terça-feira, 6 de setembro de 2011

"The Good Wife" - finalmente, o regresso

A série "The Good Wife" regressa hoje ao canal Fox Life (às 22h10), sobrepondo-se desastradamente a "Southland" (à mesma hora no canal-irmão Fox Crime). É uma história que começa de forma simples (ela, a "boa esposa" do título, vê-se obrigada a ir trabalhar e a fazer um "downsizing" nas condições de vida da família depois de o marido ter sido envolvido num escândalo político e detido) e vai subindo de tom, paulatinamente.
Já na terceira temporada (hoje poderemos começar a ver a segunda temporada), "The Good Wife" articula bem os casos que vão preenchendo os vários episódios com uma intriga mais vasta, em arco, que é quase fascinante. Julianna Margulies (que já passou por "ER" e "NYPD Blues") é perfeita como Alicia Florrick e, num conjunto de interpretações bem sólidas, é obrigatório destacar a personagem enigmática criada por Alan Cumming.
Como produtores - no que é uma marca de qualidade e um sinal da importãncia que a TV actualmente tem no audiovisual - estão os irmãos Ridley Scott e Tony Scott através da sua Scott Free.

Horas extraordinárias

Das referências que vão aparecendo a "Vermelho da Cor do Sangue" farei uma lista mais tarde. Mas esta satisfaz-me muito em especial porque, no panorama da edição em Portugal, é extraordinário poder ter o privilégio de estar a trabalhar com a Maria do Rosário Pedreira.

"Imortais": uma boa colecção de histórias de vampiros a sério

Quem gosta realmente de histórias de vampiros e é menos sensível às variações introduzidas por autoras como P.C. Cast, por exemplo, encontra nesta colectânea (que traduzi para a Gailivro/Asa) uma boa mão-cheia de histórias que respeitam os cânones no género, que conciliam alguma ironia com passagens mais fortes e que deixam espaço a uma inovação bem sugestiva: pode uma sereia, que também se alimenta de seres humanos, ser considerada um vampiro? Das escritoras representadas, Rachel Caine, Tanith Lee, Nancy Holder, Rachel Vincent e Claudia Gray são as que merecem leitura mais atenta.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

E Jack Reacher vai ser... Tom Cruise

Parece que já é oficial: o actor que vai interpretar a personagem de Jack Reacher (o justiceiro individualista criado por Lee Child) é Tom Cruise. Já está no IMBD e o próprio Lee Chíld confirma-o no seu site, onde não deixa de reafirmar, por outras palavras, que ele escreve as histórias e que Hollywood faz os filmes.
Para já, e sem indicações quanto a outros títulos, o primeiro filme será "One Shot" (a estrear em 2013), que já andava em pré-produção há alguns anos. Christopher McQuarrie (o argumentista de "Os Suspeitos do Costume") será o realizador e... pois, Tom Cruise será Jack Reacher.
Só que Jack Reacher, apesar da boa forma demonstrada por Cruise na série "Missão: Impossível", é bastante mais alto e encorpado do que este actor. E ou põem Tom Cruise a ser filmado sobre uma plataforma com, pelo menos, vinte centímetros de altura ou teremos, ao contrário de tudo o que aprendemos sobre Jack Reacher durante dezasseis romances, que nos redimensionar e aceitar que Reacher encolheu e que vai passar a enfrentar os seus adversários a olhá-los de baixo para cima.
Para ser Cruise o escolhido, preferia Mark Harmon! Pelo menos, já fez a rodagem para ser Jack Reacher na série NCIS.
Vale a pena espreitar os comentários da EW.com, a propósito...

domingo, 4 de setembro de 2011

"CSI": a Agatha Christie pós-moderna

Não gosto de "CSI", nem de nenhuma das várias séries em que a série original se metastizou.
Por muito interessantes que possam ser, tecnicamente, por bons actores que possam ir aparecendo, por muito engenhosos, ou não, que sejam os crimes sempre resolvidos à medida dos 40 minutos de cada episódio televisivo.
O problema de "CSI" é o seu absoluto divórcio relativamente à realidade. Não há, em nenhum país do mundo, uma divisão de um qualquer órgão de polícia criminal que concentre todas as várias fases da investigação criminal, da rua aos laboratórios, da análise forense ao interrogatório de suspeitos. Nem tão rapidamente, nem de forma tão exclusiva.
O "thriller" - na televisão, na literatura e no cinema - tem de ter uma base real. Por mais extraordinários que possam ser os crimes, os criminosos ou os investigadores, o enquadramento tem de ser verídico, tem de ser realista. 
Ou, então, os seus autores têm de criar um universo ficcional que, com uma coerência interna absoluta, não se leve a sério mas nos entretenha. Como se nos dissessem: "Eu diverti-me a criar estas histórias, que são quase impossíveis e que têm personagens quase impossíveis, mas são tão bem feitas e têm personagens de que vão gostar tanto que vocês não podem deixar mesmo de gostar." (É o que acontece com a série "NCIS" e com o universo ficcional de Lee Child e do seu herói Jack Reacher.)
"CSI" não é nada disso.
E não consegue ser mais do que a versão televisiva pós-moderna de Agatha Christie. 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

