domingo, 20 de novembro de 2011

Do blogue As Leituras do Corvo, uma apreciação a reter sobre "Vermelho da Cor do Sangue"

Com algum atraso, eis na íntegra uma apreciação feita no blogue As Leituras do Corvo, da autoria de Carla Ribeiro, sobre "Vermelho da Cor do Sangue":

"O objectivo do assalto à casa do banqueiro era apenas roubar as jóias do cofre. Mas as coisas complicam-se quando um dos envolvidos decide levar consigo um passaporte da União Soviética pertencente a um homem desaparecido. Um homem cuja filha tem procurado incessantemente informações sobre o seu paradeiro. O problema é que esse passaporte é também o símbolo físico de um segredo comprometedor para algumas figuras poderosas, que estarão dispostas a tudo para o recuperar.
Destaca-se, desde cedo, nesta leitura, a forma como o autor percorre os pontos de vista das diferentes personagens. Que são muitas. Assim, é necessário um certo esforço, na fase inicial, para captar as posições e ligações dos muitos intervenientes neste mistério e isto resulta num ritmo de leitura que começa por ser bastante pausado. Contudo, assimiladas as circunstâncias das diferentes personagens e estabelecido um ritmo de acontecimentos, cedo a leitura evolui para um ritmo cativante (por vezes, viciante), onde há muito a acontecer, um interessante segredo por desvendar e situações que, de um momento para o outro, podem alterar-se por completo.
Havendo tantas personagens a interagir ao longo da narrativa, é natural que algumas delas tenham um maior desenvolvimento, enquanto que outras permanecem, de certa forma, na sombra. Em termos de construção de personagens, destaca-se de forma notória o misterioso Ulianov, interveniente relutante, mas crucial em todo o enredo. Trata-se de uma personagem com um passado que se evidencia nas suas escolhas e até no seu normal modo de agir. Razões pelas quais também Joel Franco vai cativando a atenção do leitor, tanto através da sua posição no caso como pelas breves referências ao incidente do seu passado.
Fica, pois, uma impressão muito positiva deste livro que, apesar de um início mais lento, rapidamente evolui para uma história envolvente e cheia de surpresas. Uma boa leitura, em suma."

sábado, 19 de novembro de 2011

Porque não gosto dos CTT (5)

Talvez há uns dez anos, com a presença efusiva do então primeiro-ministro António Guterres e do então ministro da Ciência Mariano Gago, foram montadas pelo menos nas principais estações dos CTT umas máquinas que serviriam para a população navegar na internet. Não eram grátis, claro, e o teclado era de manuseio difícil mesmo para quem sabia mexer em computadores.
A experiência – a coisa foi experimental mas há-de ter custado alguma coisa – foi um fracasso.
As máquinas de venda automática de selos, que permitiriam desanuviar os balcões, também foram outro fracasso.
A caixa de correio electrónica anunciada há uns dois anos sob a designação de “Via CTT”, completamente supérflua para quem usa regularmente a internet e inútil para quem não a usa, também não foi um êxito e não acredito que tenha havido um número significativo de adesões quando as Finanças começaram a fazer pressão para que os contribuintes utilizassem essa bizarria.
Tudo isto há-de ter custado algum dinheiro. Mas ninguém presta contas. É um “serviço público” que todos nós pagamos, directamente através dos (maus) serviços que pagamos e indirectamente através dos nossos bem pesados impostos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Porque não gosto dos CTT (4)

