sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A dinâmica da incompetência: às mijinhas




A construção da caleira, a que ontem me referi, e que foi uma empreitada não prevista (é por estas e por outras que as despesas com as obras públicas derrapam), não resolve o problema.
Esta estrutura ajuda a água da chuva a escorrer mas não tem a dimensão adequada para escoar a enxurrada que vem do nível mais elevado sempre que chove durante mais tempo ou com mais força. A uma situação de declive extraordinária foi aplicada uma solução padrão e o que parece ganhar-se na visibilidade perde-se na eficácia.
A terra acumulada (resultante das numerosas tentativas de bloquear com terra a passagem descendente da água da chuva) e a que vem de cima vai continuar a deslizar pela rua, que é sempre a descer.
Por outro lado, os buracos abertos no alcatrão tendem a alargar-se.
A "repavimentação" prometida há cinco meses pela Câmara Municipal de Caldas da Rainha do "dinâmico" Tinta Ferreira para o "fim do Verão" de 2013 é que teria resolvido o problema, pelo menos por alguns anos.
Só com esta pequena intervenção, a cargo de uma segunda empresa contratada para o efeito, o problema não fica resolvido.
Enquanto estas coisas forem feitas assim, às mijinhas, pouco muda. E disso iremos dando notícia.

A Polícia do pensamento ao ataque

Nunca li nada de Margarida Rebelo Pinto e não aprecio o género. Muito menos sei quem é Bruno Nogueira. 
Se bem percebi, a primeira disse qualquer coisa na televisão sobre os críticos da austeridade financeira e isso bastou para que o segundo lhe chamasse "merda" e muito boa gente que repreenderia filhos e/ou alunos se dissessem "merda" em casa ou na aula desatou logo a bater palmas com as mãos todas.
Esta gente que se acha "de esquerda" não consegue mesmo alijar a sua intolerante mentalidade de polícia. De polícia do pensamento, por enquanto...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A dinâmica da incompetência: a incúria do desperdício

Depois de meia-dúzia de tentativas idiotas feitas em pouco mais de um mês de suster água da chuva numa rua de inclinação muito acentuada com terra solta, a Câmara Municipal de Caldas da Rainha acabou por ceder à realidade e mandar fazer uma via de escoamento da água ao longo do declive.





Isto aconteceu hoje, cinco meses depois de esta rua da Serra do Bouro ter ficado ainda mais esburacada e com menos alcatrão para ser substituída a apodrecida canalização da rede pública de água.
Em Junho, depois de terminada a instalação da conduta, a câmara prometeu a "repavimentação" no fim do Verão.
O que fez foi mandar atirar terra para os buracos, por várias vezes, desperdiçando o dinheiro público e enchendo esta rua quase destruída numa estrada que acabou por ficar coberta de lama grossa.





Não se sabe se isto terminou, se é desta que avança a tal "repavimentação", se fica assim e depois logo de vê. Mas percebe-se como a arrogante e pouco verdadeira Câmara Municipal de Tinta Ferreira acabou por ter de ser obrigada a perceber que a água da chuva cai mesmo para baixo e que a terra empurrada pela chuva também desliza para baixo. Aparentemente nunca tinha percebido.


(Neste blogue fiz numerosas referências a esta situação, documentando-a com abundantes fotografias que deviam fazer corar de vergonha os "responsáveis" da Câmara Municipal de Caldas da Rainha e os seus amigos das empresas de construção civil. O que publiquei, e que foi muito lido no edifício da câmara, contribuiu para que a situação começasse a ser resolvida, para bem de quem mora na povoação que a rua atravessa.)








A dinâmica da incompetência: a incúria da porcaria




Este sofá encontra-se na margem do Nadadouro da Lagoa de Óbidos desde pelo menos 21 de Outubro. Ou seja, há dezassete dias.
Nunca lá devia ter sido posto, claro, mas a atitude de pura e simples negligência que permite a alegre distribuição de lixo por todo o concelho de Caldas da Rainha permite (e estimula) isto e muito mais.
Depois não há Câmara Municipal nem junta de freguesia nem um qualquer grupo de voluntários dos que andaram em limpezas públicas durante a campanha eleitoral que se ocupem da simples remoção deste destroço.
É uma atitude de incúria que confirma o triste futuro desta terra: só a cidade, também ela desprezada e maltratada, é que conta; o turismo é uma coisa que nem se quer por perto; e a Lagoa de Óbidos não é mesmo para salvar, para reabilitar ou para "requalificar" (o palavrão mágico que serve para embelezar toda a espécie de incompetências).

A dinâmica da incompetência: incúria assassina

 
"Jornal das Caldas", 6.11.13

O acidente que no passado domingo matou um motociclista e feriu a condutora do automóvel em que a mota embateu, na Zona Industrial de Caldas da Rainha, podia ter sido evitado.
Ou, pelo menos, podiam ter sido criadas as melhores condições que a lei prevê para que ele fosse evitado.
Na estrada que vai da cidade para a Zona Industrial e que depois continua para a via rápida que segue para a Foz do Arelho não há, praticamente, traço contínuo nem traço descontínuo.
Há zonas (e o local onde precisamente ocorreu o acidente permite essa dúvida) onde a sinalização desapareceu. E nunca, que me lembre, vi quaisquer trabalhos de repintura da sinalização.
Não há "requalificação" que ali chegue, não há a menor preocupação com a segurança de quem anda na estrada.
Não sei se a competência para repor a sinalização é da Câmara Municipal ou de qualquer outra entidade administrativa mas sei, porque ali passo com grande frequência, que a zona é de alto risco e só é de estranhar que, nesta como noutras matérias, não haja órgão de poder local ou qualquer outra entidade que, voluntariamente ou porque é o seu dever, se chegue à frente.
Pode haver manobras imprudentes mas a incúria consegue, neste caso, ser mais assassina do que qualquer manobra imprudente.




