sexta-feira, 15 de junho de 2012

O atraso, ou adiamento, dos reembolsos do IRS - a fome e a vontade de comer

O atraso, ou adiamento, no pagamento dos reembolsos do IRS é um exemplo do conúbio perfeito entre a fome e a vontade de comer.
Da parte do Governo pode haver motivos contabilísticos para deliberadamente o fazer mas a desatenção pelos cidadãos com que parece ter encarado o problema tem uma leitura política inevitável: quanto mais não seja, os contribuintes são neste domínio tão credores do Estado (como a troika, por exemplo) porque o que aqui está em causa é o empréstimo forçado a que estão obrigados todos os anos e que vale muitos milhões de euros.
Por outro lado - e vale a pena atender ao comunicado do Ministério das Finanças para reparar na pouca subtileza com que atribui as responsabilidades aos serviços -, sabemos todos como os contribuintes sempre foram tratados pelo Fisco como cidadãos com todos os deveres e sem nenhuns direitos, recebidos muitas vezes com uma soberba e uma arrogância que praticamente só desaparece quando a vítima se defende com um advogado ou com uma sólida fundamentação jurídica que exige, obviamente, a consulta e o estudo dos códigos tributários.
Este episódio do deslize temporal, deliberado ou apenas fruto de vários acasos, dos reembolsos do IRS era dispensável.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A propósito dos atrasos nos pagamentos que são mais adiamentos do que atrasos...

... diz-me, em conversa, uma pessoa que sabe do que fala sobre uma empresa que por acaso também tem conta no mesmo banco que eu: "Essa empresa tem às vezes falta de liquidez mas também tem outra coisa: a possibilidade de fazer aplicações de verbas que já tem e que serviriam para pagar aos seus fornecedores em poupanças de curto prazo que rendem sempre alguma coisa, prolongando os prazos de pagamento aos seus fornecedores e outros colaboradores. É uma actuação nas fronteiras da legalidade mas quem é que consegue identificar as factualidades que provem a ilegalidade?"

terça-feira, 12 de junho de 2012

Porque é que os subsídios não fazem parte da agenda do PS, do PCP e do BE?

Gostava de ver o PS, o PCP e o BE - todos ou algum deles - a garantir desde já (e mais vale tarde do que nunca) que se comprometem a repor na íntegra e com retroactivos os subsídios de férias e de Natal suspensos pelo actual governo ,se ganharem as eleições legislativas de 2015 e formarem governo.
E, não o fazendo, qual será o motivo?
Estão de acordo com esta medida do actual governo ou acreditam que não vão ganhar as eleições e por isso nem sequer se esforçam?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Marcelo Rebelo de Sousa, Guilherme d'Oliveira Martins, Judite de Sousa e as PPP

Marcelo Rebelo de Sousa disse ontem no seu espaço de comentário da TVI que haveria de falar sobre as PPP (as parcerias público-privadas) até porque tinha informação segundo a qual (e não cito nos termos exactos) o Tribunal de Contas não tinha sido tão crítico como parece que foi.
O que nesta altura se noticia, no quadro deste escândalo político-financeiro, é que o Tribunal de Contas, presidido por Guilherme d'Oliveira Martins, sempre foi crítico e não se cansou de "arrasar" (para usar a novilíngua jornalística) as PPP.
O que Marcelo disse seria, portanto, uma "novidade". À frente do "Professor", a jornalista Judite de Sousa não achou/não reparou/tinha a coisa combinada/ouviu mal (fica à escolha do leitor).
Marcelo Rebelo de Sousa deu um ar de sua graça (coisa que já pouco faz como fazia noutros tempos) e passou para outros assuntos.
Do presidente do Tribunal de Contas esperar-se qualquer coisa. Mas também não se nota.
A imprensa já não é decididamente o que era.