Ser-se remunerado pelo trabalho que se presta é uma coisa normal.
Depois há subsídios que certos sectores vão tendo, em especial em domínio da administração pública, que servem para compor o salário mensal.
E, acima de tudo isto, nos CTT, há uma coisa extraordinária chamada “subsídio de incómodos”.
Não sei se, na origem, este pitoresco “subsídio de incómodos” teve outra designação. Mas é assim que ele aparece, é assim que o designam, é assim que o Bloco de Esquerda, pelo menos, o defende, achando que os trabalhadores dos CTT são mais do que quaisquer outros trabalhadores. Está aqui, num documento de 17 de Agosto de 2010 deste movimento político:
“Tendo em conta a situação profissional que está a afectar todos os trabalhadores dos CTT do distrito de Leiria, a Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda vem publicamente expressar o seu apoio às formas de luta que os trabalhadores dos CTT, em vários pontos do distrito (Caldas da Rainha, Marinha Grande, Leiria, Óbidos etc) têm decidido encetar em resposta à ameaça de verem os seus ordenados reduzidos, através de cortes quer no subsídio nocturno, subsídio de pequeno-almoço e em alguns casos no subsídio de incómodos, em resultado da tentativa de impor uma alteração dos horários de trabalho.”
É um incómodo ter de trabalhar, não é?

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Porque não gosto dos CTT (3)

Quando é que o aviso de pagamento foi metido no correio? Não estou a referir-me à data que consta do papel que está dentro do envelope. Estou a falar do próprio envelope… que não tem data.
A maior parte das empresas, e outras entidades, fornecedoras de serviços expede a sua correspondência por franquia, em lotes, sem o carimbo individual do balcão dos CTT.
Acontece isso com a água, a electricidade, a internet, os telefones e os mais variados serviços. E as contas chegam com prazos bem claros de pagamento. Que, ultrapassados, ainda podem ser pagos. Ou não. Ou com juros.
Às vezes, essas contas chegam todas juntas à caixa do correio. E são expedidas todas juntas? Não me parece. Até porque, dentro dos envelopes, vêm documentos com datas diferentes.
Vendo como, em alguns dias, o carteiro não circula (numa zona onde há sete casas, onze adultos e três sedes de empresa), é impossível não pensar que, às vezes, uma ou duas cartas não justificam a deslocação. E, sem carimbo, tanto pode ter saído da origem na véspera ou há uma semana. Portanto… pode esperar.
E se o aviso de pagamento, que está discretamente lá dentro, chega atrasado? E não pode ser satisfeito? Ou obriga ao pagamento de juros?
Os CTT assumem a responsabilidade? Daquilo que lhes é confiado (num serviço pago)? Não.
É um belo “serviço público”, não é?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Porque não gosto dos CTT (2)

Já repararam que nas estações dos CTT não há multibanco?
Aquilo que é hoje um instrumento de pagamento dos mais comuns está ausente das “lojas” desta empresa monopolista. O cliente tem de levar “cash” consigo ou, então, que o vá procurar.
Esta situação perfeitamente absurda – que só é suportada pela lógica de domínio completo do mercado por parte dos CTT (fazem o querem) – permite outra: qualquer pessoa que queira carregar um telemóvel pode fazê-lo em “dinheiro vivo” nos balcões dos CTT. Sem deixar rasto.
Ou seja, ao contrário do que acontece com carregamentos por multibanco, o possuidor de um telemóvel não precisa de qualquer tipo de identificação para continuar a usar o mesmo telemóvel, obviamente pré-pago, ao abrigo de qualquer ligação entre o que possa andar a dizer, ou a transmitir, e o meio por onde fala.
O que pensarão as autoridades policiais, que às vezes têm de andar a escutar suspeitos, destas facilidades?

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Porque não gosto dos CTT (1)

Na cidade de Caldas da Rainha, sede do concelho onde vivo, há uma única estação de correios.
É para aí que é canalizada toda a correspondência que não é entregue nos domicílios das pessoas ou outras entidades a quem é dirigida, por se tratar de correio registado, de correspondência volumosa e de outro tipo de correspondência que obriga a uma entrega em mão.
As condições desta estação são as de todas as estações dos CTT: um ambiente frio no tempo frio e demasiado quente no tempo quente; por norma, uma hora ou mais de espera desesperante; disponibilização de uma meia-dúzia de lugares sentados para as dezenas de pessoas que aí se dirigem, entre as quais muitos idosos, que se vão aguentando de pé com dificuldades bem visíveis à espera de vez.
E por detrás dos balcões (e raramente estão todos preenchidos) lá se vão movendo sem pressas os seus funcionários. Têm de cumprir um horário, têm de se levantar do assento para ir buscar a correspondência – não têm pressa nenhuma, portanto.
É possível enviar correio de outros dois pontos que ficam na periferia, a cerca de quatro e dez quilómetros do centro da cidade. Os registos é que não. Nem numa simples divisão geográfica.
Por que motivo é que isto não se resolve?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Berros a mais

