tudo. Planos ou íngremes, os terrenos levam sempre as mesmas caleiras.
Já deu para perceber que na Câmara Municipal de Caldas da Rainha há pessoas que acreditam que a chuva cai para cima.
Também deve haver quem pense que a água da chuva é uma espécie de matéria viva ou assim-assim a que podemos pedir o favor de não sair dos seus recipientes, de circular por onde nós queremos que ela circule e, até, de acertar com os canos à nossa vontade.
Quando chover se verá. É capaz de ser interessante...
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| Talvez haja quem pense, na Câmara Municipal de Caldas da Rainha, que podemos pedir às águas da chuva que façam o favor de descer pelas caleiras... |
"Angola e Dinheiro", de Rui Verde: uma análise incisiva com sabor a reportagem
Rui Verde, doutorado em Direito, não padece do mal académico de muitos dos seus pares - não precisa de centenas de páginas para apresentar o seu ponto de vista, fazer a análise de uma situação específica e contar uma história verdadeira.
A sua tradição é anglo-saxónica e diz o que tem a dizer num número razoável de páginas que, em geral, se lêem bem e onde está tudo o que é essencial, com apontamentos do quotidiano que tornam a narrativa ainda mais interessante.
Foi assim em "O Processo 95385 - Como Sócrates e o poder político destruíram uma universidade" e em "Helicópteros com Dinheiro - Sair do Euro, da Crise e Mudar o Estado" e é também o caso da sua terceira obra, "Angola e Dinheiro - Riscos da Transição do Regime Liderado por José Eduardo dos Santos" (Rui Costa Pinto Edições).
Recordando os seus contactos com as autoridades angolanas durante o projecto de criação da Universidade Independente de Angola (o autor foi vice-reitor da Universidade Independente, em Portugal), e as experiências no local (que descreve com vivacidade), Rui Verde faz uma descrição pormenorizada do regime político angolano, das suas personalidades e de todo o quadro económico-financeiro em que ele se move, referindo-se às ligações da elite angolana com Portugal e, finalmente, ao perigo de desmoronamento do sistema de poder.
A leitura é proveitosa... e preocupante. Quando tanto se fala de Angola, e o relacionamento entre os negócios portugueses e angolanos é tão abrangente (e tão discreto, parece), não convém nada ignorar esta obra.
Só que "Angola e Dinheiro" encontrou dificuldades no percurso para chegar à edição em livro. E parece agora rodeado por um manto de silêncio. Há gente com medo, aparentemente. Rui Verde e o editor Rui Costa Pinto parecem não o ter.
EDP - A Crónica das Trevas (60): continua a "festa"
Mais apagões: às 18h40 e às 18h59. Filhos da puta!
EDP - A Crónica das Trevas (59): que lhes caia um raio em cima, das tempestades com que desculpam a incompetência!
Apagão às 17h35. Deve ser para não termos saudades.
Com tempo seco, céu completamente limpo e um sol agradável durante o dia, ainda me lembro de quando recebi uma carta imbecil da EDP com a resposta filha-da-puta de que os apagões aqui eram por causa das grandes trovoadas de Caldas da Rainha. Que, a haver, lhes caiam em cima desses cérebros incompetentes, com toda a força dos deuses ancestrais dos raios e dos trovões!
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Caldas da Rainha com caos até ao Verão e o IRS a doer mais - grande "dinâmica" esta, a de Tinta Ferreira!
A cidade de Caldas da Rainha vai ficar praticamente intransitável até ao Verão. De 2014, claro, dia 31 de Agosto. E na melhor das hipóteses.
Ou seja, já a partir de 16 de Dezembro, infernizando a vida a moradores e comerciantes (cujos potenciais clientes hão-de ir para o centro comercial Vivaci ou para os supermercados, onde é mais fácil chegar e estacionar), haverá obras nas zonas mais centrais da cidade. Sem tréguas para o Natal.
Os pormenores vêm hoje no "Jornal das Caldas" que dá conta das várias fases destas obras megalómanas, que vão descaracterizar as Caldas da Rainha e gastar dinheiros públicos que, na situação em que o País se encontra, talvez fossem mais bem empregues noutras áreas.
A notícia, infelizmente, não indica quanto será gasto no total das obras que - convém recordá-lo - já começaram noutros pontos da cidade no Verão deste ano.
A estas notícias, péssimas para os que vão ser afectados durante os próximos nove meses (se tudo correr bem, em matéria de prazos, o que não costuma acontecer nas obras públicas), e óptimas para os empreiteiros, que vão ter nisto um belo presente de Natal, junta-se o que se ficou a saber sobre o IRS.
A "nova dinâmica" (o "slogan" do actual presidente Tinta Ferreira nas eleições de Setembro) do PSD caldense é esta: contrariando as opções do ex-presidente Fernando Costa (que até fazia gala disso), a taxa de devolução do IRS em Caldas da Rainha passa em 2014 de 2,75 por cento para 2 por cento.
O que pensará Fernando Costa desta decisão do seu herdeiro (que parece ser mais amigo dos empreiteiros do que dos contribuintes de IRS)?
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| A primeira página do "Jornal das Caldas" é enganadora, omitindo a imensa confusão que vai ser espalhar-se pela cidade e que está documentada na página 3 desta edição |
Costa, Ferreira e Oliveira - o Triângulo das Bermudas de Caldas da Rainha
Quando Fernando Costa indigitou Tinta Ferreira como seu sucessor na presidência da Câmara Municipal de Caldas da Rainha fê-lo por mérito dele ou por exclusão de partes? A demora na decisão, que dividiu o PSD local, sugere que terá pesado a falta de alternativas.
