quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Uma explicação: "Poente", de José Fernandes Fafe

 
 
 
Poeta, ensaísta e embaixador, José Fernandes Fafe tem (no seu livro "Poesia Amável", 1963) um dos mais admiráveis poemas que li na minha fase de leitor de poesia e que expressa (e de certa forma explica), de uma forma suavemente irónica, a tendência pessimistas e tristonha dos portugueses.
Justifica-se, sempre, lê-lo e recordá-lo:




POENTE

Compreende-se tudo,
de repente:

São oito séculos a ver o Sol morrer
afogado no mar,
diariamente.





quarta-feira, 30 de outubro de 2013

"Um Estado Melhor": um documento que conviria debater

Só por preconceito ideológico ou político, ou por simples inércia de resistência à mudança, é que se pode rejeitar liminarmente o documento governamental que leva o título de "Um Estado Melhor" e que é o esperado "guião para a reforma do Estado".
Há que lê-lo e debatê-lo e quem se excluir, sobretudo entre os protagonistas políticos, está a excluir-se de debater o futuro do País. O texto, na íntegra, está aqui. Numa sociedade normal, a discordância ou o contraponto deveriam dar origem a outros documentos sobre o mesmo tema.
Concordando com algumas coisas, discordando de outras, lamento apenas que não esteja melhor escrito e que, por exemplo, não evite o malfadado "rúbrica" (que deve ser, e sempre, "rubrica").

Estão bem uns para os outros

Começa a haver um exagero de disparates nesta atmosfera de "fim dos tempos" que não parece poupar ninguém. 
Pode ser da crise, dos excessos orais (que também determinam o pensamento), do nervosismo generalizado, do frenesim acéfalo da imprensa, das facilidades das "redes sociais", dos arroubos burocráticos de pequenos e médios caciques bem instalados que precisam de fazer prova de vida ou de leituras erradas ou de qualquer outra coisa mas o que é certo é que nascem, desenvolvem-se, evoluem mas quando morrem (que é uma sina dos disparates) os estragos já foram feitos.
De uma central sindical esperar-se-ia que defendesse os trabalhadores nas pequenas, médias e grandes causas. E todos, sem excepção.
A CGTP (cada vez mais a central sindical da função pública) e os seus arménios carlos não querem que os trabalhadores do sector privado recebam os subsídios de férias e de Natal nos salários ao longo do ano.
Os motivos que invoca estão aqui. Os sindicalistas não conseguem perceber que, por revestirem o carácter de "subsídios", estas remunerações são as mais fáceis de retirar e os trabalhadores ganhariam, no curto e no longo prazo, em adicionar os seus valores aos seus salários.
De um governo que devia preocupar-se em desburocratizar e em reduzir a intervenção do Estado na vida nacional esperar-se-ia que regulasse o mínimo e com bom senso, respeitando a vida privada dos cidadãos.
Não é o caso, com o projecto de legislação que foi agora divulgado sob a égide da ministra Assunção Cristas e que quer reduzir o limite do número de cães e de gatos por habitação.
Saiu com 94 páginas dos cérebros decerto desocupados dos burocratas da Direcção-Geral da Alimentação e Veterinária e, pela descrição, mistura tudo: o que é controlável, o que nunca será controlável, o que é racional e o que é absolutamente irracional.
Estão, decididamente, bem uns para os outros.   
 
 
 

 
 
 
 
Actualização: Fez bem a ministra em manifestar o seu distanciamento relativamente ao documento que poderia vir a transformar-se em lei. Há, de facto, coisas mais importantes a tratar.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

30 dias depois...

... não se nota nada em Caldas da Rainha.
Se pode ser mais difícil aos novos eleitos dar sinais de vida nos órgãos autárquicos das freguesias, para onde entraram na sequência das eleições de 29 de Setembro, já o mesmo não é nada aceitável no que se refere à Câmara Municipal, onde (infelizmente!) não houve alterações.
Continuamos mergulhados na mesma podridão pantanosa, onde a única coisa que realmente se nota são as obras faraónicas que se arrastam na principal avenida da capital do concelho e que, com sorte, talvez acabem em Janeiro e onde a câmara enterrará pelo menos 10 milhões de euros que nem sequer são "para inglês ver"... porque a câmara nem consegue atrair turistas estrangeiros.
Voltarei ao assunto...
 