Uma bizarra dualidade de critérios

O Zé diz ao António que não deve tomar a decisão A e diz que se ele o fizer será negativo. A Maria acha que o António deve tomar a decisão A e diz que será negativo se ele não o fizer.
O Zé e a Maria têm o direito de dizer o que pensam e o António tem o direito de tomar a decisão A, ou de não a tomar.
Qualquer pessoa minimamente inteligente dirá que isto é natural e, concordando com a posição da Maria, não dirá, numa postura de honestidade intelectual, que a opinião do Zé é ilegítima.
A polémica por antecipação sobre o que poderá decidir o Tribunal Constitucional (TC) sobre a futura lei do Orçamento de Estado para 2014 é isto: o Governo é criticado por pessoas que parecem ser minimamente inteligentes e intelectualmente honestas por dizer o que pensa; a "esquerda", a imprensa e os comentadores espontâneos e não espontâneos dizem que a opinião do Governo é ilegítima por ser uma "pressão" sobre o TC mas acham que as oposições já têm todo o direito de dizer ao TC que não deve aprovar a futura lei do Orçamento de Estado para 2014.
Há aqui uma dualidade de critérios que devia pôr muita gente a corar de vergonha...

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Parvoíces sem terceira roda


Relação entre automobilista e ciclista? "É a mesma de um serial-killer com a sua vítima"

A "dinâmica" do PSD das Caldas: uma diarreia de terra

 
A colocação teimosa de terra em buracos de uma rua em plano inclinado (cuja "repavimentação" foi prometida pela Câmara Municipal de Caldas da Rainha para o fim do Verão... que já passou) deu também a este fenómeno: o imparável deslizamento dessa terra pela rua abaixo.
Por uma rua que já o foi, com alcatrão, e que é agora uma estrada de terra batida... e de lama.
O resultado, adubado pela chuva miudinha que tem caído, é uma pasta uniforme de lama, onde se afundam e deslizam pneus e sapatos, que já nada consegue limpar.
Parece uma vaga de diarreia, espessa e... com uma dinâmica própria.
Mas talvez não se possa esperar outra coisa da câmara que foi ganha por um PSD que, tendo anunciado uma "nova dinâmica", só consegue obrar isto...



Para pôr o lixo no lixo é necessário passar pela lama. 
O melhor, portanto, talvez seja atirá-lo de longe para o contentor.
Ou largá-lo no chão



É evidente que se a rua tivesse sido "repavimentada" logo a seguir às obras em Junho
deste ano, mostrando a Câmara de Tinta Ferreira algum respeito por quem aqui mora,
isto já não teria acontecido

terça-feira, 5 de novembro de 2013

À distância é mais... seguro

Gostava de ver as pessoas que são tão lestas a comentar a política nacional (muitas vezes em termos que fazem pensar que elas nunca aprenderam a comer à mesa) a fazer o mesmo quanto à política local.
Mas à distância é que é bom.
Ou melhor: é mais... seguro.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A obra dele...


Lá ao fundo, talvez a dizer: "a cidade sou eu"
 
O edifício que se vê ao fundo é o da Câmara Municipal de Caldas da Rainha e é no seu último andar, devidamente assinalado, que mora um homem feliz.
Chama-se Tinta Ferreira e é presidente da câmara, cargo para o qual foi designado herdeiro de Fernando Costa e de que depois se apossou nas eleições de há um mês.
Calculo que, do seu sítio, Tinta Ferreira se derrama de felicidade por poder ver os passeios mais largos da avenida principal da cidade, a Avenida 1.º de Maio.
Iniciada ainda no Verão, a obra vai prolongar-se (oficialmente) até Janeiro. Com as chuvas deve ser até muito depois disso. E vai custar 10 milhões de euros. Ou seja: 10 000 000 de euros.
Não se fazem obras noutros pontos do concelho (já nem falo na ex-rua onde vivo, que ia ser repavimentada até ao fim do Verão e que agora é um caminho largo de terra batida, quando não de lama) mas há dinheiro para estas obras.
O seu propósito, porém, é indefinido.
Percebe-se apenas que os passeios ficam mais largos.
É uma tentação que excita os presidentes das câmaras. Como não precisam de utilizar carro próprio, as dificuldades de circulação do trânsito e do estacionamento são-lhes alheias. Não percebem que as pessoas não precisam de mais um metro de passeio. Precisam é de ter boas condições de mobilidade. E de estacionamento. Claro que, assim, não há. Mas tranquilizem-se os visitantes, os que querem fazer compras e os moradores que haverá um estacionamento subterrâneo ali perto... em Dezembro de 2014.
De costas voltadas ao resto do concelho, a elite citadina de que Tinta Ferreira é um extraordinário exemplo dedica-se a estas obras inúteis em tempo de austeridade e esquece o resto.
Que interessa captar turistas, atrair compradores para o comércio local, limpar a cidade e o resto do concelho, assinalar os locais de interesse se o que é essencial é o que fica à vista e aquilo que o actual presidente da câmara irá deliciar-se a contemplar pelos próximos quatro anos?
É pena é que depois fiquem aqueles pormenores que nunca se resolvem.
Por falta de rigor, de dinheiro ou por esse "estar-se nas tintas" que tão bem caracteriza os burocratas camarários, ou por simples desleixo. 
Houve outras obras nas proximidades, que roubaram espaço às vias de circulação e que também não parecem ter tido grande utilidade, onde se pode ver um pormenor como este que aqui se mostra.
Só que esta pequena miséria já não se vê do alto da Câmara Municipal...
 
 
Desleixo: caixas (de electricidade?) sem nada lá dentro,
tijolo nu e um tubo que não serve para nada