Tinta Ferreira era seu vice-presidente, uma figura cinzenta de burocrata que não chegava a "éminence grise" e com um protagonismo público pouco entusiasmante.
A alternativa mais viável, para o PSD local, seria quem? Talvez o vereador Hugo Oliveira, com apoios em sectores mais jovens do PSD e maior visibilidade pública, que poderia querer introduzir uma ruptura suave com a gestão praticamente milenar de Costa.
A escolha de Tinta Ferreira teve depois o apoio de Hugo Oliveira (por dever de ofício, só?) mas o modo como nem se referiu ao resultado das eleições de 29 de Setembro e à vitória de Tinta Ferreira diz tudo.
Segundo relata José Rafael Nascimento, Tinta Ferreira, na sua tentativa de gestão do potencial desastre urbano que são as obras na cidade, já deu algumas "bicadas" à gestão de Fernando Costa. É natural que isso aconteça porque o novo presidente há-de querer mostrar que não é como o anterior e quer decerto deixar uma marca pessoal para o futuro ou, antes disso, garantir que é ele, de novo, o candidato do PSD nas próximas eleições, em 2017.
Só que, apesar de desterrado como vereador em Loures (onde anunciará a recuperação económica da respectiva câmara antes de 2017), Fernando Costa não perdeu a sua influência no PSD de Caldas da Rainha.
Ao contrário, continua a ser, desde o mês passado, presidente da Comissão Política Distrital de Leiria do PSD, tendo a tutela do PSD caldense durante os próximos dois anos do seu mandato partidário. Que talvez volte a ser renovado em 2015, dando-lhe tempo, espaço e ambiente para ser determinante na escolha do candidato do PSD caldense em 2017. Ou mesmo candidato, regressando em triunfo. Há quem o deseje, a começar, parece, por ele próprio.
Quanto a Hugo Oliveira, as eleições de 2017 abrem-lhe uma nova oportunidade. Mas, nessa perspectiva, terá de encontrar o equilíbrio entre a lealdade institucional que deve ao "seu" presidente, Tinta Ferreira, as suas ambições e Fernando Costa (que o preteriu nestas eleições).
A situação triangular deste PSD é tudo menos estável, a prazo. E obriga Oliveira e Ferreira a cuidarem tanto dos seus interesses como dos interesses do concelho.
Não é muito diferente do mítico Triângulo das Bermudas, onde tudo desaparece sem deixar rasto...
*
O PSD e o Movimento Viver o Concelho (MVC) serão os dois protagonistas que terão tudo a ganhar... ou a perder, numa versão autárquica da lenda bíblica de Golias e de David. A estabilidade, a permanência e a intervenção transparente serão essenciais na maratona que conduz a essas eleições.
Como é costume, nos quatro anos entre cada acto eleitoral para as autarquias locais, os partidos do "status quo" retiraram-se do palco.
O BE, corrido da Assembleia Municipal, evaporou-se, mostrando que só por acaso foi relevante. O PS e o PCP voltaram às suas provas de vida periódicas. E o CDS, mantendo o mesmo regime de provas de vida, é a eterna Carochinha à espera de um João Ratão. À sua maneira, estes três partidos também formam um outro Triângulo das Bermudas, onde o que mais desaparece são os cabeças-de-lista.
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Fernando Costa, Tinta Ferreira e Hugo Oliveira - "A Câmara sou eu", pensarão os três |
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
A "nova dinâmica" é isto: o faz-desfaz de obras que não parecem ter sido bem planeadas...
Logo após ter escrito isto, as obras de colocação de caleiras ao longo desta rua da Serra do Bouro que de rua já só tem nome recomeçaram.
Mas recomeçaram lentamente, com uma ou duas máquina no terreno.
É o tipo de obra que só pode caracterizar quem, nas eleições de há dois meses, encheu a boca com a propaganda da "nova dinâmica" - a "dinâmica" deles, velha como todas as tretas dos demagogos, é esta: a colocação das caleiras começou a ser feita em 7 de Novembro. Passou quase um mês e não acabou.
Pior do que isso é a descoordenação que esta obra revela, num regime de "faz e desfaz".
Numa esquina, desfizeram o que tinha feito. Noutro segmento desta estrada de terra batida resolveram instalar a caleira e voltaram a escavar o que já tinha sido escavado em Abril (há oito meses) quando rasgaram esta rua que já foi rua para meter uma conduta de água.
Tudo indica que há nisto uma inacreditável falta de coordenação e de planeamento.
Depois das insistências idiotas em tapar buracos em zonas íngremes com a terra solta que as chuvadas iam arrastando, temos agora esta duplicação de trabalhos que deve fazer derrapar o custo da obra e que poderia ter sido evitada se houvesse um mínimo de conhecimento do terreno e alguns conhecimentos básicos para perceber os erros que estão a acumular-se. Sem que os problemas fiquem resolvidos, aparentemente.
E o problema é que tudo isto é pago com o dinheiro de todos nós.
Se o dinheiro saísse do bolso dos responsáveis (?) da Câmara Municipal de Caldas da Rainha talvez eles fossem mais cuidadosos.
Terão o Provedor de Justiça ou o Tribunal de Contas alguma coisa a dizer sobre o assunto? Talvez seja de procurar saber...
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