Tenho alguma dificuldade em aceitar, mesmo numa perspectiva especulativa, as expressões e os apelos de revolta contra as medidas de austeridade que - até prova em contrário - parecem ser as únicas capazes de impedir a falência do País e o que daí inevitavelmente decorrerá: pelo menos, a falta de dinheiro do Estado para satisfazer os seus compromissos, nomeadamente pagar os salários à função pública e as pensões e assegurar o funcionamento de serviços básicos.
Dos "indignados" novos e reciclados à extrema-esquerda tradicional, passando pelo PCP jurássico e pela legião de sindicalistas que, sabe-se lá porquê, não percebem que os tempos mudaram, não vejo propostas alternativas concretizáveis, credíveis e funcionais para o contexto em que nos encontramos. O que ouço são só berros, raramente racionais.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

As greves nos transportes públicos

1. Durante anos a fio, as empresas, públicas, de transportes públicos acumularam prejuízos.

2. Os respectivos gestores e trabalhadores acumularam benefícios.

3. Não há um único serviço de transportes públicos, dos que essas empresas asseguram, que possa ser considerado modelar.

4. Os prejuízos dessas empresas somam muitos milhões de euros, praticamente em regime de crédito mal parado. Vamos todos pagá-los, tanto os habitantes das cidades que têm transportes públicos (os dessas empresas e os das câmaras ou privados) como os que, residindo em zonas rurais (como eu), não beneficiam de transportes públicos.

5. Os trabalhadores dessas empresas fazem greve. Os gestores não são prejudicados pela greve. A população - que vai pagar os prejuízos dessas empresas e os benefícios acumulados dos gestores e dos trabalhadores - é prejudicada pela greve.

6. Acham bem?

domingo, 6 de novembro de 2011

Sai um processo, por administração danosa de dinheiros públicos e peculato, contra os ex-primeiro-ministro e ministro das Finanças...

O ex-primeiro-ministro, José Sócrates, o ex-ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, um ex-secretário de Estado do Ministério das Finanças, Sérgio Vasques e um ex-director-geral das Contribuições e Impostos, José Azevedo Pereira, foram acusados de administração danosa de dinheiros públicos e peculato numa denúncia apresentada pelo advogado Alexandre Lafayette.
A denúncia refere-se ao gasto de meio milhão de euros numa festa de anos da Direcção-Geral das Contribuições e Impostos em Maio deste ano.
A queixa, a que Alexandre Lafayette junta o pedido de reembolso à Fazenda Pública da verba gasta, acrescida de juros desde a data das despesas, foi aceite pelo Supremo Tribunal de Justiça, que admitiu também o advogado como assistente no projecto, decretando a abertura do respectivo inquérito.
Esta notícia, com todos os pormenores, foi dada pelo semanário "O Diabo" do passado dia 1 de Novembro. E não parece ter sido dada por mais nenhum órgão de comunicação social. O que é estranho.
E, que se saiba, também não foi desmentida por nenhum dos denunciados.
Sendo verdade, e não tenho dúvidas de que seja, está aberta a porta para o que muita gente defende: a responsabilização dos anteriores governantes pela situação de pré-falência do País.

Apresentação de "Vermelho da Cor do Sangue" na Biblioteca Muncipal de Caldas da Rainha


O maestro Joaquim António Silva, director do Grupo Coral de Os Pimpões (que abriu a sessão), Palmira Gaspar, em representação da Comunidade de Leitores de Caldas da Rainha, e o autor, no sábado, 5 de Novembro, na Biblioteca Municipal de Caldas da Rainha.