sábado, 9 de junho de 2012

"Divergente", de Veronica Roth

"Divergente", de Veronica Roth, é uma das mais recentes estreias da literatura fantástica para o segmento dos jovens adultos, desta vez no domínio da ficção científica.
O cenário é uma cidade no futuro, com a população dividida por cinco facções mais ou menos cooperantes, e a principal personagem, e heroína, é uma jovem chamada Beatrice (nome de guerra Tris) que, ao contrário da maioria dessa população, demonstra a sua aptidão não apenas para uma das facções mas para... três delas. É por isso "divergente", o que não lhe augura uma vida fácil numa sociedade estratificada e conservadora e que parece estar prestes a mergulhar numa verdadeira guerra civil.
"Divergente", o primeiro livro da série, é um bom começo. O segundo intitula-se "Insurgente" e fica alguns furos acima.
O terceiro... não se sabe ainda mas eu, por exemplo, que tive o gosto de traduzir "Divergente" e "Insurgente", já fiquei com muita curiosidade em saber como vai evoluir a história, depois do fim enigmático de "Insurgente".
"Divergente" foi publicado pela Porto Editora e deverá chegar ao cinema em 2015.

Porque não gosto dos CTT (22): receita manhosa

Eis uma fonte de receita do mais manhoso que há: os clientes à força dos CTT podem pedir o envio para qualquer local de tudo quanto cabe nos avisos de recepção (da correspondência registada às coisas mais "pesadas" que se saem das estações não são transportadas para os seus destinatários) pagando uma quantia de, pelo menos, 2,20€ (segundo informação de um serviço dessa entidade). Deve ser difícil encontrar uma maneira mais simples de ganhar dinheiro...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Porque não gosto dos CTT (21): não toca e foge...

Estava à espera de dois livros pelos CTT e, encontrando-me em casa, fiquei especialmente atento ao carteiro. Apareceu, para variar, mas em regime de (não) toca e foge: quem estava em casa não foi alertado e na caixa do correio apareceu o negregado aviso de recepção, com o mentiroso "Não atendeu" e a reveladora indicação de que o objecto é "volumoso".
E não só não tocou - poderia não se ter ouvido - como o ruído revelador da motoreta não se fez ouvir ao portão o tempo suficiente para o aviso de recepção ser preenchido.
Portanto: por ser "volumoso", o objecto ficou à espera, na estação dos CTT ou não, e o aviso de recepção já vinha previamente preenchido. E o consumidor - eu, todos nós - que vá, pode dizer-se de outra maneira mas seria sempre pior, bardamerda.
Não deve haver um serviço (público!) cuja incompetência esteja assim tão dependente do "factor humano", ai de nós!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Fora de moda

De há vários anos a esta parte tornou-se um lugar comum - em cada entrevista/inquérito/seja lá o que for de uma figura mais ou menos pública - dizer-se que se andam a ler a vários livros ao mesmo tempo. Um deles, já se sabe, está na mesa de cabeceira (normalmente o mais "profundo"), mas os outros... não se sabe se residem na sala ou na casa de banho.
Estranhamente, nunca ninguém se lembra de ir mais longe para tentar saber qual é o método utilizado para esse tipo de leitura salteada.
Eu nunca consegui ler mais do que um livro ao mesmo tempo, salvo se o segundo livro for algo que esteja mesmo obrigado a ler, por qualquer motivo profissional ou outro. E o mesmo se aplica às obras que traduzo: prezando os estilos, não quero meter-me a traduzir dois livros ao mesmo tempo e correr o risco de produzir híbridos, mesmo que isso signifique não aceitar certas propostas de trabalho.
Estarei, como agora se diz, fora de moda?

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Retratos da crise do sector livreiro

Fui ter por acaso ao blogue Cadeirão Voltaire e uma nota sobre o fim da colaboração das suas autoras na revista "Os Meus Livros". Recomendo a leitura do post "Fim da colaboração com a revista Os Meus Livros" e dos comentários sobre o assunto.

domingo, 3 de junho de 2012

Desavergonhados e cobardes

Não há um único presidente de câmara, junta de freguesias, demais acólitos, de "esquerda", de esquerda ou de direita, activista do "poder local", membro de um qualquer órgão autárquico que obeteve esse emprego (em "part" ou "full time") que tenha um módico de vergonha na cara que o impeça de defender a indefensável certeza de que as dívidas de todas as autarquias têm de ser pagas por todos nós?!
O que é que eu tenho a ver com os desmandos, o peculato, os luxos, a má gestão, as venalidades e as incompetências das câmaras dos concelhos e das juntas de freguesia onde eu não resido e onde nem sequer votei ou posso votar?
O que lhes falta em vergonha sobra-lhes em cobardia e desfaçatez.