sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Uma imbecilidade... na Fox

O grupo de canais de cabo da Fox vai concretizar à terça-feira uma imbecilidade que só pode ter nascido na cabeça de quem não sabe nem conhece os produtos que tem e o público que pode ter: consegue a proeza de concentrar à mesma hora em três dos seus canais as três melhores séries televisivas que vão estar a passar no nosso país. Tudo ao mesmo tempo!
"The Walking Dead" começa às 22 horas no canal Fox; "The Good Wife" começa às 22h10 no canal Fox Life; e "Southland" começa às 22h15 no canal Fox Crime.
Para lá do "bardamerda" com que são convictamente brindados os espectadores interessados, há outro aspecto a ter em conta: será que estas séries se arranjam na internet?...
Até a mim me desagrada, nestas circunstâncias, ter de esperar pela edição em DVD das duas que serei forçado a excluir!

Uma questão de rigor

J. Sócrates e os seus companheiros deviam exigir ser ouvidos por uma instância nacional independente para esclarecerem, em definitivo e de forma absolutamente clara, a sua responsabilidade pela situação financeira do País. E não há melhor instância do que os tribunais.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

"Die Hard"... 5!

O filme "Assalto ao Arranha-Céus" ("Die Hard") foi, em 1988, um marco do cinema de acção, consagrando um realizador (John McTiernan), um actor (Bruce Willis) e um estilo hiper-realista irónico, inteligente e abundante em referências que convidavam a pensar. Foi um êxito, merecido, e deu origem a uma série irregular de filmes que nunca conseguiram chegar aos calcanhares do primeiro.
Anuncia-se agora o quinto ("A Good Day to Die Hard") e, a avaliar pela descrição, dispensava-se. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"NCIS": cada vez melhor

Com a nona temporada já em exibição nos EUA (o primeiro episódio foi a 20 de Setembro), a oitava temporada da popular série "NCIS" ("Investigação Criminal") ainda não chegou à televisão portuguesa e até pode dar-se o caso de estar a ser preterida a favor de uma sua excrescência, "Investigação Criminal Los Angeles"... apenas por esta ter a portuguesa Daniela Ruah no elenco.
David McCallum e Pauley Perrette como Dr. Mallard e Abby Sciuto (© IMDB)









É pena, claro, porque "NCIS" está cada vez melhor, com a oitava temporada a aprofundar os desenvolvimentos de várias personagens e os "arcos" que unem vários episódios, incluindo as consequências da execução do assassino da mulher e e da filha por Gibbs (Mark Harmon), recuperando personagens como os pais de Gibbs, de DiNozzo (Michael Weatherly) e de Ziva (Cote de Pablo, muito melhor do que Daniela Ruah) e, sem esquecer a existência de alguns segredos por revelar, mostrando como o novo chefe, Leon Vance (Rocky Carroll), já apoia com maior convicção a sua equipa, reforçando o humor e a ironia e dando belas lições de narrativa televisiva em menos de cinquenta minutos.
(Pormenores aqui e aqui, com a oitava temporada já à venda aqui.)  



domingo, 9 de outubro de 2011

Um esclarecimento do embaixador Francisco Seixas da Costa

A propósito desta nota, recebi um e-mail do embaixador Francisco Seixas da Costa, que aqui publico na íntegra:

"Vi que tomou por boa, no que toca ao embaixador de Portugal em Paris, a notícia publicada no CM. Não tenho a pretensão de que possa proceder de forma idêntica no tocante à minha palavra, mas gostava que soubesse que não apenas não fazia a mínima ideia que o engº José Sócrates tivesse tido quaisquer dificuldades na sua entrada para SciencesPo, como nunca tive o mais leve contacto com nenhum responsável dessa instituição com vista a ultrapassar tais alegadas dificuldades. Mas o que é a palavra de um servidor público com 40 anos de exercício face a uma "boca" mediática?"

Respeito este esclarecimento e o ponto de vista afirmado pelo embaixador Francisco Pereira da Costa sobre a questão que envolve o seu nome, devendo também lamentar a "'boca' mediática" que, por abordar também outro assunto, ainda aqui mantenho.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O que anda a fazer um dos candidatos às próximas eleições presidenciais

Em Junho, o "Sol" noticiou isto:

"José Sócrates poderá assumir, em breve, a função de representante de várias empresas brasileiras de topo para Portugal e toda a União Europeia – apurou o SOL junto de fontes próximas do Governo brasileiro.
A proposta e o convite foram intermediados pelo ex-Presidente Lula e pela actual Presidente Dilma Rousseff, ambos com estreitas ligações pessoais e políticas a Sócrates. E, na sua visita a Lisboa no final de Março, por ocasião do doutoramento honoris causa de Lula da Silva pela Universidade de Coimbra, Dilma terá reafirmado a Sócrates – já então primeiro-ministro demissionário – o seu empenho para que aceitasse o cargo."

