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sexta-feira, 25 de maio de 2012

"Treme": o triunfo de David Simon

Nova Orleães depois do furacão "Katrina" e a sua música como tema de uma série de televisão? Digamos que é coisa que sugere um documentário, ou uma série documental, de âmbito cultural e etnográfico. Talvez à distância, "Treme" não pareça ser mais do que isso. Mas é. É muito mais e é uma das mais extraordinárias séries televisivas que vi (de uma colecção delas onde se incluem "Boarwalk Empire", "The Killing/Forbrydelsen" e "Game of Thrones").
"Treme" (leia-se "tremê") já teve duas temporadas, de dez e onze episódios (a segunda temporada está a sair agora em DVD) e já há uma terceira a sair.
É produzida pela HBO, que é sem a menor dúvida a mais importante produtora de séries televisivas dos últimos dez anos. É da autoria de David Simon, o principal criador de "The Wire", com a colaboração de Eric Overmyer. E, como já aconteceu com "The Wire", não teve direito a prémios de renome. Mais uma vez, é mau para a reputação de quem decide esses prémios.
Passada em Nova Orleães meses depois do "Katrina", "Treme" é uma espantosa história de resistência e de sobrevivência, de pessoas e de tradições, de música e de cultura. Tem um conjunto de personagens inesquecíveis a que dão corpo John Goodman (admirável, "Fuck you, you fucking fucks!"), Steve Zahn, Clarke Peters, Wendell Pierce mas também Kim Dickens e Khandi Alexander. É filmada num tom surpreendentemente contido, o que dá mais força às várias histórias pessoais dos que lutam por sobreviver... ou que simplesmente desistem. E tem uma banda sonora que se integra harmoniosamente na narrativa, interpretada e cantada por um numeroso grupo de artistas da própria Nova Orleães.

John Goodman
Wendell Pierce, David Simon
e Clarke Peters

A primeira temporada de "Treme", e acredito que a série na sua totalidade, confirma também David Simon como um dos criadores de televisão mais importantes dos nossos dias. "The Wire" já o revelara mas os puristas que torcem o nariz ao "policial" podiam pensar, talvez com alguma esperança, que ele não conseguiria ir mais longe. Mas foi.
"Treme" é um triunfo pessoal de David Simon.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"Boardwalk Empire" - um triunfo da ficção audiovisual

"Boardwalk Empire", a série produzida por Martin Scorsese e Mark Wahlberg e com um extraordinário Steve Buscemi, é uma das melhores demonstrações da importância que a televisão hoje tem na ficção audiovisual.
Passada nos anos 20, na América do proibicionismo, harmonizando o "thriller" com a política e a crónica de costumes com os dramas de amor, "Boardwalk Empire" tem uma construção narrativa primorosa, um dinamismo visual inspirado, valores de produção de primeira linha e um leque de interpretações onde - e nunca é demais salientá-lo - sobressai a fascinante interpretação de Steve Buscemi na figura do cacique Enoch "Nucky" Thompson de Atlantic City. E não recua perante nada, como já é costume nas séries da HBO (de onde saíram a malograda "Roma" e a magistral "The Wire").

Steve Buscemi
Numa intervenção cheia de significado, na edição em DVD, é o próprio Martin Scorsese que salienta uma das grandes vantagens da opção televisiva: o arco narrativo da primeira temporada desenvolve-se sem pontas soltas e sem a menor quebra de ritmo durante quase seiscentos minutos (doze episódios de cerca de 50 minutos) e imagina-se o que não se perderia numa longa-metragem por mais longa que pudesse ser.
"Boardwalk Empire" tem, para esta década, a mesma importância que "The Wire" teve na década passada. E é sintomático que, à pala do "policial", consiga do mesmo modo dizer tanto sobre o mundo em que vivemos e de uma forma tão universal.
Por motivos que se desconhecem, as melhores séries costumam passar às escondidas na televisão portuguesa. Foi o caso de "The Wire", foi o caso, agora, de "Boardwalk Empire". Salva-as, e a nós, a edição em DVD que vale tudo o que custa.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"The Wire" devia ser de visão obrigatória...

...para assistentes sociais, cinéfilos, críticos de cinema, economistas, editores (os inteligentes e sensíveis e os outros), escritores, jornalistas, magistrados, pais e mães, pessoas que gostam de histórias "policiais", pessoas que não gostam de histórias "policiais", polícias, políticos, professores, sindicalistas. Pelo menos.
(Reflexão sugerida por um regresso a uma das melhores séries televisivas de sempre através do livro "The Wire Re-Up", Guardian Books, 2009, e por outras leituras recentes. "The Wire" existe, completa, em DVD, com legendas em português.)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Uma "ordem" do procurador-geral dos EUA: façam mais "The Wire"

 
A série televisiva "The Wire" (criada por David Simon e Ed Burns) é, pelo menos, uma das melhores de televisão de todos os tempos e, muito possivelmente, a melhor série "policial" de sempre. Em cinco temporadas, os dois autores passaram em revista o flagelo da droga, o sindicalismo, a escola pública, a política e a comunicação social, criaram personagens inesquecíveis e definiram um novo paradigma para o "thriller" e para o "romance policial" para a televisão do século XXI e para a própria literatura. Em Portugal, a série passou clandestinamente e o desassombro com que abordou certos temas há-de ter contribuído para não receber prémios importantes. Para os mais interessados, acrescente-se que a série existe em DVD, com edição que tem legendas portuguesas.
Desagradando aos poderes instituídos de Baltimore (o cenário de "The Wire"), esta série foi publicamente elogiada pelo presidente dos EUA. E é interessante que, em Maio último, o procurador-geral dos EUA, o "attorney general" Eric Holder tenha "ordenado", num encontro com alguns dos actores da série, que fosse feita mais uma temporada (coisa a que a HBO, possivelmente, não se oporia) ou, pelo menos, uma longa-metragem.
A notícia encontrei-a aqui por acaso e, duvidando de que David Simon (ocupado com outra série, "Treme", em Nova Orleães) o queira fazer, não posso deixar de desejar que isso fosse possível. E e, muito possivelmente, os muitos milhares de fãs de "The Wire". Mas talvez não seja de perder a esperança, no entanto...