"Vermelho da Cor do Sangue": o 25 de Novembro

Em 25 de Novembro de 1975 estivemos mesmo à beira de uma guerra armada entre facções militares? O PCP quis tomar o poder pela forma das armas? E a extrema-esquerda? Os militares conservadores, o "Grupo dos Nove" e o PS aliaram-se, com o apoio dos EUA, para travar o que parecia ser uma revolução popular?
Em certa medida, e apesar do muito que existe escrito sobre o tema, o 25 de Novembro é um dos enigmas da História portuguesa depois do 25 de Abril. Tendo vivido directamente, em grande parte, o chamado Processo Revolucionário em Curso (PREC), acabei também por viver o 25 de Novembro, integrado numa organização juvenil que chamou os seus militantes para vigiarem a "reacção" e que depois os mandou para casa, sem explicações concretas.
Foi este conjunto de circunstâncias que me levou a pensa no contexto do 25 de Novembro para uma história. Utilizei-o numa história que nunca foi publicada e retomei-o em "Vermelho da Cor do Sangue", enquadrando o que poderia ter acontecido: um grupo organizado de militares a fazer crer aos soviéticos que iam fazer a Revolução e que precisavam de ajuda.
... E não conto o resto para não prejudicar quem gosta de surpresas numa história.

domingo, 28 de agosto de 2011

"Vermelho da Cor do Sangue": o "Barca Velha"

O "Barca Velha" é um vinho tinto emblemático do Douro, famoso pela sua exclusividade (só é engarrafado nos melhores anos) e pelo preço elevado que atinge. É muito bom e eu tive a oportunidade de beber algumas garrafas de colheitas diferentes. É o melhor de todos os vinhos tintos? Longe disso.
O "Barca Velha" tem uma presença distinta no meu livro "Vermelho da Cor do Sangue" nas mãos de um banqueiro que esteve quase a ser preso durante o PREC, em 1975. Serve, depois, de elemento de ligação de um grupo conspirador. Acaba por ser, de certa maneira, um "vinho de missa" para uma congregação muito especial que nasceu na noite de 25 de Novembro desse ano. Mas o velho banqueiro sabe o que faz: o "Barca Velha", pelo seu estatuto, tem uma presença simbólica. Mas há melhor.
A mesma pessoa que me deu a conhecer o "Barca Velha" (um grande amigo, camarada de profissão e mentor em muitas coisas da vida, chamado Luís de Araújo) deu-me a conhecer um vinho tinto de 1973, de um organismo do Ministério da Agricultura chamado Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão. Esse tinto, magnífico, conquistou-me para os vinhos do Dão e, muito francamente, entre ele e os vários "Barca Velha" que bebi... a minha preferência vai para o Dão.
Tenho conhecido muitos vinhos do Dão, onde tento ir todos os anos, e não consigo, hoje, encontrar melhor do que os de uma pequena exploração familiar, a Quinta da Fata, em Vilar Seco (Nelas), onde os seus proprietários, Eurico e Maria Cremilde do Amaral, têm feito um trabalho notável.
E não sei se alguma vez trocaria um "Quinta da Fata" (sobretudo o seu Touriga Nacional) por um "Barca Velha". Parece mal dizê-lo e pensá-lo? Talvez. Até porque, passando das palavras aos actos, sabe melhor bebê-lo e saboreá-lo.

sábado, 27 de agosto de 2011

O vinho já não pode saber a vinho mas a...

... frutos tropicais, morangos, framboesas, amoras, ameixas, frutos secos, frutos silvestres, violetas, chocolate negro, "fruto fresco e assertivo", ginja, cacau, baunilha, groselhas, "frutos pretos", mel, baunilha amanteigada", cerejas maceradas e ... couro! É o que nos dizem as "notas de prova" sobre dúzia e meia de vinhos à venda na "feira de vinhos" do Pingo Doce. Nos nossos dias, o vinho já não pode saber às múltiplas castas de que é feito. E garanto que já vi referências a tabaco e suor de cavalo em "notas de prova". É assustador!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Os atrasos nos pagamentos (4)

Eis um testemunho que me chega de um visitante (SG) e que é de reter: "O problema em trabalhar como "freelancer" prende-se com o facto de, em 99,9% das vezes, ser pedido o recibo verde antecipadamente, para "facilitar" a vida ao departamento de contabilidade. Ficamos sempre muito sujeitos a incumprimentos. Hoje em dia, não há tradução que faça sem contrato e foi precisamente graças a um contrato que consegui provar a dívida que uma editora, D., tinha (passou-se há cerca de 4 anos). Recebi um e-mail após entrega da tradução, a elogiar o trabalho, mas de pouco me valeram os elogios, pois após 5 meses de atraso, lá tive de recorrer a um advogado para enviar um aviso com prazo de pagamento de 8 dias úteis. Passados 3 dias, estava o dinheiro na minha conta e um e-mail no meu endereço a pedir desculpa por toda a demora... "
É bem verdade. Às vezes, é necessário resolver o assunto desta maneira. Normalmente, vem o dinheiro mas não vem mais nenhum trabalho... o que é uma maneira de revelar a qualidade de quem está do outro lado. E, por isso, as vítimas calam-se, com frequência. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Lisboa, capital do 'thriller'" - entrevista no "Diário Digital"

Há um ano, quando do lançamento de "A Cidade do Medo", respondi a uma série exaustiva de perguntas feitas pelo jornalista Pedro Justino Alves para o "Diário Digital" que saiu aqui, na íntegra, com o título "Lisboa, capital do 'thriller'". Está lá tudo quanto ao projecto iniciado por "A Cidade do Medo" continuado agora com "Vermelho da Cor do Sangue".