Houve quem dissesse que não era verdade.
Agora, quatro meses depois, a propósito de duas recusas iniciais da admissão da "licenciatura domingueira" do ex-primeiro-ministro num instituto da Sobornne, o "Correio da Manhã" noticia:

"(...) À terceira lá foi aceite nos estudos de Filosofia, mas para isso teve de entrar em acção o diplomata Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal na capital francesa, que mexeu e remexeu os cordelinhos necessários para permitir a entrada do ex-chefe de governo na universidade.

É útil saber-se o que ele anda a fazer...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ruth Rendell está de volta… e Wexford também

Ruth Rendell, a melhor escritora de “thrillers” de toda a literatura está de volta com “The Vault”.
Nesta nova história, o inspector Wexford reformou-se e anda a passear, com a mulher, entre a sua casa de Kingsmarkham e a casa de uma das filhas em Londres, e acaba a ajudar um antigo colega ao serem descobertos quatro corpos numa casa de Londres – a mesma casa onde foram escondidos os três cadáveres do romance “A Sight For Sore Eyes” (1998) e a que entretanto se juntou um quarto.
“The Vault” é uma criação extraordinária, no modo como se interliga com “A Sight For Sore Eyes” e como, num processo quase irónico, Ruth Rendell estabelece a ligação entre as duas histórias. E é um abençoado regresso, depois de a autora ter decidido pôr fim à série. O inspector Wexford é uma das grandes personagens da “literatura policial” e, mesmo reformado, pode continuar a entreter os muitos fãs de Ruth Rendell. Além do mais, “The Vault” tem uma vantagem adicional: funcionando de modo independente relativamente a “A Sight For Sore Eyes”, convida à releitura deste livro. Com o mesmo prazer da primeira leitura.
Ruth Rendell, fotografada para "The Guardian" por Murdo Macleod

E, a propósito, o que é pena que, há que repetir o lamento do costume: Ruth Rendell (mesmo com o “alias” de Barbara Vine) desapareceu da edição portuguesa, talvez por não estar na moda ou por não ser sueca ou porque a memória é curta e os conhecimentos também, ou porque, simplesmente, há muita gente distraída.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O interesse público das águas "públicas"

A povoação onde resido está sem água canalizada há doze horas, por ter havido mais uma ruptura numa rede de abastecimento público que tem dezenas de anos e na qual nunca houve qualquer tipo de investimento e de manutenção. Ou de "requalificação", na grotesca terminologia autárquica dos nossos dias.
Os serviços municipalizados (da câmara de Caldas da Rainha) enviaram os seus técnicos de piquete ainda na noite passada que rapidamente bateram em retirada. Às dez horas, explicaram que o piquete "fechava" à meia-noite; às onze e meia, explicaram que o pessoal não podia andar à procura da ruptura às escuras. E que às oito regressavam. Pois ainda não se notou.
Os residentes e as empresas deste concelho pagam mensalmente, além do simples custo do consumo de água, quantias que podem atingir dezenas de euros graças às habilidosas taxas com que os municípios substituíram uma outra taxa "proibida" por lei. Mas essa pequena fortuna não parece ser suficiente para manter um piquete nocturno.
O interesse público das águas "públicas" é isto. É o que talvez defendam os idealistas que se arrepiam e uivam quando ouvem falar na "privatização" das águas.
A mim, é-me indiferente. Quero é ter um serviço público/ao público de qualidade e que não falhe assim. Sobretudo quando me sinto verdadeiramente roubado por ele.