Lars Gonçalves gostou de "Morte na Arena"

Mais uma opinião sobre "Morte na Arena", de Lars Gonçalves, no blogue Os Livros do Lars, que pode ser lida na íntegra aqui.
Um excerto:
 
Achei este livro melhor do que o primeiro da saga, com mais acção, um enredo melhor, e um excelente personagem principal. As cenas mais violentas são descritas sem qualquer complexos o que pode levar ao que livro não seja o mais adequado a ser lido por crianças.
Pedro Garcia Rosado é sem dúvida um mestre do Thriller português e que usa a nossa realidade para escrever óptimos livros.


 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Continua a estupidez






Pela quinta vez o buraco aberto pela chuva é tapado com terra, desta vez rasgando parte da encosta e abalando ainda mais o equilíbrio do terreno em volta:













Porque não gosto dos CTT (63): desabafo em versão Facebook

Espero que todos aqueles que defendem as greves da rapaziada da empresa CTT a favor de um "serviço público" radicalmente inimigo do público sejam prejudicados (com contas que já não vão ter tempo de pagar antes do fim do prazo, por exemplo) por essas movimentações que são, também elas, radicalmente inimigas do público.

A incompetência da "nova dinâmica" de Tinta Ferreira não tem limites...

... como se poder confirmar pelo folhetim do buraco que a Câmara Municipal de Caldas da Rainha insiste em tapar com terra na Serra do Bouro, apesar de a zona (uma rua) ter um declive abrupto e de estarmos em tempo de chuva.
Depois de na sexta-feira (pormenores aqui e neste blogue) o buraco ter sido pela quarta vez enchido com terra, bastaram três horas de chuva, por sinal nem muito forte, para a terra ser mais uma vez varrida e o buraco... ficar maior.
Mais do que depois da chuvada de sexta-feira de manhã, a nova conduta de abastecimento de água, que deveria ter sido protegida pela repavimentação anunciada em Junho para o "fim do Verão", ficou novamente à vista. Basta um pneu desviado numa manobra obviamente perigosa para destruir parte da conduta.
Além da incompetência da câmara municipal tutelada por Tinta Ferreira que isto demonstra, há também um claro desperdício dos dinheiros públicos e uma situação acrescida de risco.
As fotografias, de hoje de manhã, são esclarecedoras:
 
 
 
Esta via (que já foi rua...) apresenta já uma fissura que a água vai abrindo.
Ao fundo vê-se o buraco onde começa a aparecer a conduta nova.


 
Esta conduta substituiu a canalização velha.
Já não deve durar muito, aparentemente.
 
 
 
Será que Fernando Costa, o ex-presidente, deixaria isto chegar a este ponto? Talvez até tivesse vindo ver os estragos e tomado uma decisão minimamente competente...



A ignorância da lei também não aproveita aos apressados

Talvez fosse preferível que o entusiasmo justiceiro de muito boa gente que exige "julgamento" e "prisão" para os políticos, em especial quando estão no Governo (e por enquanto a exigência de pena de morte ainda se fica apenas pelos comentários anónimos das edições "on line" dos jornais), fosse precedido por uma consulta aos códigos legais, nomeadamente o Código Penal e o Código Civil.
Os códigos estão disponíveis "on line" e, não sendo de leitura simples, são razoavelmente claros quanto à tipificação das infracções.
Diz-se, e é verdade, que a ignorância da lei não aproveita ao infractor.
Mas também é verdade que a ignorância da lei não aproveita aos apressados que (talvez com as melhores intenções, coitados) parecem tantas vezes querer substituir a democracia por fúrias "ad hoc" de justiça (?) selvagem, ao mesmo tempo que fazem figuras tristes a que bem poderiam poupar-se.

Álvaro Cunhal contra Jerónimo de Sousa

O Congresso Álvaro Cunhal, que o PCP organizou para evocar o seu mais carismático e inteligente secretário-geral, devia ter recomendado a leitura e o estudo de "O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista", obra fundamental para se perceberem os erros consecutivos, e evitáveis, do desvio oportunista de esquerda da actual direcção do PCP.
Só que a saudável prática da autocrítica também já caiu em desuso.