Adenda: a água regressou às 13 horas, ou seja, cinco horas depois de os trabalhos terem sido iniciados e dezassete horas de ter sido fechada; se houvesse um verdadeiro interesse público a salvaguardar, a reparação poderia ter sido concluída , pelo menos, até às 3h30.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Notas de prova de uma viagem ao Dão

1 – A empresa Dão Sul mantém, em Carregal do Sal, na Quinta de Cabriz original (esta designação não pode ser utilizada para os seus vinhos, que não saem de uma só quinta), um restaurante que continua a merecer visita. A cozinha é muito boa, o serviço também e os vinhos, à mesa, ainda têm preços no domínio do razoável. Mas alguma coisa se há-de ter passado para manterem os papéis das ementas com ar gasto e muito manuseado e para trazerem à mesa um balde de gelo… de plástico. Podem ter motivos muito fortes, económicos ou de estilo, para não utilizarem, pelo menos, os baldes de alumínio clássicos mas esta versão de balde não condiz com o resto e, isoladamente, quando chega à mesa, faz pensar que se esqueceram da esfregona.

2 – A célebre Casa da Ínsua de Penalva do Castelo renasceu pela mão do grupo Visabeira, com um hotel de luxo e um restaurante a condizer em instalações muitíssimo bem redecoradas. Mas depois promove os seus vinhos de marca própria, associando-os à região do Dão mas dando a preponderância à adocicada casta Cabernet-Sauvignon e passando para segundo plano a “subtileza da casta Touriga Nacional”, casta que nada tem de subtil e que é a mais nobre, e mais marcante, casta da região do Dão.

3 – Aliás, a casta Cabernet-Sauvignon, autorizada em menor quantidade para os vinhos do Dão, já chegou à região e há produtores que não têm pejo em recorrer a essa forma de tornar os vinhos instantaneamente amadeirados, embora o disfarcem. E nem vale a pena pensar que o facto de não haver referência no rótulo não significa que ela não esteja presente. É o que acontece com vários monocastas de Touriga Nacional que, para encher, se socorrem discretamente de outras castas.

4 – Não é o caso do multipremiado Quinta da Fata, nascido na propriedade do mesmo nome em Vilar Seco (Nelas). Todas as uvas utilizadas são mesmo da quinta e o seu extraordinário Touriga Nacional (já está à venda o de 2009) só tem mesmo uvas desta casta. Há muitos vinhos de elevada qualidade no Dão mas não consigo deixar de regressar sempre aos da Quinta da Fata, de Maria Cremilde e Eurico do Amaral, ao seu admirável Touriga Nacional, aos seus “clássicos” (que prefiro aos “reservas”) e ao seu imponente branco da casta Encruzado, que são todos do melhor que o Dão tem. Link com todos os pormenores aqui.

5 – Nos brancos, há outro que merece aplauso: é o da Quinta da Espinhosa, de Vila Nova de Tazem, de Alberto Oliveira pinto. Utiliza as castas brancas da região e, se não tem a altivez aristocrática do Encruzado, fica muito longe dos brancos frutados que, com os rótulos do Dão, são iguais a muitos outros vinhos brancos que aparecem em todas as regiões, tipo pronto-a-vestir. É imprescindível. Telefone para contacto: 965117259.

6 – O restaurante Bem-Haja continua a ser uma referência obrigatória em Nelas, com cozinha, serviço e ambiente excelentes. Mas conviria que corrigisse os preços da sua lista de vinhos (praticamente todos do Dão, o que é de saudar), alargando o leque e evitando constrangimentos inúteis. Não terá decerto prejuízo de apresentar alguns abaixo do nível dos dez euros.

7 – A Adega Cooperativa de Nelas faliu. A atenção com que o Estado segue, em vários domínios, as cooperativas devia impor qualquer intervenção que permitisse minorar os prejuízos dos seus associados. As adegas cooperativas do Dão, e a própria Udaca, podem andar a cometer alguns erros com a proliferação exagerada de marcas que desorientam os consumidores mas ainda têm património e produções que não deviam desaparecer em processos de insolvência.

sábado, 24 de setembro de 2011

Os vinhos de El Corte Inglés serão feitos de uvas?

O vinho que El Corte Inglés vende é feito com uvas? Algum, pelo menos, será porque identifico no catálogo da sua “feira de vinhos”, numerosas garrafas de vinhos que conheço.
Mas, depois, há os outros, se não erro sessenta e seis, que nas malfadadas “notas de prova” me garante El Corte Inglés que sabem a frutos silvestres, esteva, fruta em passa e compota, frutos pretos, frutos vermelhos, casca de citrino, rosas, pêra, melão, cerejas, laranja, violetas, chocolate, erva do campo, turfa (ou trufa?), ameixas, baunilha, flores brancas, frutas exóticas, ananás, ameixas pretas, framboesa, morangos e abacaxi.
E eu que julgava que o vinho era feito de uvas…